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A Vizinha da Mulher da Janela é a repete de uma mesma piada

06 de Fevereiro de 2022 as 09h 02min

Paródia escrachada, minissérie não consegue encontrar o tom – Foto: Divulgação

Existem alguns filmes que, de tão atrozes, parecem ter sido aprovados apenas para virar motivo de chacota depois. Um dos títulos mais recentes que se enquadra na descrição é A Mulher da Janela, thriller de Joe Wright estrelado por Amy Adams.

Tão esquemático quanto redundante, a produção sobre uma mulher agorafóbica que presencia um assassinato chegou com ambições demais e se levando tão a sério — a ponto de fazer com que o público evitasse abraçar o mote “tão ruim que é bom” para classificar o filme. Já para A Vizinha da Mulher da Janela, estreia da Netflix, a intenção é justamente essa: ser taxada como uma grande piada.

Criada por Larry Dorf, Rachel Ramras e Hugh Davidson (trio por trás de Nobodies, comédia cheia de metarreferências que satiriza Hollywood), A Vizinha da Mulher da Janela luta para ser a paródia ideal do filme de Wright. Estrelada por Kristen Bell, a minissérie gira em torno de Anna Whitaker, uma artista lamentando a morte de sua filha de oito anos, tragédia que também culminou com o fim de seu casamento. Sofrendo “ombrofobia” (um fictício medo de chuvas), ela passa o resto dos seus dias misturando vinhos e antidepressivos, o que lhe causa alucinações. Em um desses episódios, ela acredita ter testemunhado o assassinato de sua vizinha.

E a partir desse ponto, muito semelhante à trama do filme, a minissérie começa a girar em ritmo desenfreado. Sabendo que a produção é uma paródia escrachada do filme estrelado por Amy Adams, há um interesse mordaz de tentar encontrar humor por meio da exacerbação de situações e interações entre personagens, como se estivéssemos assistindo a uma versão live-action de alguma animação de Seth McFarlane (criador de Uma Família da Pesada e Ted). Tudo é muito exagerado para deixar demarcado que é intencional a galhofa.

Contudo, essa repetição incessante de fórmulas e chavões atrapalha a produção de encontrar um ritmo orgânico de comédia. Sabe quando você ouve a mesma piada sem graça mais de uma vez? Exatamente. E não é como se paródias absurdas não tivessem chance de sucesso, afinal de contas, carreiras inteiras de comediantes foram feitas em cima disso, de Mel Brooks aos irmãos Wayans. Só que a diferença entre o humor de A Vizinha da Mulher da Janela e títulos como Todo Mundo em Pânico e As Branquelas está no exagero de ambas — convincente nas produções dos irmãos comediantes, mas ineficaz na minissérie da Netflix.

O pior de tudo é saber quão desperdiçada Bell está na produção. Com um leque de personagens coadjuvantes totalmente insípidos, cabe à estrela de The Good Place encontrar o tom certo entre a paródia absurda e o dramalhão camp. Existem algumas piadas genuinamente engraçadas ao longo dos oito episódios (basicamente tudo que envolve a morte da filha da personagem principal e as narrações de Anna), mas nada que parece contar com planejamento ou inteligência.

Deixando de lado os problemas com o timing cômico — ou a falta dele — a trama não se aproveita nem do “mistério” para engajar o público. É tudo muito ridículo, mas nunca de uma forma divertida. Quanto à sua conclusão, a série oferece uma saída satisfatória para explicar as maluquices da vida da protagonista (e ainda conta com uma aparição surpresa, e maravilhosa, de Glenn Close) e se debruçar sobre a identidade do tal assassino da vizinha. É a única parte dos oito episódios que vale a pena. O problema é ter que aguentar sete outros capítulos para chegar ao fim. Simplesmente uma jornada que não compensa.

Fonte: DA REPORTAGEM

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