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Daniel Alves no São Paulo: do sonho à dívida milionária
Não restaram grandes lembranças naquela que deveria ter sido uma história de amor
15 de Setembro de 2021 as 08h 30min
Daniel Alves apresentado pelo São Paulo no Morumbi — Foto: Marcos Ribolli
“Agora é 2019, e eu poderia ter escolhido qualquer lugar para jogar, mas escolhi voltar para o Brasil, pelo meu país, pelo meu povo, pelo meu clube de coração. É irreal, mas estou aqui”.
As palavras acima foram ditas por Daniel Alves no dia 1º de agosto de 2019. A data marcou o anúncio do lateral-direito como reforço do São Paulo. O discurso do jogador deixava claro que aquele momento era especial.
Dois anos se passaram, e o que parecia um sonho perfeito de três anos e meio terminou como um pesadelo. Na última sexta-feira, a diretoria são-paulina anunciou que Daniel Alves não irá mais jogar pelo clube após ele ter se recusado a treinar sob a alegação de que só retornaria depois que uma dívida de R$ 18 milhões fosse paga.
A decisão não foi surpreendente para quem acompanha o dia a dia do clube. A situação de Daniel Alves no Tricolor era praticamente insustentável com os diretores e, principalmente, com a torcida.
A apresentação de Daniel Alves em 2019, com mais de 44 mil pessoas no Morumbi só para ver o jogador, foi um dos raros momentos de sinergia entre o camisa 10 e o clube. O que viria depois não deixaria grandes lembranças.
Após a apresentação de gala, com direito a entrevista coletiva no salão nobre do Morumbi (algo muito raro), o lateral-direito estreou no meio-campo no dia 18 de agosto com direito a gol da vitória contra o Ceará, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro. A estreia encheu o torcedor de esperança. Naquele momento, imaginou-se que Daniel Alves seria o dono do meio de campo tricolor – o jogador pediu para sair da lateral e atuar como meia.
Mas depois disso o que se viu foi um Daniel Alves entre altos e baixos, conseguindo apenas alguns lampejos com assistências e lances de efeito. O segundo gol dele, por exemplo, foi sair apenas em novembro de 2019, em empate por 1 a 1 contra o Santos.
Naquele mesmo mês, Daniel Alves recebeu as primeiras cobranças de parte da torcida após uma derrota em casa para o Athletico, pelo Brasileirão. Começava ali uma relação conturbada que jamais seria reatada.
O grande estopim para o racha aconteceu em 21 de setembro de 2020, no famoso caso da batucada. O camisa 10 postou vídeos em suas redes sociais onde aparecia com um tantã. Ele tocava no instrumento musical com a mão direita, a mesma que o tirou da viagem ao Equador para o jogo contra a LDU, pela Libertadores. O meia se recuperava de uma fratura justamente no antebraço direito.
A temporada de 2020 terminou sem títulos e com um clima péssimo na relação clube/jogador. Foi neste ano, inclusive, que o grande problema começou.
DÍVIDA
Daniel Alves assinou contrato com um salário de R$ 1,5 milhão. O valor era considerado fora da realidade para o futebol brasileiro, ainda mais para um clube que passava (e ainda passa) por grave crise financeira. A ideia da gestão de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, era arrumar parceiros e fazer um grande marketing em torno de Daniel Alves para conseguir arcar com as altas despesas. Além disso, contavam com o fato de ele ter saído de graça do PSG.
No entanto, essa expectativa nunca se confirmou, e o São Paulo se viu mergulhado sozinho na dívida com o jogador. Em um primeiro momento, até houve o pagamento em dia, mas a crise se agravou com a pandemia. Em março de 2020, o futebol no mundo foi paralisado devido ao vírus, e a grande maioria dos clubes precisou se readequar à realidade. No caso do São Paulo, os salários foram cortados em 50% com a promessa de que os vencimentos seriam repostos a partir de 2021.
A partir dali, o que se formou foi uma grande bola de neve em torno dos salários de todos os atletas e, principalmente, de Daniel Alves, já que tem os maiores vencimentos do elenco. A nova gestão, presidida por Julio Casares, assumiu o clube no primeiro dia de 2021 com a esperança de apaziguar a situação e conseguir honrar com os pagamentos, mas isso não foi possível. Com uma dívida de mais de R$ 600 milhões, o São Paulo viu seu débito com o jogador chegar a R$ 18 milhões.
O discurso mais duro do jogador veio após a conquista dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Ao ganhar a medalha de ouro com a Seleção em uma convocação que causou mais ira nos torcedores, Daniel Alves afirmou que o São Paulo havia falhado com ele em várias ocasiões.
“O São Paulo falhou muito comigo, e era um momento que eu tinha de escolher pelo São Paulo e por defender meu país, e sempre vou representar meu país e por tabela representar o time. As pessoas falam porque não conhecem minha dedicação, entrega e respeito com o São Paulo, sendo que o São Paulo muitas vezes falhou comigo, e eu não falho com o São Paulo”, disse.
A fala causou descontentamento na diretoria e encerrou de vez a pouca relação afetiva que ele tinha com o torcedor. O São Paulo tentou abafar o caso para não dar ainda mais repercussão, mas o sentimento no clube é de que já não havia mais saída a não ser cada um seguir seu caminho.
O FIM
A ruptura, no entanto, não era esperada tão imediatamente. Depois do episódio da Olimpíada, o São Paulo passou a procurar uma maneira de fazer um acordo para pagar esses atrasados e planejava uma rescisão amigável ao fim da temporada.
Junto com a seleção brasileira nas últimas duas semanas, o jogador era esperado no CT da Barra Funda na sexta, com Miranda. No entanto, somente o zagueiro compareceu. A diretoria, então, entrou em contato com o representante do jogador, que informou que Daniel Alves só iria retornar ao clube após o pagamento dos atrasados.
Para o São Paulo, não tinha mais volta. Diante da postura do jogador e dos seus representantes, o diretor de futebol Carlos Belmonte foi a público para declarar que mesmo após o pagamento da dívida, Daniel Alves não faria mais parte do elenco.
A rescisão de contrato ainda não foi assinada. Clube e jogador agora tentam um acordo de forma amigável – e que isso seja feito da maneira mais rápida possível para que eles fiquem livres um do outro. O vínculo vai até dezembro de 2022. A passagem de Daniel Alves termina com 95 jogos, 10 gols, um título do Paulistão e muitas mágoas para ambos os lados.
Fonte: DA REPORTAGEM
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