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E32 pode adicionar quase 1 bilhão de litros à demanda anual por etanol
24 de Julho de 2026 as 05h 35min
Milho: matéria-prima estratégica para energia limpa – Foto: CNA
A elevação da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% (E30) para 32% (E32) poderá acrescentar cerca de 954 milhões de litros à demanda pelo biocombustível em um período de 12 meses, segundo estimativa do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
A mudança foi aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), com adoção prevista a partir de 1º de agosto e vigência inicial de 180 dias, passível de uma prorrogação por igual período. A medida ocorre em um contexto de volatilidade do petróleo no mercado internacional e de preocupação com os efeitos das tensões no Oriente Médio sobre preços e abastecimento.
Para 2026, considerando a adoção da nova mistura a partir de agosto, o instituto estima incremento de aproximadamente 409 mil metros cúbicos de etanol anidro até dezembro.
“Em um ciclo completo, o E32 representa uma demanda adicional próxima de 1 milhão de metros cúbicos de etanol anidro. Neste ano, como a mudança começa em agosto, projetamos um acréscimo de cerca de 409 mil metros cúbicos. Esse resultado, no entanto, está diretamente relacionado ao comportamento do consumo de gasolina”, afirma o coordenador de Inteligência de Mercado do Imea, Rodrigo Silva.
Em um exercício que considera participação próxima de 30% do etanol de milho no atendimento desse novo mercado, o segmento poderia absorver aproximadamente 119 mil m³ adicionais em 2026 e cerca de 277 mil m³ em um período de 12 meses. A distribuição efetiva dependerá de fatores como oferta, preços e logística.
Para o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Cleiton Gauer, a relevância da medida vai além do aumento imediato do consumo. Na avaliação dele, a ampliação da mistura traz maior previsibilidade para produtores e indústrias e reduz a exposição do país às oscilações do mercado internacional de combustíveis fósseis.
“Esse é um anúncio extremamente importante e aguardado pelo mercado. O aumento da mistura dá maior segurança para a produção e para a continuidade desse movimento de ampliação da oferta de etanol, não apenas em Mato Grosso, mas no Brasil”, afirma.
Segundo ele, o cenário internacional reforça a importância da medida. “O Brasil ainda está exposto às oscilações do mercado internacional dos combustíveis fósseis. Ampliar o espaço para o etanol fortalece uma produção que está no país e ajuda a dar sustentabilidade aos investimentos realizados na cadeia”, diz.
De acordo com informações do Ministério de Minas e Energia, o E32 poderá reduzir em cerca de 900 milhões de litros por ano a necessidade brasileira de importação de gasolina. Estudos técnicos avaliaram aspectos como desempenho dos veículos, dirigibilidade, partida a frio, consumo e emissões antes da adoção da nova mistura.
De acordo com dados do Imea, a elevação do teor de etanol na gasolina ocorre em um momento de forte expansão da indústria mato-grossense. Mato Grosso encerrou a safra 2025/26 com produção de 7,27 milhões de metros cúbicos de etanol, crescimento de 8,52% em relação ao ciclo anterior. O resultado manteve o Estado na segunda posição do ranking nacional, atrás apenas de São Paulo.
Do total, 6,18 milhões de metros cúbicos foram produzidos a partir do milho e 1,09 milhão de metros cúbicos teve a cana-de-açúcar como matéria-prima. Com isso, o cereal respondeu por aproximadamente 85% de todo o etanol produzido no Estado.
A produção de etanol de milho avançou 9,89% na safra 2025/26, enquanto a moagem do cereal pelas usinas alcançou 13,81 milhões de toneladas, alta de 10,45%. Do volume total de etanol produzido em Mato Grosso, 2,87 milhões de metros cúbicos foram de anidro, utilizado na mistura com a gasolina, equivalente a 39,42% da produção. Outros 4,40 milhões de metros cúbicos, ou 60,58%, foram de etanol hidratado.
Fonte: DA REPORTAGEM
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