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Boa Sorte, Leo Grande

03 de Agosto de 2022 as 12h 00min

Acostumados com a escala inflacionada dos blockbusters, críticos e espectadores casuais são igualmente culpados de, ao verem um filme baseado em diálogos, com poucos personagens ou locações, ou uma abordagem mais “pé-no-chão” da própria trama, tratarem isso como um valor em si.
Boa Sorte, Leo Grande desafia essa polarização.

O filme de Sophie Hyde se passa largamente em um só cenário (um quarto de hotel), e é baseado quase inteiramente na interação entre dois personagens (uma viúva e o garoto de programa que ela contrata) no decorrer de vários encontros entre eles. Cada detalhe de como este longa foi feito, no entanto, não só salta aos olhos como também atiça a mente.

Por exemplo: responsável por fotografia e montagem, Bryan Mason faz do filme um pedaço de cinema cintilante. Ele enquadra seus astros Emma Thompson e Daryl McCormack em iluminação ampla e dourada, habilidosamente utilizando a janela do quarto de hotel como ferramenta visual e narrativa, que representa tanto o recorte desses personagens, vistos em seus momentos enclausurados, pelo mundo lá fora, como uma forma de mostrar suas silhuetas dançando ao redor uma da outra no jogo ético, retórico e sensual de seus encontros.

Outros trabalhos técnicos se sobressaem, adicionando detalhes rimados que fazem de Boa Sorte, Leo Grande uma experiência muito mais rica do que a simplicidade de sua trama levaria a crer. O figurino de Sian Jenkins encontra formas engenhosas de nos dizer quem são esses personagens, e em que medida eles estão atuando ou sendo autênticos consigo mesmos.

O filme argumenta pela legalização do trabalho sexual, por exemplo, mas reconhece a realidade de abuso que subsiste por trás dele. Desenha a jornada de empoderamento físico, sexual e emocional de sua protagonista feminina, de seu encontro com a própria autonomia, mas não sente a necessidade de cancelar a importância da conexão humana para que esse processo aconteça. Boa Sorte, Leo Grande entende que o mundo é complicado, e seres humanos mais ainda, mas postula que a única forma de navegá-lo de forma saudável é com a ajuda um do outro.

No fim das contas, todos esses detalhes servem à história, e é assim mesmo que deveria ser. O texto é, por si só, uma preciosidade, tão agudamente sintonizado às considerações contemporâneas por trás da situação que retrata quanto à realidade imediata dos personagens que cria. É um filme audaciosamente adulto, capaz de abordar realidades políticas complexas e frequentemente contraditórias sem sacrificar nem sua complexidade nem suas contradições.

Fonte: DA REPORTAGEM

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