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ENTREVISTA: A necessidade de mudar e as premissas do negócio próprio
Quando o desemprego bate à porta, é necessário buscar alternativas e inovar
06 de Abril de 2021 as 15h 32min
Lidiane buscou alternativas e montou o próprio negócio – Foto: Divulgação
BARBARA AZEVEDO
Acadêmica de Jornalismo
Nos últimos anos, ter o próprio negócio é o sonho de muitas pessoas, iniciar algo que possa chamar apenas de seu, e que como nossa entrevistada, Lidiane Motta, não era feliz no que fazia.
“Eu não gostava do que eu fazia, não era feliz no que eu fazia”, ela conta, mesmo que ter o negócio próprio não fosse seu primeiro plano, embarcou nessa jornada depois de o desemprego bater à porta: “eu fiquei desempregada e comecei a pensar o que poderia fazer para ganhar mais dinheiro”.
“A melhor parte é você ter tempo, [...], a pior parte é todo dia você ter que ‘matar um leão’”, ela disse após ser questionada sobre a melhor e a pior parte do que faz. Mesmo com todas as turbulências passadas, ela tinha uma certeza sobre o que estava construindo, “eu tenho certeza que vai dar certo”, contou a entrevistada. Confira na íntegra nosso bate-papo com ela.
Diário do Estado: O que você fazia antes de começar com o brechó? Qual era sua relação com esse emprego?
Lidiane Motta: Eu trabalhava na parte administrativa financeira de um escritório de fazenda. E, eu não gostava do que eu fazia, não era feliz no que eu fazia, eu sou formada em administração, então sempre trabalhei em financeiro de escritórios e no ramo de agricultura.
DE: Ter um negócio próprio sempre foi uma ideia sua?
LM: Nunca, em hipótese alguma. Depois que fiquei desempregada, eu comecei a avaliar. Faz dois anos, eu estava com trinta e cinco para trinta e seis anos, e eu comecei a pensar “o que que eu vou fazer? Eu vou querer procurar um emprego para ganhar ‘tanto’, será que eu sou só isso na vida?” E aí eu fiquei desempregada e comecei a pensar o que poderia fazer para ganhar mais dinheiro, para ocupar melhor o meu tempo, para ser mais produtiva.
DE: Como foi essa mudança de sair do desemprego e começar um negócio próprio?
LM: Eu saí da empresa, ganhei as contas. Era um momento também que não estava fácil, e aí eu fui demitida, peguei o meu acerto e comecei a procurar emprego. E nas entrevistas de emprego eu já comecei a ficar muito nervosa, porque os RHs são muito antiquados, um método muito antigo, então eu não me sentia valorizada. E começou a cair a ficha, eu vou procurar alguma coisa para fazer, só que eu não posso ter nada que eu vá gastar muito dinheiro. Eu não podia gastar, fazer um investimento de duzentos, trezentos mil reais, e aí eu comecei a pensar “o que eu vou fazer?”, foi aí que eu comecei a procurar o que estava acontecendo no mundo que aqui em Sinop não tinha, que na região toda não tinha.
DE: Qual a melhor parte desse empreendimento? E a pior?
LM: A melhor parte é você ter tempo, e você saber que está fazendo algo para outras pessoas, que você está beneficiando outras pessoas, no meu ramo é a roupa, você poder proporcionar que outras pessoas usem roupas boas de marca, isso para mim é a melhor parte, e ter tempo é claro, eu tenho tempo para ficar com o meu filho, tenho tempo para fazer aquilo que eu quero. A pior parte é todo dia você ter que “matar um leão”, porque você tem que vender, vender para pagar as contas. Você não tem um salário no final do mês, então você levanta todo dia e pensa “só depende de mim”.
DE: Chegou algum momento que você parou e pensou que deveria desistir?
LM: Não, nunca, nunca pensei em desistir. A gente chora, tem medo, se apega muito em Deus, mas desistir, nunca, nunca nesses dois anos e meio nunca, jamais.
DE: Quando foi que percebeu que esse negócio estava dando certo?
LM: Depois de uns seis meses eu comecei a perceber que precisava me organizar e mudar, eu sempre soube que ia dar certo, não abri um negócio para não dar certo, é igual casamento, você não casa para não dar certo, então eu não abri para dar errado. Então eu sempre soube que tinha uma coisa para dar certo, só que eu sempre soube que tinha que melhorar, eu estou sempre atenta para saber onde que eu posso melhorar. É como se todos os dias eu tivesse que ter um estalo para saber onde que eu posso melhorar, mas eu tenho certeza que vai dar certo.
DE: Qual foi a situação mais inusitada que já passou durante esse período de negócio próprio?
LM: Ah, não sei, como o meu trabalho é sempre tudo diferente do que é normal, então tem sempre coisas diferentes acontecendo, nunca todo dia é igual. Mas inusitado, sinceramente não me recordo. O que aconteceu foi de uma mudança inesperada, de uma ideia que eu estava tendo, de um barracão, que eu queria só trabalhar online e aí eu tive que vir para montar uma loja, porque eu senti que as pessoas queriam ter um ambiente mais sofisticado, então eu comecei a ter esse pensamento, e foi uma coisa que eu acertei também.
DE: como está sendo lidar com a pandemia e comandar seu negócio? houveram mudanças muito drásticas?
LM: Então, está difícil para o empreendedor, para o empresário, que tem as contas que ele sabe que tem que pagar, que tem que trabalhar, e está difícil para o empregado que ele nunca sabe se vai ser demitido ou não, então está difícil para os dois lados, para quem está procurando emprego ou não. Só que quando eu tive essa transição de sair do barracão para montar uma loja, estilo uma boutique, essa transição foi por causa do COVID, então o COVID me trouxe essa ideia, foi aí que eu acertei, então, assim, claro, todos os meses trabalhando bastante, só que eu não posso, eu não julgo o COVID, para mim o COVID está sendo ótimo, porque eu estou tendo que crescer todos os dias, indo em busca de conhecimento, tentando se renovar. Todo dia você tem que fazer alguma coisa porque você sabe que tem alguma coisa ali fora acontecendo, você sabe que se parar vai ser “comida”, se você não se adaptar então você sai. Tem que ser rápido, tem que ser muito rápido [a adaptação]. Claro que não está dando para fazer muitos investimentos, o governo não está liberando o que precisa ser liberado, mas você tem que pensar o que você pode fazer com o que está acontecendo, só depende de você mesma. Eu não fico focada em política, eu não leio as notícias, não fico focada no COVID, não sei o que está acontecendo, porque eu foco só no “preciso vender, preciso crescer, o que eu preciso fazer?”, e ponto, é só isso que eu faço, só que a pandemia me trouxe sim um crescimento muito grande, que é onde eu estou hoje. Foi uma mudança drástica que trouxe coisas boas.
DE: Se pudesse voltar e refazer os passos que te trouxeram até aqui, o que faria de diferente? por que?
LM: Tinha, eu tinha economizado dois anos e montado primeiro a loja, porque quando eu sai da casa, do quarto da minha mãe, eu sempre tive ideia disso, de cidades grandes, de barracão, esse conceito de brechó grande, enorme, porque ai você tem preços menores, só que eu vi que aqui na região não funciona isso, você tem que ter um lugar mais elitizado, se eu tivesse essa ideia, esse conhecimento, porque eu não tinha conhecimento, eu saí de uma área administrativa e fui parar em um comércio, eu odiava vendas, hoje eu amo vendas. Então se eu soubesse que esse meu estilo de negócio fosse dar certo, eu teria economizado dois anos atrás, só que esses últimos dois anos fizeram o que eu sou hoje. [Para ter] Minha visão de negócios, eu tive que passar por tudo que eu passei nesses últimos dois anos, é uma experiência que você não tem como dimensionar. O crescimento pessoal e da empresa, porque meu negócio é diferente, não é abrir ou montar uma loja, é diferente. E ninguém tem, um curso de “como ser dona de brecho de peças consignadas”, tem “como ser uma lojista”, é diferente, então eu tive que aprender por eu mesma, tive que passar por aquilo ali para ser o que eu sou hoje, só que óbvio, se eu tivesse tido experiencia, tivesse buscado muito mais coisas do mercado, eu tinha começado com um passo a frente, só que para você ter algo, se você fizer muita pesquisa e pensar muito, você não vai, então mete a cara e vai, o empresário tem que “arrumar o avião com o avião caindo”, vai, não importa, na hora lá tá dando errado? Muda a estratégia e vai, o avião tá caindo, muda a estratégia e ele vai subir de novo, se você ficar muito pensativo, não faz nada na vida, só vai estudar, estudar e estudar, e tá bom, vai ficar estudando e vai ser empregado. Se você quer ser empregado, seja um bom empregado, com um bom salário, seja o melhor empregado, você tem duas opções, ou ser um bom empregado com um bom salário, mas motivar aquela empresa ou ser um bom empreendedor, nada mais ou menos, tem que ser o melhor em tudo, não importa o que você quer ser.
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