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Crônicas de uma pandemia: um samba para Albert Einstein
01 de Outubro de 2021 as 18h 26min
O sol brilhava com vigor, a praça da matriz era quase minha casa, de manhãzinha eu entregava o jornal para o Padre Nunes.
Depois corria para varrer a padaria do português, que sempre me deixava comer os doces mais gostosos, sonhos, bombas de chocolate. Logo depois, embaixo da velha figueira, esperava meus clientes, sim, eu era engraxate.
Quase meio-dia, apenas cinco clientes até aquele horário. Ao longe o vi, de terno e gravata, cabelo todo desarrumado, caminhando e escrevendo.
- Bom dia, Doutor, vamos engraxar seus sapatos? O estranho homem me olha com curiosidade.
- Guten Morgen, eu falar pouco sua língua, meu nome é Doutor Albert Einstein.
Ri muito com o sotaque do estrangeiro, parecia perdido, mapa na mão, uma maletinha na outra, sempre olhando ao redor.
- Olha, seu Einstein, de onde você é? Perguntei com um misto de curiosidade e riso.
- Sou do Nordeste, Nordeste da Europa, Alemanha. Tive que deixar meu belo país, pois um louco e seus assassinos tomaram tudo.
Não entendi bem, achava que só no Brasil tinha Nordeste, mas parece que tem em tudo que é lugar. Perguntei por que deixaram um louco mandar em tudo.
- Olha, meu pequeno amigo, por medo, ignorância, mentiras e ódio. As pessoas fazem coisas feias, tomam decisões erradas. Foi assim que um maldito chamado Hitler tomou o poder no meu país.
- Engraçado, hoje de manhã escutei esse nome, dois homens de cara feia passaram por aqui, tinham uma faixa vermelha no braço, com uma cruz estranha, mostraram uma foto sua, tentaram falar comigo, mas não entendia nada.
Dito isto, Einstein começou a tremer, disse palavras estranhas e caiu no chão igual manga verde. Corri e chamei Padre Nunes, que levou ele para a Igreja Matriz, e aos cuidados da Beata Gulosa, depois de algumas horas, o Doutor acordou.
Beata Gulosa, era uma figura rara, mineira de nascença, perdeu-se na vida quando moça, pulou de cabaré em cabaré. Dona de uma pela cor de jambo, imensos olhos verdes, corpo de violão. Padre Nunes conta que um dia a encontrou nua na escadaria da igreja, e com ajuda do noviço Guma, a vestiram, alimentaram, e desde então ela vive na paróquia.
- Mein Engel, morri e estou no céu? Disse Einstein ao ver a beleza angelical de Dona Gulosa. Deitado em seu colo, contou que fugiu da Alemanha, pois os nazistas, como são conhecidos os partidários de Hitler, o estavam perseguindo, pois seu povo, os judeus, eram caçados, presos e mortos.
Dona Gulosa disse que ali ele estava seguro, e que tudo na vida é relativo e passageiro, como o tempo, pois cada pessoa o percebe e sente de modo diferente, pois depende de cada um, do espaço em que se está. E se ela pudesse, viajaria rápida como a luz, levando o Doutor para bem longe.
Ditas aquelas palavras, Einstein pulou do colo da beata, beijou-a na boca, gritou Eureka, abriu a maleta, e começou a escrever como louco. Escreveu por seis dias e seis noites, no sétimo descansou, partindo para a América do Norte. Alguns anos depois vi sua foto no Jornal, ele tinha ganhado um prêmio, um tal de Nobel, por escrever um livro chamado “Teoria da Relatividade”.
Albert Einstein: “A imaginação é mais importante que o conhecimento”.
EDUARDO FACIROLLI É FILÓSOFO
Fonte: EDUARDO FACIROLLI
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