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Terça Feira, 30 de Junho de 2026

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Anomalia desconhecida causa apodrecimento de grãos de soja em MT

Mudança tem causado perdas de mais de 30 sacas por hectare

29 de Janeiro de 2022 as 06h 00min

Produtores relatam perdas com anomalia - Foto: Sindicato Rural de Sorriso

Agricultores do Médio Norte de Mato Grosso, maior região produtora de soja do estado, relatam uma grande preocupação: uma anomalia tem atingido as lavouras e causado, em alguns casos, perdas de mais de 30 sacas por hectare.

O produtor Paulo Pinto de Oliveira Neto, que plantou 1.235 hectares de soja nesta safra, relata à equipe do Projeto Soja Brasil a situação de seus talhões. “[A planta] começa a apodrecer e não morre direito, não desseca direito depois, nem com fungicida. Foram feitas quatro aplicações bem robustas com fungicidas e, mesmo assim, [a perda] foi muito severa. De 80 a 85 dias para frente, os grãos começaram a apodrecer”.

Segundo ele, o ataque severo da anomalia, cuja natureza ainda é incerta, atingiu cerca de 25% da propriedade em Vera, no médio-norte de Mato Grosso. “Tínhamos expectativa em torno de 70 a 75 sacas [por hectare] até pela qualidade e sanidade da planta no início, mas acreditamos que vamos fechar em cerca de 40 a 45 sacas. Uma lavoura com essa quantidade não paga o custo”, ressalta.

Em Sorriso, maior produtor de soja do país, com mais de 600 mil hectares cultivados nesta safra, agricultores também relatam o mesmo problema nas lavouras. Segundo o presidente do Sindicato Rural do município, Silvano Felipenetto, o primeiro caso se deu há, aproximadamente, quatro anos, pontualmente em uma lavoura na comunidade do Pontal do Verde.

“Após isso, no próximo ano, ela [a anomalia] se estendeu em mais algumas propriedades. Ano passado, escutamos falar dessa doença em 30% a 35% do município. Teve produtores que tiveram mais e outros menos, mas este ano está geral”, relata.

O grande desafio, agora, é tentar identificar os motivos da doença que tem afligido as lavouras. “Levaram para laboratório essas plantas. Existem fungos, mas são os que já estão na natureza; não tem nada de anormal, mas isso é a consequência e nós queremos saber qual é a causa”, salienta. De acordo com ele, a anomalia causa uma fissura na vagem, permitindo a entrada de água e, consequentemente, o apodrecimento do grão.

Porém, não é só isso que preocupa os produtores do estado. A quebra das hastes e o acamamento das plantas em diversos talhões também comprometem o desempenho. Para o agricultor Pablo Felipenetto, essa consequência está ligada à mesma anomalia. “A gente não sabe o que é, se é fungo ou problema fito, da própria planta. Calculamos perdas entre 20% e 25%”, relata.

O que mais tem chamado a atenção de pesquisadores é que as mesmas cultivares que estão apresentando a anomalia, se desenvolvem plenamente em outras regiões do estado. “A família tem propriedade também em outra região do estado, na região de Diamantino, e a mesma variedade plantada aqui, lá ainda não apresentou nenhum tipo de anomalia, nem aprodrecimento das vagens, nem acamamento e nem quebramento do talo”, conta Felipenetto.

VISITA DE ESPECIALISTAS

O engenheiro agrônomo e consultor Leandro Zancanaro esteve nas regiões afetadas pela anomalia com técnicos e pesquisadores da Embrapa. Ele descarta a possibilidade de o problema ser originado por uma nova doença da soja e pede cautela aos agricultores quanto à aplicação desnecessária de fungicidas. “Não é hora de o mercado tirar proveito de algo que ainda não tem o diagnóstico seguro. Talvez seja algo ligado a uma doença já conhecida, mas que é resolvida de outras formas”, declara.

De acordo com Zancanaro, o caminho é o manejo de solo. “Cuidado para não cair na onda de usar de tudo e achar que está tudo errado. Não é esse o caminho”, declara.

O Projeto Soja Brasil acompanhará os desdobramentos dos casos e, à medida em que novas descobertas surgirem, manterá seus leitores informados.

Fonte: DA REPORTAGEM

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