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DIÁRIO EXPLICA: quais as diferenças entre distanciamento social, lockdown, quarentena?
Em ordem de menor para maior isolamento imposto: distanciamento social seletivo, distanciamento social ampliado e bloqueio total
25 de Junho de 2020 as 06h 03min
Algumas cidades de Mato Grosso já instituíram o lockdown, a exemplo de Cáceres, e outras, como Cuiabá e Várzea Grande, estão em pé de acolher determinações judiciais para que o mesmo seja feito. Em Sinop, há uma grande tendência de isso acontecer também em virtude do exponencial aumento no número de casos de Covid-19, causada pelo novo coronavírus.
Mas com tantas determinações, alterações de decreto, abre-e-fecha o tempo todo, as pessoas ficam confusas sobre o que podem e o que não podem fazer. Você sabe quais as diferenças entre os termos lockdown, quarentena e distanciamento social? Diante desta dúvida, o Diário do Estado MT esclarece.
Para explicá-los, a médica infectologista Rubia Miossi fala dos 3 conceitos que vêm sendo oficialmente adotados. Eles são, em ordem de menor para maior isolamento imposto: distanciamento social seletivo, distanciamento social ampliado e bloqueio total (ou lockdown em inglês), que vem sendo chamado popularmente de quarentena.
Distanciamento social seletivo: ficam em casa os grupos sociais com maior risco de adoecimento grave, com maior risco de morte, bem como as pessoas que tiveram exames positivos para a Covid-19. Estas pessoas ficam em isolamento domiciliar por 14 dias, caso não precisem ser internadas. Ele exige:
- Testes: para que aconteça o distanciamento seletivo, a especialista afirma que é preciso haver número de testes suficientes para verificar o máximo de pessoas com sintomas.
- Casas adequadas: outro aspecto a ser considerado é que a casa onde estas pessoas estejam seja adequada, por exemplo com quartos separados. “Não é a realidade social brasileira, já que há muitas residências pequenas com muitas pessoas. A situação brasileira complica a aplicação deste tipo de distanciamento, que também já foi chamado de isolamento vertical”, recomendou.
- Seguir à risca: também é necessário que as pessoas sigam à risca. "As pessoas têm muita dificuldade de cumprir isso, então acaba sendo um mecanismo muito frágil para controlar a doença”, relatou.
Distanciamento social ampliado: a recomendação é que todas as pessoas fiquem em casa, não só quem tenha testado positivo para a doença. Só saem de casa quem precisa trabalhar nas áreas consideradas essenciais. Exige:
- Cumprimento total: também pressupõe o cumprimento. "Este método é mais efetivo, já que reduz a circulação de pessoas e consequentemente o contato e o contágio. O distanciamento social ampliado diminui a velocidade da propagação da doença. O maior problema desta modalidade é o fator econômico, que vem sendo tão debatido", explicou.
Bloqueio total ou lockdown: as pessoas são impedidas de circular livremente por espaços públicos, exceto por situações emergenciais, não podem cruzar fronteiras. Consiste também em fechar tudo, inclusive serviços essenciais, mantendo abertos apenas farmácias, supermercados e hospitais. Há, neste caso, necessidade de autorização, muitas vezes por parte das autoridades policiais, para sair de casa. Em Sinop e Sorriso, por exemplo, está instaurado o toque de recolher, algo similar ao lockdown. “É como em um toque de recolher. Já é bem mais extremo, para quando o número de casos está descontrolado e o sistema de saúde já não dá conta. Serve para tentar parar a evolução da pandemia”, afirmou.
EFETIVO EM MÉDIO PRAZO
Apesar de mais extremo, o bloqueio total não se apresenta como melhor opção em curto prazo, segundo a especialista Rubia Miossi. Além da situação econômica, que é bastante atingida e precária no país, os primeiros resultados do lockdown aparecem a partir da terceira semana de aplicação. "As pessoas adoecem e acabam contaminando quem está com elas no domicílio", relatou.
A proposta de bloqueio funcionaria adequadamente caso partisse de um distanciamento ampliado em que o número de casos confirmados da Covid-19 já tivesse esgotado o sistema de saúde. "Neste caso o bloqueio funcionaria, porque as pessoas já estariam em casa mesmo", ressaltou a médica.
De acordo com ela, o mais importante é saber que nenhum dos três conceitos precisa seguir a sequência para ser aplicado. Existem lugares que, por exemplo, não necessitam de lockdown, que tenham sistema de saúde muito bem equipado
Na visão da médica, não é apenas uma autoridade que define a medida mais eficaz a ser tomada, mas devem ser levadas em consideração as várias áreas de conhecimento. “Não é uma decisão que o governador ou o prefeito toma sozinho, ele deve ser assessorado por experts de várias áreas. É agora que vamos ver mais casos graves e o sistema de saúde vai começar a se esgotar”, conclui.
Fonte: DA REPORTAGEM
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