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ARTIGO: A vitamina necessária no Brasil
01 de Julho de 2021 as 08h 22min
A pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil”, feita pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural, divulgada em setembro do ano passado, aponta que o país perdeu 4,6 milhões de leitores entre 2015 e 2019.
Tal pesquisa aponta que apenas pouco mais da metade dos brasileiros tem hábitos de leitura: 52% (ou 100,1 milhões de pessoas). O resultado é 4% menor do que o registrado em 2015, quando a porcentagem de leitores no país era de 56%.
É preocupante a forma como o Brasil lida com a educação. É justificável a exasperação do leitor e cidadão brasileiro diante à hipocrisia política, pois o incentivo à leitura é quase nulo; já a cobrança em cima de um jovem para que o mesmo tenha um pensamento abrangente e firme com afirmações ousadas e certeiras, e assim abrindo espaço no mercado de trabalho com o seu discurso bem feito, são verdadeiras panelas de pressão.
Não tem como alguém criar um argumento interessante sem que haja leitura. O Estado que diz querer bons alunos, é o mesmo que também teve o seguinte pensamento: “como a maior parte dos livros não-didáticos é comprada pela elite, por que seria má ideia propor uma taxação de livro, não é mesmo?”. Penso eu que iates não tenham taxas de juros pelo fato de até a minha pessoa ter um desses no meu quintal, mesmo sendo uma brasileira de classe média baixa.
Além disso, é de conhecimento público que a economia mostra dados alarmantes, principalmente no atual momento pandêmico, assim como o desinteresse da juventude de ir até uma biblioteca ou gastar em média uns R$ 30 em algum livro. E o mais engraçado é que essa mesma porção da sociedade prefere gastar R$ 100 ou mais em objetos supérfluos (na maioria das vezes usando o dinheiro dos responsáveis), porém não veem necessidade e não entendem as pessoas que sentem prazer na leitura.
Já me chamaram de louca quando disse que nos momentos livres que tenho, aproveito para pôr a leitura em dia, simplesmente porque gosto.
O ponto em que quero chegar é que, se não houver incentivo, não há leitura. Tem uma frase muito incitante do livro distópico “Fahrenheit 451”, escrito por Ray Bradbury, que é a seguinte: “Você não tem que queimar livros para destruir uma cultura. Apenas levar as pessoas a parar de lê-los”.
Ou seja, se uma família de renda baixa tiver que escolher entre comprar alimentos ou livros, provavelmente comprará a comida; se sobrar algum dinheiro, terá ainda a segunda opção de compra. Essas predileções se enquadram sem aquele 20% de uma possível taxação, até porque esses itens são caros. Mas todos precisamos de momentos prazerosos na vida, além disso, os livros enriquecem a alma, aumentam o vocabulário e mudam o homem.
Portanto, não se trata apenas de transcendência, mas sim de progresso e mudança na forma pela qual uma sociedade enxerga o mundo. Eu diria que a evolução para os problemas citados seria abranger (principalmente) bibliotecas públicas e sebos, divulgar e investir mais nesses locais, pois a população consegue ser inserida facilmente. Porém, a teoria nem sempre vira prática no país, o que é lamentável para a formação de identidade nacional.
BRUNA M. GALINDO É ESTUDANTE DO 3º ANO DO COLÉGIO CNEC DE SINOP
Fonte: BRUNA M. GALINDO
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