Olá! Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo. Ao utilizar este site, você concorda com o uso de cookies.

Quarta Feira, 08 de Abril de 2026

Noticias

Crônicas de uma pandemia: o demônio das 11 horas

28 de Julho de 2021 as 06h 00min

Chamava-se Nonato Silas, era assistente de cozinha de um tradicional restaurante italiano, vivia só em uma pensão, um velho casarão no centro velho da cidade. Na rua ao lado da pensão, era tomada por prostitutas, altas, novas, galegas, negras, malhadas, gordas, velhas de guerra, enfim, havia mulheres para todos os gostos e taras.
Quando saia do restaurante, Nonato aproveitava para vender quentinhas, lanches e quitutes. Nesse pequeno comércio, acabou se enamorando por Maricleíde, conhecida nas ruas como Mari Filé de Bunda.
Na cidade, uma série de crimes em série assusta toda a cidade, e repercute em todo o país. A imprensa apelidou o assassino de “O Demônio das onze horas”, pois os crimes acontecem nesse horário, e estão relacionados à mística do número 11.
Já na cama com Mari, depois de uma longa noite de trabalho na rua, Nonato gargalhava das manchetes do noticiário televisivo, pois noticiavam que a polícia não tinham pistas, e a imprensa entrevistava videntes que falavam todo tipo de bobagens.
- Por que está rindo Nonato? Perguntou Mari.
- Olha, a tonteira da polícia não tem a menor ideia do autor desses crimes, e esse imprensa que montou um circo, não consegue ligar os fatos envolvendo os crimes, ou melhor, esses justiçamentos.
Mari veste um roupão, senta-se na cama, ascende um cigarro barato. Olha desorientada para o amante, seus pensamentos são nebulosos, uma mistura do cansaço dos programas, e das estranhas afirmações do Nonato.
- Mas explica Nonato, por que tá chamando de justiçamento, esses crimes horríveis?
O auxiliar de cozinha enche um copo com vinho, começa a andar pelo pequeno quarto, olha maliciosamente para Mari, gargalha novamente, e começa a dar suas considerações sobre o assassino e seus crimes.
- Entenda a beleza dos atos desse justiceiro. Primeiro ele matou um advogado famoso, que apenas defendia políticos corruptos, e membros de uma facção criminosa que atua dentro e fora dos presídios, foram onze facadas, um para cada crime desse imoral.
- Teve aquele político, sabe, que se achava espertalhão, que era acusado de desviar verbas das vacinas na cidade, e dizia que a Covid era só uma gripizinha. Foi achado picado em onze pedaços, hahahaha.
Mari, pondera, diz que entende as motivações do Demônio das Onze Horas, mas não concorda com seus métodos, e diz que suas últimas vítimas não explicação. Pois foi morto um senhorzinho, e um travesti, aqui da rua ao lado.
Nonato muda a expressão facial, diz que tudo está ligado ao número sagrado onze. Revela na verdade foram onze os discípulos do Mestre, uma vez que Judas era um traidor, e nunca foi um real seguidor. Olha com raiva para Mari, e revela que ele é o Demônio das Onze Horas.
Mari começa a chorar, teme por sua vida, amaldiçoa o dia que conheceu Nonato. O psicopata revela que o tal senhorzinho era um torturador na ditadura, e pagou pelos crimes que cometeu. Já o Travesti, ele matou porque recebeu repetidas cantadas enquanto vendia as quentinhas.
Enquanto o Demônio falava da mística do onze, Mari pega sua pequena pistola de sua bolsa, atira onze vezes em Nonato, às onze da noite, no dia onze de novembro.
Rorschach: “Deus não faz o mundo como é. Nós fizemos assim”.

EDUARDO FACIROLLI É FILÓSOFO

Fonte: EDUARDO FACIROLLI

Veja Mais

Polícia Civil reconhece apoio da CDL na implementação da DRACO

Publicado em 07 de Abril de 2026 ás 12h 23min


Pivetta anuncia coronel Susane Tamanho na SESP

Publicado em 07 de Abril de 2026 ás 11h 25min


Kits de apicultura reforçam segurança e impulsionam produção de mel em Lucas

Publicado em 07 de Abril de 2026 ás 10h 22min


Jornal Online

Edição nº1773 - 08/04/2026