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Beber água quente de manhã faz bem? Entenda o novo viral das redes sociais
16 de Abril de 2026 as 17h 41min
Vídeos no TikTok e no Instagram sob as hashtags “newly Chinese” e “Chinamaxxing” acumulam milhões de visualizações ao mostrar jovens adotando hábitos ancestrais.
O principal deles é simples: substituir o café ou sucos gelados por um copo de água morna logo ao acordar.
A prática, embora nova no Ocidente, é um pilar da medicina tradicional chinesa (MTC) e do ayurveda há milênios. O objetivo central é a preservação do Qi (energia vital). Segundo explicou o pesquisador Shun Au à BBC Brasil, o corpo funciona como uma casa, e consumir itens gelados seria como deixar correntes de ar frio atravessarem o ambiente, causando desequilíbrios e doenças.
Embora a tendência tenha ganhado força por promessas de “detox” e aceleração do metabolismo, médicos pedem cautela com as expectativas. A ciência moderna valida alguns pontos, mas descarta outros: Digestão: beber água morna (entre 40°C e 60°C) pode oferecer benefícios marginais na digestão e ajudar a evitar a prisão de ventre. Espasmos: há evidências de que o líquido aquecido auxilie no alívio de espasmos no esôfago. Hidratação: no fim do dia, o benefício real vem da hidratação, seja a água quente ou fria. Mitos: especialistas consultados pela BBC Brasil reforçam que não existem provas de que a água quente queime gordura ou seja um “atalho metabólico”.
O interesse das gerações mais jovens por essas práticas reflete uma queda na confiança na medicina convencional e a busca por abordagens mais baratas e personalizadas. Dados citados pela BBC Brasil indicam que a confiança em hospitais nos EUA caiu de 70% em 2020 para 40% em 2024.
Além do copo de água, o movimento “Chinamaxxing” promove: Desjejuns quentes: refeições cozidas que, nutricionalmente, podem ser mais completas que cereais ultraprocessados. Exercícios suaves: práticas como Tai Chi Chuan e Qigong, que comprovadamente reduzem o estresse e melhoram a mobilidade. Rituais de desaceleração: o hábito cria um momento de pausa em um cotidiano acelerado, o que traz benefícios psicológicos claros.
A Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de seu centro de medicina tradicional, monitora essas práticas, mas ressalta que ainda falta financiamento para pesquisas robustas na área – menos de 1% do investimento global em saúde é destinado a estudos de medicinas tradicionais.
A recomendação para quem deseja aderir à moda é manter a temperatura da água moderada para evitar queimaduras e, em caso de condições de saúde preexistentes, consultar um médico antes de substituir tratamentos convencionais por práticas integrativas.
Fonte: DA REPORTAGEM
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