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A seca está chegando e é hora do pecuarista se preparar
12 de Março de 2026 as 10h 41min
É preciso eficiência e planejamento forrageiro – Foto: Divulgação
Costuma-se afirmar que, dentro de uma mesma área, o pecuarista administra “duas propriedades distintas”: a fazenda das águas, caracterizada pela abundância e qualidade da forragem, e a fazenda da seca, marcada pela redução tanto na produção quanto no valor nutritivo do pasto. Essa diferença é resultado da sazonalidade climática, que provoca variações significativas na oferta de forragem ao longo do ano.
O maior desafio é que o rebanho necessita de alimentação adequada e equilibrada durante todo o ano para manter bom desempenho produtivo. Para atender a essa exigência, torna-se fundamental realizar um planejamento forrageiro eficiente, especialmente com foco na prevenção da escassez de alimento no período seco.
De acordo com Hemython Nascimento, engenheiro agrônomo, doutor em Zootecnia e gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds, entre as estratégias para alimentação volumosa do gado durante o período seco, diferimento, silagem de capim e integração lavoura-pecuária se destacam como alternativas viáveis. “A escolha e a aplicação de cada técnica dependem da infraestrutura, da operação e da disponibilidade de recursos de cada fazenda”, diz.
Segundo o especialista, independentemente da estratégia escolhida pelo pecuarista, é importante que, na etapa de planejamento, seja realizado um levantamento detalhado da demanda de alimento pelos animais para o período e da quantidade de forragem disponível na área. “Desta forma, é possível calcular, por exemplo, quanto de silagem é preciso colher para fornecer aos animais na seca, ou quantos animais é possível manter nos pastos diferidos ou de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) durante o período definido”, reforça.
No contexto do planejamento forrageiro, a produção de silagem de capim pode seguir duas vertentes: aproveitamento do excedente de massa verde gerado no período chuvoso ou separação e preparação de uma área específica para esse propósito.
A colheita estratégica desse volume adicional e sua conservação na forma de silagem ou feno constituem ferramentas fundamentais para garantir a oferta de alimento volumoso durante a estação seca, período marcado pela redução na taxa de crescimento e no valor nutritivo das pastagens.
Além de assegurar regularidade no fornecimento de alimento ao rebanho, essa prática exerce papel importante no manejo estrutural do pasto, pois a remoção do excesso de forragem evita o acúmulo de colmos e material senescente, contribuindo para manter melhor relação folha:colmo, maior qualidade bromatológica e melhor eficiência de pastejo no ciclo subsequente.
“O uso dessa estratégia reduz o desperdício de forragem e a necessidade de intervenções corretivas, como roçagens para rebaixamento da área”, reforça Nascimento.
Atualmente, a silagem é o método de conservação de forragem mais adotado nas propriedades pecuárias, principalmente pela sua eficiência na preservação do valor nutricional, quando corretamente executada.
Para o sucesso na produção de silagem de capim, é indispensável atenção a parâmetros técnicos como o estádio fisiológico ideal de colheita (equilíbrio entre produtividade e valor nutritivo), o tamanho adequado de partícula para favorecer compactação e fermentação, a eficiente exclusão de oxigênio por meio de compactação adequada e, quando necessário, o uso de aditivos inoculantes que promovam fermentação lática mais estável e redução de perdas.
O diferimento de pastagens consiste na vedação estratégica de determinadas áreas ao final do período chuvoso, com o objetivo de formar um estoque de forragem a ser utilizado durante a estação seca. Trata-se de uma ferramenta de planejamento forrageiro amplamente empregada em sistemas de produção a pasto. De modo geral, a vedação deve ocorrer entre os meses de fevereiro e março, possibilitando a utilização da área diferida a partir de abril ou maio, conforme as condições climáticas regionais e a dinâmica de crescimento da forrageira.
Durante o período de vedação, o acúmulo de massa seca é influenciado pela fertilidade do solo e pela disponibilidade de nitrogênio. Assim, a adubação nitrogenada pode ser adotada como estratégia para potencializar a produção de forragem, elevando a taxa de crescimento e o volume de material disponível para o período crítico. No entanto, essa decisão deve considerar o custo do insumo, a resposta esperada da forrageira e o planejamento da taxa de lotação.
Conforme alerta o especialista, é importante destacar que nem todas as espécies ou cultivares apresentam aptidão adequada para o diferimento. Forrageiras de porte alto, especialmente cultivares de Panicum maximum (como Mombaça, Zuri, Tanzânia e Miyagui) e Andropogon spp., tendem a apresentar intenso alongamento de colmo durante o período de vedação, com redução acentuada da relação folha:colmo e do valor nutritivo. Esse padrão estrutural compromete a eficiência de colheita pelos animais, resultando em menor consumo voluntário e maior desperdício.
Por outro lado, cultivares de Urochloa (Brachiaria), como decumbens, Piatã, Marandu e Paiaguás, bem como panicuns de porte mais baixo, como Massai e Tamani, demonstram melhor adaptação ao diferimento. “Essas forrageiras apresentam colmos mais finos, menor alongamento e manutenção de melhor relação folha:colmo ao longo do período de vedação, favorecendo o consumo e o aproveitamento da forragem pelos animais na fase seca”, completa o gerente de P&D e Inovação da SBS Green Seeds.
Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA
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