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Árvore do baru é excelente alternativa para cultivo em ILPF
11 de Setembro de 2021 as 09h 30min
Demanda pelo baru tem crescido no Brasil e no exterior – Foto: Cláudio Melo
O baruzeiro, árvore nativa do Cerrado, é uma das espécies de fruteiras nativas mais promissoras para plantio em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), em que lavouras de grãos, árvores e rebanhos são produzidos em um mesmo espaço. Atualmente, o eucalipto é o gênero preponderante nesses sistemas.
No entanto, o baruzeiro possui uma vantagem: além da madeira, a árvore produz uma valiosa semente. O baru, cumaru ou cumbaru, como é conhecido, assemelha-se a uma castanha e a demanda por ele tem crescido nos últimos anos no Brasil e no exterior. A previsão de crescimento de sua comercialização é de 25% ao ano entre 2019 e 2029, segundo artigo publicado na revista de pesquisas sobre mercados Fact.MR.
O Brasil é o principal país do mundo que produz essa espécie. Quase metade da produção das sementes é vendida para o exterior, 25% para Europa e outros 22% para os Estados Unidos. Um dos motivos do aumento da comercialização desse produto, segundo a publicação, é a busca por alimentos saudáveis. O baru está sendo apresentado como um superalimento, por seu alto valor nutricional.
Esse cenário pode aumentar a renda das comunidades tradicionais, já que a quase totalidade dos frutos vem do extrativismo. No entanto, a demanda pode ser maior do que o País tem capacidade de fornecer. Por isso, é fundamental o desenvolvimento de sistemas de plantios comerciais da espécie. “Isso vai possibilitar o aumento da produção e da renda dos produtores rurais”, analisa o pesquisador da Embrapa Cerrados Fernando Rocha, líder do projeto que avalia espécies nativas – baru, mangaba e pequi – em sistemas ILPF.
A indicação do baruzeiro para sistemas integrados considerou várias questões, incluindo o potencial econômico da planta. “O baru pode ser outra fonte de renda para os produtores. A planta tem porte e características físicas adequadas. O produtor pode vender o fruto e ainda tem a madeira, que é de ótima qualidade e pode trazer uma renda considerável”, explica a pesquisadora Maria Madalena Rinaldi.
Rocha afirma haver um reconhecido potencial do uso dessa planta em áreas de criação animal: “Há evidências de que o baruzeiro vai funcionar em sistemas integrados. Quando os produtores limpam a área, eles retiram todas as árvores, mas deixam a de baru. É uma das únicas árvores que eles deixam no pasto”.
Além da sombra, os animais se alimentam de seus frutos. A indicação da pesquisa para inserção dessas fruteiras em sistemas integrados considera a baixa viabilidade de implantação de áreas de monocultivos. “O plantio em consórcio com outras espécies se torna mais viável”, defende.
PRODUÇÃO DE MUDAS
Um dos principais desafios para a domesticação do baruzeiro é a produção de mudas de qualidade. Atualmente, não há metodologia desenvolvida para sua reprodução assexuada, que garante que as novas plantas tenham as mesmas características da planta-mãe, o que não acontece quando as mudas são produzidas a partir das sementes.
“O desenvolvimento de um protocolo para produção de clones de baru é muito importante quando se pensa em plantios comerciais. Quando se tem uma boa planta e se faz um clone, muito provavelmente ele será excelente também”, explica o pesquisador da Embrapa Wanderlei Lima. Os resultados dos experimentos em andamento são bastante promissores.
Com a enxertia, o percentual de pegamento das mudas pode chegar a 60%. As mudas produzidas a partir de sementes foram usadas como porta-enxerto: parte da planta onde é inserido o material de outra da qual se quer obter as mesmas características.
Fonte: DA REPORTAGEM
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