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Audiência propõe amparo a menores que ficaram órfãos na pandemia
27 de Março de 2022 as 15h 35min
Debate deixou claro que o desafio de auxiliar os órfãos é gigante – Foto: JL Siqueira
A situação de crianças e adolescentes que ficaram órfãos em decorrência da Covid-19, em Mato Grosso, bem como as políticas de assistência social e financeira foram debatidas em audiência pública requerida pelo deputado estadual Valdir Barranco (PT), atendendo à pedidos da seccional mato-grossense da Associação Nacional Vida e Justiça em Apoio e Defesa dos Direitos das Vítimas da Covid-19.
O parlamentar apontou a importância de evitar uma “superinstitucionalização” desses adolescentes e crianças que perderam pai, mãe ou responsáveis para a covid-19. Segundo Barranco, esse é um dos maiores desafios deixados pela pandemia, pois estima-se que, somente no Brasil, mais de 190 mil jovens perderam os pais para a doença. Em Mato Grosso esse número chega a aproximadamente 1,4 mil órfãos pela covid.
“Nós estamos para falar desse tema, colocá-lo na sociedade, nas instâncias públicas, formular políticas públicas e desenvolver os melhores esforços para a implementação dessa política. Queremos nos somar a essa corrente nacional. E, se não tiver uma pressão social, não conseguiremos esse suporte aos jovens”, pontuou Barranco.
O deputado lembrou que a orfandade da pandemia é ocasionada por mortes que poderiam ter sido evitadas, se não fosse uma negligência do Estado brasileiro. De acordo com o parlamentar, a falta de ações de combate à pandemia e o negacionismo levaram o Brasil a ter “uma geração de órfãos”.
“Centenas de milhares de pessoas ficaram sem um pai, sem uma mãe, devido a uma doença terrível. Essa mortandade que poderia ter sido evitada. Os estados têm um papel fundamental neste momento em que é preciso dar suporte assistencial. É preciso transformar essa dor em potência”, disse.
No mesmo sentido, o promotor de justiça do Maranhão, Márcio Tadeu, também falou sobre as sequelas que serão deixadas pela doença. "Essa dor que essa crise sanitária ainda nos traz será carregada por muito tempo. Esses impactos, devido à falta de tratamento sério em relação à covid-19, serão carregados por um longo período, em especial pelos órfãos. Por isso é necessário a criação de políticas públicas pensando na problemática”, argumentou.
A audiência também contou com a presença do pesquisador em saúde pública da Fundação Oswaldo Cruz (Icict/Fiocruz), Diego Xavier, que disse não entender o motivo da alta taxa de mortalidade no estado. "É estarrecedor olhar para os números de um estado rico que se orgulha e vangloria de bater recordes de produção, principalmente agropecuária, mas quando nós olhamos a taxa de óbito a gente vê que não é bem assim. Mato Grosso é o segundo do país, com 412 óbitos por 100 mil habitantes, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro. É um fato difícil de entender”, salientou
Barranco finalizou a audiência reafirmando o compromisso de encaminhar todas as demandas e cobrar e unir todos os poderes do Estado para elaborarmos programas de assistências para esses órfãos.
Fonte: DA REPORTAGEM
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