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Quarta Feira, 12 de Agosto de 2026

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Dívidas no agro devem manter aquecido mercado de reestruturação empresarial

12 de Agosto de 2026 as 10h 40min

Mecanismos jurídicos para preservar empresas economicamente viáveis – Foto: Assessoria

O agronegócio brasileiro segue registrando níveis elevados de recuperação judicial em 2026, chegando a marca de 194 pedidos já no primeiro trimestre. O dado reflete a continuidade da pressão financeira sobre produtores rurais e empresas da cadeia agroindustrial.

Depois de encerrar 2025 com 1.990 solicitações, o maior volume da série histórica da Serasa Experian e um crescimento de 56,4% em relação ao ano anterior, os indicadores deste ano mostram que o movimento permanece intenso. 

Para o advogado especialista em Direito Empresarial Filipe Denki, o dado evidencia que, embora o setor continue registrando safras recordes e mantendo o bom desempenho das exportações, produtores rurais e empresas da cadeia agroindustrial enfrentam uma crise de liquidez impulsionada pelo aumento do custo do crédito, alta dos insumos e redução das margens de rentabilidade. Segundo ele, a tendência é que o mercado de reestruturação empresarial continue aquecido nos próximos meses, impulsionado pela necessidade de reorganização financeira de empresas que permanecem economicamente viáveis.

Crise financeira avança mesmo com bons resultados no campo

A boa performance da produção agrícola não tem sido suficiente para proteger o caixa das empresas do setor. Levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta que cerca de R$ 256 bilhões da carteira de crédito agropecuário já são considerados problemáticos, dentro de um estoque de aproximadamente R$ 1,2 trilhão em operações de crédito rural.

“O aumento de 56,4% nos pedidos de recuperação judicial em apenas um ano demonstra que a crise enfrentada pelo agronegócio deixou de ser pontual e passou a ter caráter estrutural. O produtor continua produzindo, exportando e movimentando a economia brasileira, mas enfrenta um ambiente financeiro muito mais adverso do que aquele em que grande parte dessas dívidas foi contratada. O problema hoje não é falta de produção, mas a dificuldade de transformar essa produção em capacidade de pagamento”, avalia o especialista.

CRÉDITO MAIS CARO

Além do encarecimento do crédito, outro fator que contribuiu para agravar o cenário foi a redução da cobertura do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR).

“O produtor administra riscos climáticos, financeiros e de mercado simultaneamente. Quando o seguro rural cobre apenas uma pequena parcela da produção e o crédito fica mais caro, qualquer perda de produtividade ou oscilação de preços compromete diretamente a capacidade de pagamento. É justamente nesse cenário que mecanismos de reestruturação financeira passam a ser fundamentais para garantir a continuidade das atividades”, afirma Denki.

O aumento das recuperações judiciais também revela uma mudança de comportamento no meio empresarial. Segundo o especialista em Direito Empresarial Filipe Denki, a recuperação judicial deixou de ser encarada como um mecanismo destinado apenas a empresas sem perspectiva de continuidade.

“O crescimento dos pedidos de recuperação judicial não significa, necessariamente, que o agronegócio esteja quebrando. Na verdade, demonstra uma mudança importante de mentalidade. Cada vez mais empresários compreendem que a recuperação judicial é uma ferramenta de reorganização financeira capaz de preservar empresas viáveis, manter empregos, renegociar dívidas e garantir a continuidade da produção”, explica.

Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA

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