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Abandono de animais triplica em Cuiabá na pandemia
Em 2021, a média de denúncias registradas foi o dobro que a dos dois anos anteriores
11 de Novembro de 2021 as 06h 00min
Animal abandonado é resgatado — Foto: Divulgação
Além da dor causada à humanidade, a pandemia aumentou o sofrimento dos animais. Abandono, maus-tratos, fome e negligência foram alguns dos problemas acentuados nos últimos dois anos. O número de animais abandonados cresceu.
De acordo com dados da Diretoria de Bem Estar Animal, ligada à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá, a quantidade de animais abandonados triplicou durante o período da pandemia. Isso estaria atrelado ao crescimento de tutores desempregados e falecidos e que, nesse caso, os parentes não se responsabilizaram pelos animais.
A estimativa é de que Cuiabá tenha cerca de 14 mil animais abandonados. Em 2021, a média registrada foi de 98 denúncias por mês no primeiro trimestre de 2021, o correspondente ao dobro da média mensal dos anos de 2018 e 2019.
O levantamento da Diretoria aponta um crescimento no número de denúncias e animais resgatados ano a ano. Em 2018, foram contabilizadas 513 denúncias. E, em 2019, as denúncias aumentaram para 559, e em 2020 o levantamento aponta que só no primeiro semestre foram contabilizadas 497 denúncias, o dobro dos anos anteriores em 6 meses.
Já em 2021 os números continuam crescendo, nos primeiros três meses foram contabilizadas 294 denúncias. Ainda não há dados mais recentes sobre os abandonos.
A DOR MUDA
O grupo voluntário “Amor Animal” é liderado por Silvana Salomão Cury Veloso, 56 anos. Ela, que é servidora pública federal, resgata, oferece tratamento médico veterinário, alimenta, castra e doa de forma responsável animais vítimas de abandono, maus tratos e em condições de rua.
De acordo com ela, no período pandêmico aumentou muito a demanda por resgates. Ainda que não tenha um levantamento em números, ela afirma que há pedidos de ajuda todos os dias. “Contamos apenas com doações de parceiros para continuarmos dando voz àqueles que não tem voz”, disse.
Entre os diversos casos de maus tratos, um dos que mais marcou a voluntária foi o recente resgate de dois filhotes. “Eram dois irmãozinhos pretos em uma casa onde a mãe deles estava morta no fundo do quintal e os filhotes à míngua, rodeando o corpo da mãe, sendo que o dono da casa trabalha no Correio”.
“O que aconteceu na pandemia? As pessoas começaram a passar dificuldades, perderam o emprego e começaram a jogar os animais na rua, começaram a maltratar os animais. Quando uma pessoa fica irritada, desconta no animal, porque eles querem atenção, fazem bagunça. Aquela raiva passou a ser descontada nos animais com maior intensidade. O que impera é a ignorância. Tem pessoas de baixa renda que dividem sua comida com o cachorro, e tem os que possuem condições até de vacinar, e não vacina, não compra ração de qualidade, porque é avarento”, completou.
Silvana também aponta para diversos empecilhos que acabam contribuindo para a baixa taxa de resgate dos animais feita por populares. Entre os principais ele cita os altos valores para tratamentos veterinários, falta de abrigos, pouco auxílio do poder público e ausência de campanhas mais incisivas de castração e adoção.
“Existem 14 mil cães e gatos abandonados em Cuiabá. 14 mil!. É uma questão de compaixão, de ver os cães e não só olhar. É uma barbaridade. A Prefeitura de Cuiabá precisa ter políticas públicas em prol dos animais. A causa animal está unida, mas precisamos de campanhas de vacinação, não só da raiva, mas da parvo virose, cinomose e outras doenças”.
Fonte: DA REPORTAGEM – com G1-MT
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