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Deputados intensificam pressão contra renovação automática da Energisa em MT
31 de Dezembro de 2025 as 08h 45min
Relatório aponta falhas estruturais no fornecimento de energia – Foto: Assessoria
Deputados estaduais de Mato Grosso intensificaram a pressão contra a renovação automática da concessão da Energisa. O movimento ganhou força após audiências públicas e a construção de um dossiê que será entregue ao Ministério de Minas e Energia. O relatório aponta falhas
estruturais no fornecimento de energia e defende mudanças profundas no modelo atual. A decisão final cabe ao governo federal e deve ser tomada até junho de 2026.
O movimento liderado pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso no debate sobre a concessão da Energisa representa um passo relevante e necessário. Ao longo de oito audiências públicas, realizadas em diferentes regiões do estado, os deputados reuniram dados, ouviram especialistas, entidades representativas e, sobretudo, a população que convive diariamente com falhas no fornecimento de energia elétrica.
O resultado é um dossiê robusto, que expõe gargalos históricos e fragilidades ainda não superadas pela concessionária. Esse trabalho institucional merece reconhecimento. A atuação unificada do Parlamento, com a
participação de diferentes partidos e correntes políticas, confere peso político ao debate e rompe com a lógica de decisões tomadas apenas em gabinetes técnicos, distantes da realidade enfrentada por indústrias, produtores rurais, comerciantes e consumidores residenciais.
No entanto, é preciso ir além. A mobilização da Assembleia, por si só, não garante a mudança necessária. A sinalização do governo federal de renovar a concessão por mais 30 anos, respaldada por parecer da Aneel, mostra que interesses regulatórios e institucionais já estão em
movimento. É justamente nesse ponto que a pressão política e social se torna decisiva. Seja para impedir uma renovação automática, seja para forçar a abertura de uma nova licitação, o debate precisa envolver também a opinião pública. Sem cobrança contínua da sociedade, o risco é repetir um ciclo conhecido: contratos longos, cláusulas pouco rigorosas e penalidades que raramente se traduzem em melhorias efetivas no serviço.
Caso a renovação não seja barrada e um novo contrato venha a ser firmado — seja com a atual concessionária ou com uma nova empresa — o ponto central não pode ser apenas o nome da operadora, mas a qualidade das regras estabelecidas. O Estado de Mato Grosso não pode continuar refém de arbitrariedades, de promessas futuras ou de investimentos que nunca chegam no ritmo exigido pelo crescimento econômico e populacional.
É fundamental que o novo modelo preveja metas claras, prazos objetivos e mecanismos de fiscalização eficientes, com sanções reais e imediatas em caso de descumprimento. Se a entrega não for feita a contento, a concessionária precisa ser obrigada a corrigir falhas rapidamente, sob pena de multas severas ou até perda do contrato.
O debate aberto pela Assembleia é um marco importante, mas ele só cumprirá seu papel se resultar em mudanças concretas. Energia elétrica não é favor, é serviço essencial. E um estado que cresce como Mato Grosso não pode aceitar menos do que um fornecimento estável, acessível e à altura de sua realidade.
Fonte: DA REPORTAGEM
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