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Agente Oculto

07 de Agosto de 2022 as 10h 00min

Agente Oculto leva ao extremo essa execução protocolar de história de espião. Repleto de elementos que, em uma equação matemática, fariam um bom filme, o retorno dos Irmãos Russo ao gênero que consagrou Capitão América 2: O Soldado Invernal é só uma aventura genérica e pasteurizada, cheia de rostos conhecidos.

Ryan Gosling vive o personagem-título Court Gentry, um ex-presidiário que é colocado a serviço da CIA em troca de sua liberdade. Consagrado como um dos mais eficientes agentes de campo do mundo, ele se vê envolto em uma conspiração criminosa dentro da própria agência, pouco tempo depois da aposentadoria de seu mentor, Donald Fitzroy. Caçado pelo psicótico Lloyd Hansen e outros mercenários do mundo todo, Court conta com a ajuda da espiã Dani Miranda para se salvar.

Inicialmente simples e intrigante, a história levemente adaptada do romance homônimo de Mark Greaney é feita mais complicada e didática bem rapidamente, conforme se revelam dois fatos do passado de Gentry: sua ligação com a família de Fitzroy e o motivo pelo qual ele foi preso. São só duas vezes em que os roteiristas Christopher Markus, Stephen McFeely e Joe Russo optam por trocar suspense por emoção, mas já anunciam como o filme encara como tarefa ingrata a necessidade de incluir aquele sentimentalismo de praxe.

Não funciona, é claro. Tratando como revelação o que deveria ser o coração do filme, Agente Oculto acaba não só prejudicando qualquer sentimento de surpresa como também a sua própria dramaticidade. Descartada qualquer coisa de mais densa em conteúdo, resta o espetáculo da forma, onde mais uma vez nada apresentado vai além do medíocre. Afinal, o mesmo século XXI que tornou comum a narrativa dos espiões sensíveis também esgotou a exploração da ação quando Tom Cruise se amarrou a um avião. Não à toa, Bond teve de morrer pela primeira vez em quase 60 anos para manter 007 relevante.

Diante disso, Agente Oculto poderia beber da paródia, onde filmes como Kingsman: O Serviço Secreto (2014), O Agente da U.N.C.L.E. (2015) e Atômica (2017) encontraram refúgio e razão de ser. Com mais irreverência, o filme da Netflix (mais caro de sua história) faria da escalação de Gosling e Evans em papéis trocados um trunfo, e não um erro — falta carisma para o protagonista, sobra simpatia para o vilão —, e talvez encontraria para De Armas uma função menos instrumental. Melhor ainda: se não se interessaria em promover uma humanização bem feita, quem sabe permitiria emular um pouco daquela misantropia dos espiões clássicos para promover um escapismo mais simples e eficiente.

No final das contas, entretanto, ela só é lembrada quando Wagner Moura surge ensandecido em tela, mastigando o cenário que o cerca em uma participação que seria muito mais adequada para o que Agente Oculto deveria (ou poderia) ser.

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