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Quarta Feira, 08 de Julho de 2026

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ARROZ: Embrapa lança cultivar para áreas de sequeiro

Tolerância ao acamamento e à brusone e a alta estabilidade de rendimento de grãos inteiros

18 de Agosto de 2020 as 09h 00min

Foto: Sebastião Araújo

DA REPORTAGEM

 

A Embrapa e parceiros lançaram a cultivar de arroz BRS A502, indicada para o cultivo em áreas de sequeiros em terras altas nos estados do Maranhão, Pará, Rondônia, Piauí, Goiás e Mato Grosso. A cultivar possui como destaque a tolerância ao acamamento e à brusone e a alta estabilidade de rendimento de grãos inteiros, o que permite ao produtor maior flexibilidade na colheita.

Essas características, associadas ao alto potencial produtivo e à excelente qualidade industrial e culinária de grãos, fazem da BRS A502 uma excelente opção para sistemas de produção de grãos e de renovação de pastagens. A cultivar encontra-se inscrita no Registro Nacional de Cultivares (RNC), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), sob o nº 39.138.

A cultivar BRS A 502 é uma ótima alternativa para o cultivo de arroz de terras altas, principalmente em área sob agricultura intensiva.

Para Isabela Furtini, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão que trabalha no Programa de Melhoramento Genético de Arroz, a cultivar tem apresentado excelente desempenho em solos bem corrigidos, de alta fertilidade, e também em áreas irrigadas, sob pivô central. Ela acrescenta ainda que a BRS A502 possui produtividade média de quatro toneladas por hectare, mas com potencial produtivo de até nove toneladas. “Isso demonstra o grande potencial genético da cultivar, pois, se o ambiente for favorável e existirem boas condições de manejo, altas produtividades podem ser alcançadas”, afirmou Isabela.

Guilherme Abreu, pesquisador da Embrapa Cocais, participou da condução de experimentos de Valor de Cultivo e Uso (VCU) da cultivar. Segundo ele, espera-se que essa cultivar seja amplamente utilizada em áreas de terras altas, substituindo cultivares mais antigas que possuem problemas de acamamento. O pesquisador também acredita que a nova cultivar contribuirá para o fortalecimento da cadeia produtiva do arroz de terras altas, oferecendo ao produtor mais segurança para obtenção de altas produtividades e maior rendimento de grãos inteiros por hectare, além de propiciar aos consumidores mais exigentes um produto de melhor qualidade.

O pesquisador Mábio Lacerda, da Embrapa Arroz e Feijão e especialista em manejo de sistemas agrícolas, apontou a necessidade de observar o controle de plantas daninhas para a obtenção de boas produtividades com a BRS A502. “Para a implementação dessa cultivar, devemos ficar atentos, principalmente, ao manejo correto das plantas daninhas no desenvolvimento inicial da lavoura. Esse manejo deve ser realizado, mantendo a cultura no limpo, aproximadamente, 30 dias após a semeadura. Fazendo esse manejo correto, sem a interferência das plantas daninhas, ter-se-á grandes chances de se obter êxito e boas produtividades”, destacou. Ele complementou que outro aspecto importante a ser levado em consideração pelo agricultor que for plantar a BRS A502 é em relação ao espaçamento entrelinhas. “Em nossas pesquisas, nós chegamos à conclusão que o espaçamento ideal é entre 20 a 35 centímetros”, finalizou.

Além de boas projeções para o desempenho na lavoura, a expectativa da Embrapa é que a BRS A502 traga ainda resultados bastante promissores para as cerealistas e empacotadoras de arroz. Rodrigo Sérgio, especialista de Transferência de Tecnologia da Embrapa, considera que a cultivar possui características atrativas.

“Nós já fizemos testes de indústria, em torno de 100 toneladas da BRS A502, e a aceitação foi excelente: alto rendimento de grãos inteiros; o material praticamente não apresenta gessamento, é translúcido, solto e é o mais macio do nosso portfólio. Com certeza, a qualidade dos grãos se enquadrará no gosto do consumidor como uma luva”, avaliou Rodrigo Sérgio.

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