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ANIVERSÁRIO DE SINOP: De sertão isolado ao “local globalizado”

O contexto histórico das políticas econômicas colocou Sinop no centro econômico

11 de Setembro de 2020 as 08h 00min

Em 1970, o espaço rural passava por mudanças estruturais – FOTO: - Museu Histórico de Sinop

*TIAGO ALINOR HOISSA BENFICA

 

A colonização do norte de Mato Grosso foi realizada dentro das políticas de modernização do regime militar, que visava a expansão dos negócios capitalistas na região. Por isso, havia uma grande parceria entre políticos/militares e os grandes empresários dispostos a investir na região. O slogan da ditadura que visava incorporar a Amazônia ao espaço produtivo na ótica capitalista tinha o seguinte escopo ideológico: “ocupar para não entregar”. Nele, só não estava explícito quem seria esse “inimigo” externo que poderia ocupar a Amazônia brasileira. Certo é que isso fazia parte da Doutrina de Segurança Militar, que postulava a necessidade de, além de se combater o lendário comunismo interno, a necessidade de tornar produtivas as terras da fronteira agrícola.

Na década de 1970, o espaço rural passava por mudanças estruturais. Aos poucos o homem do campo deixava de ser aquela pessoa “da roça”, o colono, para ser tornar o empresário do agronegócio. E nesse processo, houve o “êxodo rural”, pois muitos pequenos proprietários de terras preferiram vender seus lotes e migrar para a cidade, uma vez que os preços dos produtos, no contexto geral, vinha sofrendo uma redução, devido ao aumento da produção, causado por dois fatores: a mecanização agrícola e a revolução verde.

A mecanização do campo possibilitou o acesso a tratores mais baratos, a obtenção de plantadeiras e colhedeiras, pelos proprietários mais capitalizados ou com crédito no mercado. Com isso, uma grande quantidade de braços foi dispensada da lavoura. Por exemplo, no sul do antigo Mato Grosso, mais especificamente na região de Dourados, a colheita do amendoim era feita por famílias inteiras: até aquela época (anos 1960), ter filhos era um bom investimento, era uma força a mais no momento da colheita, feita com as mãos. Na mesma região, o amendoim, na década de 1970, seria substituído pela soja, colhida mecanicamente.

A soja, ao menos em nosso país, é o símbolo da “revolução verde”. A planta asiática tomou conta do cerrado e depois adentrou à Amazônia por meio da pesquisa para adaptação das sementes, controle de pragas e da correção do solo. No decorrer dos anos, consolida-se a combinação das sementes transgênicas com o uso de agrotóxicos específicos, elevando a produção, com recordes seguidos no aumento da safra de grãos.

No entanto, para o pequeno produtor que não conseguiu se adaptar a novas culturas, com a redução do preço médio dos produtos, e o aumento do preço dos insumos agrícolas, ele sentiu-se desestimulado para a labuta, e muitos venderam suas terras. O resultado foi que, na região de Sinop, muitos lotes rurais foram comprados por fazendeiros ou empresas mais bem capitalizadas, e o latifúndio expandiu-se ainda mais. Agora, existe ainda outro efeito colateral da chamada “revolução verde”: a derrubada de florestas e a contaminação do solo e das águas pelos agrotóxicos. A cor dessa revolução é um sinal da ironia do “progresso”.

Conforme já notado em outras edições, a partir do final da década de 1960, a política econômica do regime militar mudou de orientação, após um período de contenção da inflação, que fez com que a economia brasileira recuasse, entrou em cena o INTERVENCIONISMO ESTATAL, com dinheiro muitas vezes proveniente de empréstimos tomados no exterior, alavancando grandes empreendimentos e produzindo o “milagre brasileiro”. Destaca-se, para o norte do Mato Grosso, as seguintes políticas: Criação da SUDAM; Empréstimo a empresários que rumaram à Amazônia por meio do Banco da Amazônia/BASA; Criação do PROALCOOL; Financiamentos com juros subsidiados via Banco do Brasil.

*Professor da SEDUC-MT, Escola Estadual Professora Edeli Mantovani

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