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ADUBOS IRREGULARES: Como saber se o fertilizante entregue sofreu adulteração?
Com adoção de medidas simples e preventivas, agricultores podem evitar prejuízos
03 de Julho de 2020 as 06h 00min
Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
As 930 toneladas de cloreto de potássio já estão na fazenda do Euclásio. O agricultor vai usar o insumo para adubar os 5,8 mil hectares que vão ser semeados com soja. Ele coletou e enviou amostras de toda a carga para análise e vai repetir o procedimento com as 1,28 mil toneladas do fosfatado que ainda não foram entregues na propriedade.
A iniciativa é para ter certeza da qualidade do fertilizante. “Para ver se confere com aquilo que nós compramos. Aparentemente está tudo normal e aguardando agora só o resultado de laboratório das fórmulas se estão corretas”, comenta.
No ano passado, o agricultor foi uma das vítimas de uma quadrilha especializada em adulterar fertilizantes. A fraude gerou um prejuízo de mais de R$ 2 milhões na região. O dinheiro foi ressarcido pela revenda e o crime ainda está sendo investigado. A suspeita é de que a adulteração tenha sido feita durante o transporte da carga. Para evitar cair no mesmo golpe, fornecedor e comprador reforçaram a atenção. “Estamos olhando as embalagens para ver se todas elas estão iguais. A própria empresa, as revendas, também estão preocupadas e mandando um manualzinho das boas maneiras que o adubo deve chegar na fazenda. A gente está tomando essas precauções”, explica.
O agricultor Vinícius Baldo também foi prejudicado pela quadrilha. Recebeu mais da metade das 620 toneladas de adubo adulteradas. Ele diz que vai ficar mais atento na hora de receber o insumo este ano, o que deve ocorrer nos próximos dias. Algumas medidas de precaução já começaram na hora da compra.
“Assim que o adubo sair da fábrica a gente vai receber essa informação. Quando a gente adquiriu esse adubo a gente combinou isso. Quando o insumo chegar na nossa propriedade vamos observar lacre, bag, procedência da transportadora, do motorista. Quando descarregar, vamos observar a gronulometria, vamos fazer análise de todos os lotes assim que chegar”, afirma.
A suspeita de fraude no transporte da carga e a entrega de adubos fora do padrão também preocupam a Aprosoja. Durante a segunda safra de milho, por exemplo, a entidade coletou 330 amostras de fertilizantes entregues a agricultores em todo estado. Quase 25% foram reprovadas: apresentaram pelo menos um elemento de macro e micronutrientes abaixo do percentual mínimo tolerado. Diretor administrativo da Aprosoja, Lucas Beber diz que o resultado surpreendeu.
“Diante desse resultado assustador, cabe salientar que o produtor deve estar atento. Tem que coletar amostras de fertilizantes carga por carga e enviar para análise o mais rápido possível, para que ele possa ter o resultado antes do plantio para evitar possíveis prejuízos. Até porque, depois que o adubo foi jogado na lavoura (por mais que o produtor tenha uma amostra) fica muito mais difícil para ele provar ou brigar judicialmente”, reforça.
Gerente de sustentabilidade socioambiental da Aprosoja, Marlene Lima destaca quatro passos fundamentais que ajudam a identificar se houve algum tipo de adulteração no produto entregue no campo. Coletar amostras de toda carga e enviá-las para análise em laboratório de confiança (e em tempo hábil para ter o resultado antes do plantio); verificar detalhadamente as informações da nota fiscal do produto; conferir lacres, amarras e disposição dos bags; e observar todas as informações a respeito do frete do insumo.
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