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Quinta Feira, 25 de Junho de 2026

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Como o Flamengo abriu espaço no orçamento para as contratações

Com pouco investimento para o ano, clube fez o dever de casa e reduziu custos

09 de Outubro de 2021 as 09h 00min

Clube só avançou em reforços após superar metas de receita – Foto: Divulgação

No primeiro semestre de 2021, o Flamengo trouxe apenas o zagueiro Bruno Viana, por empréstimo, como reforço. Num momento de restrições orçamentárias, com o recrudescimento da pandemia e sem previsão para a volta de público aos estádios, o clube decidiu apertar os cintos e evitar contratações para atravessar o ano de forma financeiramente tranquila. Até que, entre agosto e setembro, voltou ao mercado: trouxe três reforços internacionais em Andreas Pereira, Kenedy e David Luiz.

Os números mostrados na revisão orçamentária aprovada nesta semana ajudam a explicar como o Flamengo conseguiu abrir espaço e mudar de postura no mercado no segundo semestre.

A diretoria só se permitiu avançar para trazer reforços - ainda que com investimento menor, posto que nenhuma das negociações demandou compra de direitos - após superar metas em duas importantes linhas de receita: o futebol, com vendas de jogadores, e o marketing.

Se o orçamento no início do ano previa uma receita de R$ 167 milhões em vendas de jogadores, o departamento de futebol superou de longe a meta: mesmo num momento de pandemia, com valores de transferência de atletas menores em todo mundo, conseguiu R$ 270 milhões, uma quantia que ajudou, inclusive, a cobrir o prejuízo com bilheteria na temporada.

A lista de jogadores negociados é puxada por Gerson, titular absoluto até então, e promessas como Rodrigo Muniz e Yuri César. O valor arrecadado superou, inclusive, o de 2020, e se aproximou de 2019, num período pré-pandemia.

Além da receita com as vendas, o departamento de futebol também precisou controlar custos - um exemplo foi a decisão de não contratar no início do ano, para que fosse possível reduzir a folha salarial. Com as despesas em linha durante a temporada, foi possível abrir espaço para as contratações do segundo semestre.

Outro fator foi o marketing. O clube estimava receber R$ 189 milhões entre patrocínios, publicidade e royalties. Com o futebol em alta, o departamento conseguiu aproveitar e captou parceiros importantes - o último exemplo foi o acordo de fan token, que vai render ao clube, somente em 2021, cerca de R$ 16 milhões. Ao todo, a nova estimativa da diretoria é de receita de R$ 214 milhões na pasta.

Com o aumento de receitas e o controle de gastos ao longo do ano, foi possível se planejar para novas contratações. Ainda assim, o Flamengo buscou negócios que não envolvessem investimento em direitos econômicos, pelo menos em 2021. Veja os detalhes:

- David Luiz chegou livre, sem pagamento de luvas;

- Kenedy foi emprestado pelo Chelsea, com o Flamengo pagando R$ 3 milhões somente em 2022. A opção de compra é de cerca de 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 63 milhões na cotação atual);

- Andreas Pereira foi emprestado pelo Manchester United.

O Flamengo não desembolsou quantia pelo empréstimo, e parte do custo anual do meia é paga pelo clube inglês. A opção de compra gira em torno de 20 milhões de euros (cerca de R$ 127 milhões).

O valor das opções de compra remete a um período pré-pandemia do Flamengo, quando o clube teve capacidade financeira para fazer grandes investimentos no elenco, como nas contratações de Gabigol, Arrascaeta e Pedro, por exemplo.

Com o retorno gradual de público aos estádios, a expectativa é de que as receitas de bilheteria melhorem em 2022 - o que, somado com o trabalho realizado em 2021, preservará o potencial econômico rubro-negro.

Fonte: DA REPORTAGEM

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