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Audiência pública na Assembleia debate saúde mental materna
28 de Junho de 2024 as 18h 11min
O evento debateu a importância de ações comunitárias e políticas públicas - Foto: Helder Faria
Débora Camila de Oliveira perdeu a visão há cinco anos, mesma época em que teve seu filho Miguel. Ansiedade e medo foram alguns dos principais sentimentos que acompanharam a estudante de jornalismo no puerpério. Débora é uma das centenas de mulheres que vivem algum tipo de transtorno a partir da maternidade. Encontrar na rede pública atendimento para a saúde mental que era latente no pós-parto foi desafiador.
O assunto foi debatido em audiência pública, na Assembleia Legislativa, sob o tema da campanha "Maio furta-cor: saúde mental materna importa”, requerida pelo deputado Thiago Silva (MDB), na quinta (27).
“Eu tive muita dificuldade para amamentar meu filho. E foi um período assim muito triste, tive ansiedade e medo. Ser mãe sem a visão e vivenciar as dificuldades maternais, como medicar meu filho, trocar, foi muito desgastante. Daqui um pouco chega a fase da alfabetização, levar e buscar na escola, são coisas assim que pessoas que não têm deficiência, principalmente a visual, fazem no modo automático, mas para mim, muitas vezes, se torna um obstáculo. A minha rede de apoio é a família", destacou.
O deputado Thiago Silva lembrou que a pauta da saúde mental materna é uma de suas prioridades e por isso trouxe o debate para o Legislativo, a fim de dar ampliação e efetividade nas políticas públicas em prol desse tema. “Minha mãe foi diagnosticada com esquizofrenia logo após meu nascimento. Desde minha infância sempre foi muito difícil lidar com isso, foi meu pai quem me criou. Percebi a dificuldade dele de contar com o apoio do poder público e hoje, por meio do meu trabalho na AL, já fiz leis e ações para amparar às famílias que possuem pessoas com transtornos mentais”, contou o parlamentar.
A subprocuradora especial da mulher da AL, Francielle Brustolin, parabenizou a Casa de Leis por ter esse olhar. Ela citou a criação da Procuradoria Especial da Mulher no ano passado integrando a rede de enfrentamento de violência contra mulher. “Todas as pautas relacionadas as mulheres estão sendo amplamente debatidas nesta Casa. Conheço diversas mulheres que passaram por estágios depressivos, de melancolia no seu pós-parto e durante a maternidade. Importante saber que quando estamos cuidando da mulher, estamos cuidando da sociedade e isso é extremamente relevante, pois traz uma esperança a quem necessita”, disse Francielle.
Fonte: DA REPORTAGEM
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