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Terça Feira, 09 de Junho de 2026

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Disputa pelo governo transforma aliados em adversários dentro da direita em MT

20 de Maio de 2026 as 07h 15min

Disputa pelo Paiaguás pressiona base governista - Foto: Montagem

O deputado federal José Medeiros voltou a defender uma composição entre o senador Wellington Fagundes e o vice-governador Otaviano Pivetta para a eleição ao Governo de Mato Grosso em 2026. Apesar do discurso conciliador, os movimentos recentes nos bastidores e o endurecimento político entre os grupos mostram que a construção dessa unidade está longe de ser simples.

A fala de José Medeiros revela mais do que uma tentativa de pacificação dentro da direita mato-grossense. Ela expõe, na verdade, o tamanho da preocupação de parte do grupo bolsonarista com a possibilidade concreta de divisão no campo conservador em 2026. Quando Medeiros afirma que “isso aí se ajeita”, ele tenta transmitir a imagem de que as divergências ainda podem ser resolvidas por meio da velha engenharia política de composição de chapa, distribuição de espaços e acordos partidários. O problema é que o cenário atual parece muito mais complexo do que uma simples acomodação eleitoral.

Nos últimos meses, a relação entre os grupos de Wellington Fagundes e Otaviano Pivetta deixou de ser apenas uma disputa silenciosa de bastidores para ganhar contornos cada vez mais públicos. O clima entre os aliados azedou à medida que ambos passaram a se movimentar como pré-candidatos naturais ao Palácio Paiaguás. E quando duas lideranças passam meses construindo projetos próprios, fortalecendo bases e sinalizando independência política, o custo de um eventual recuo se torna muito maior.

No caso de Pivetta, existe um componente ainda mais simbólico. Depois de sete anos ocupando a vice-governadoria ao lado de Mauro Mendes, o republicano dá sinais claros de que não pretende mais permanecer na condição de coadjuvante político. A avaliação dentro do grupo governista é de que chegou o momento de deixar o “banco de reservas” e assumir definitivamente o protagonismo do projeto político iniciado em 2019. Abrir mão agora de uma candidatura ao governo significaria adiar, talvez indefinidamente, a oportunidade de liderar o Estado com uma identidade própria.

Além disso, Pivetta conta com um ativo político importante: o apoio direto do grupo ligado ao governador Mauro Mendes, além da estrutura do Republicanos e de setores do empresariado estadual. Isso fortalece a percepção de que sua pré-candidatura não nasceu apenas como instrumento de negociação, mas como um projeto real de sucessão estadual.

Do outro lado, Wellington Fagundes também não demonstra qualquer sinal de disposição para recuar. E existe uma razão objetiva para isso: as pesquisas de intenção de voto colocam o senador em posição confortável na corrida eleitoral. Liderar cenários com relativa folga cria uma lógica política difícil de ignorar. Em campanhas eleitorais, poucos candidatos abrem mão de uma disputa quando enxergam a possibilidade concreta de vitória.

Na prática, a eleição de 2026 começa a desenhar um paradoxo político: quanto mais forte fica a direita em Mato Grosso, mais difícil parece ser mantê-la unificada. 

Fonte: DA REPORTAGEM

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