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Afinal, quem foi Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes?
21 de Abril de 2022 as 06h 00min
Data é lembrada como feriado, mas há quem desconheça a verdadeira história de inconfidente
Joaquim José da Silva Xavier, conhecido na história como Tiradentes, foi enforcado e esquartejado no dia 21 de abril de 1792. Em 1965, foi proclamado Patrono Cívico da Nação Brasileira pela Lei 4.867 e é a única pessoa do país homenageada com um feriado na data de sua morte. Do século 18 para cá, muitas histórias se construíram ao redor da figura do mártir e da Inconfidência Mineira, revolta colonial da qual participou.
Mas o que é mentira e o que é verdade na história desse personagem histórico? Elencamos 10 afirmações recorrentes quando se fala desse momento do Brasil. E pouca coisa é real!
INCONFIDENTES LUTARAM
PELA INDEPENDÊNCIA?
Na verdade, não. Quando a Inconfidência Mineira ocorreu, no século 18, ainda não havia a mesma consciência de Brasil como nação que temos hoje. Logo, eles não buscavam libertar todos os estados brasileiros do domínio da Coroa Portuguesa. O movimento tinha motivações específicas da região das minas, e atingia no máximo os estados de São Paulo e Rio de Janeiro.
COBRANÇA DE
IMPOSTOS?
“Não se pode dizer que a cobrança de impostos foi o único motivo, isso é reducionismo. Havia um arrocho tributário, e a cobrança de impostos foi usada para exaltar os ânimos da população contra o governo. Mas não foi a causa do movimento”, explica o professor Luiz Carlos Villalta, da UFRJ.
Ainda segundo ele, o que fez as pessoas se reunirem enquanto grupo e se voltarem contra a coroa foi o fato de terem sido prejudicados política e financeiramente por uma série de motivos. Alguns deles perderam cargos políticos e a possibilidade de praticarem negócios legais e ilegais que poderiam enriquecê-los.
MOVIMENTO
SEPARATISTA?
Não! A Inconfidência teve um impacto muito importante para a história do país, mas muitas outras revoltas coloniais, até mais bem sucedidas, ocorreram. A Revolução Pernambucana de 1817, por exemplo, conseguiu instituir um governo republicano, liberdade religiosa e de imprensa, soberania popular e abolição da escravatura lenta e gradual.
Esse governo foi mantido por quase dois meses, mas foi violentamente reprimido pelo governo português. O movimento mineiro nunca passou de uma conspiração, mas por que então ganhou tanto destaque? “A Revolução Pernambucana ocorreu no Nordeste do país. Já a Inconfidência foi um movimento da elite branca de uma região que detinha grande poder econômico e sempre foi mais valorizada do que as outras”, explica Juliano Custódio Sobrinho, professor de História da Uninove.
TIRADENTES
ERA DENTISTA?
Ele “cuidava” de dentes, mas não possuía o título de dentista, até mesmo porque só há registros da palavra dentista para designar uma categoria profissional a partir de 1800, data posterior a sua morte. No século 17, os médicos se recusavam a mexer nos dentes das pessoas e quem “cuidava” dessa parte do corpo eram os barbeiros.
Mas o trabalho consistia em apenas extrair o dente, de forma bastante rudimentar e dolorosa. Foi a partir de 1631 que a Coroa Portuguesa passou a multar quem exercesse essa prática sem licença. Nesse contexto, surgiram os tira-dentes. E, ao contrário da maioria dos demais, Tiradentes não só extraía dentes como também os fabricava, com ossos de animais, e os implantava.
LÍDER DO
MOVIMENTO?
Essa é uma afirmação bastante equivocada. Apesar de ter tido um papel muito importante, nunca foi líder. “Foi ele quem levou as discussões que ocorriam em reuniões privadas para um ambiente mais público, como sítios, prostíbulos, tavernas. E como ele não era uma pessoa tão bem relacionando quanto os outros inconfidentes, era o de classe mais baixa entre eles e não pertencia ao grupo de letrados, foi usado como bode expiatório”, explica Luiz Carlos Villalta, professor do departamento de História da Universidade Federal de Minas Gerais.
SE ENTREGOU?
Ao contrário! Na verdade, ele foi entregue. Em uma espécie de delação premiada, o coronel Joaquim Silvério dos Reis, que inclusive era amigo de Tiradentes, denunciou os colegas às autoridades da Coroa Portuguesa para obter o perdão de suas dívidas.
ARTISTA
PRESENCIOU
A MORTE?
O quadro é de 1893 e seu pintor nasceu em 1843. Ou seja, Pedro Américo não só não presenciou a morte de Tiradentes como não era nem mesmo nascido quando ela ocorreu, em 1792. O pintor exaltava os sentimentos nacionalistas em suas obras, como é perceptível no famoso quadro O grito do Ipiranga.
Com o fim da monarquia, perde o cargo de pintor oficial e decide pintar uma série de quadros sobre o movimento mineiro buscando recuperar o apoio do governo. A série não aconteceu, mas o quadro Tiradentes esquartejado tornou-se uma das principais obras da história do país.
SUMIÇO DA
CABEÇA?
Pode parecer mentira, mas não é. A pena imposta a ele é chamada de punição exemplar, ou seja, deveria servir de exemplo para que outros não cometessem o mesmo erro de trair o rei. Para que isso ficasse claro para o maior número possível de pessoas, seu corpo foi esquartejado e as partes expostas em locais públicos.
A cabeça, estava exposta em uma praça da cidade de Ouro Preto, antiga Vila Rica. Durante a noite, ela simplesmente sumiu. Hoje, a praça possui o nome de Tiradentes.
ONDE ESTÁ
SEU CORPO?
O que sobrou de seu corpo foi enterrado em segredo no altar da antiga Capela de Sant'Anna de Sebolas, atual Igreja Nossa Senhora de Sant’Anna de Sebollas, que fica em Paraíba do Sul, no Rio de Janeiro.
Fonte: DA REPORTAGEM
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