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Quinta Feira, 09 de Julho de 2026

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AS RIQUEZAS DE SINOP: O agronegócio, cidade polo e seus ciclos econômicos

Muitos colonos podiam ter se sentido estimulados a comprar terras no município

09 de Setembro de 2020 as 08h 00min

Sinop Agroquímica foi fator de atração de muitos braços para Sinop – FOTO: - Museu Histórico de Sinop

*TIAGO ALINOR HOISSA BENFICA

Na primeira fase da história da cidade de Sinop, havia uma empresa que era seu símbolo. Trata-se da Sinop Agroquímica, um arrojado empreendimento à época, que visava produzir álcool por meio da mandioca. O empreendimento em si foi um fracasso, pois a tecnologia aqui instalada, embora moderna na ocasião, era pouco testada, e a fronteira agrícola não estava consolidada. O excesso de otimismo dos líderes da empresa impediu-os de fazer a seguinte reflexão: haverá disponibilidade da matéria-prima, a mandioca, para alimentar a indústria alcooleira? E financeiramente, quais seriam os demais riscos da iniciativa?

As respostas não tardaram a chegar, mas indústria nunca operou conforme fora idealizada. No entanto, ela contribuiu para a expansão de Sinop. Por exemplo, muitos trabalhadores do Paraná foram trazidos para Sinop para fazer a colheita da mandioca. Após o término do serviço, a maioria deles voltava ao estado de origem, mas levava consigo a experiência, o sentimento de ter estado em uma nova terra, a qual mostrava que, apesar do sofrimento de se viver em uma cidade com infraestrutura precária, era uma terra que não faltava emprego. E também muitos colonos podiam ter se sentido estimulados a comprar terras no município, sabedores de que teriam um comprador para a mandioca. Mas plantar mandioca provou não ser vantajoso, pois a compradora, a Sinop Agroquímica, pagava baixos preços pelo produto, e por sua vez, a indústria nunca chegou a ser lucrativa. Enfim, independente dos julgamentos, essa indústria atraiu muita gente para o município, no início da década de 1980.

A Sinop Agroquímica, pertencente ao Grupo Sinop, foi inaugurada em 1981. O Grupo contou com os incentivos do programa PROALCOOL e outros programas de desenvolvimento da Amazônia, devido à forte alta do barriu de petróleo, ocorrido na década de 1970.

As condições de moradia dos “peões” eram precárias, uma vez que muitos dormiam sob barracos de lona. Ao terminar a empreitada, a maioria voltava ao Paraná, pois aqui havia dificuldade até de se encontrar casas para alugar, e os lotes urbanos, para a população que contava apenas com o próprio salário, eram considerados caros, mesmo para a época, uma vez que a prática do crédito era bem diferente dos dias atuais. Alguns funcionários da usina eram pagos com uma espécie de vale, chamado de “orelha de jegue”, para ser trocado por mercadorias no comércio local (Entrevista Anônima, 2020).

Com o início do “ciclo do ouro” no extremo norte do Estado, a mão de obra ficou ainda mais escassa, pois muitos empregados deixaram a usina e as roças de mandioca e foram se aventurar nos garimpos. A indústria fecha as portas em 1987, tendo outras tentativas de reabertura. De todo modo, a Sinop Agroquímica foi fator de atração de muitos braços para Sinop.

*Professor da SEDUC-MT, Escola Estadual Professora Edeli Mantovani

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