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Quarta Feira, 01 de Abril de 2026

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ENTREVISTA: Direto do Brasil para a Europa

Como Luana conseguiu sair do interior do Mato Grosso para fazer intercâmbio na Alemanha

19 de Abril de 2021 as 09h 36min

​​​​​​​Luana está prestes a realizar o sonho de morar fora do país – Foto: Arquivo pessoal

CAMILA FRANCESCHINI

Acadêmica de Jornalismo

 

Nascida em Mundo Novo/MS, Luana Aparecida Ribeiro, 22 anos, resolveu se aventurar em outro continente. Ela que está embarcando para a Alemanha em poucos dias em busca de oportunidades e ensinamentos, e nos conta sobre essa nova fase de sua vida.

Uma garota criada no interior do Mato Grosso que não conseguiu concluiu o ensino superior está realizando o sonho de muitas pessoas que é ir para o exterior fazer um intercâmbio, conhecer um país diferente, cultura, pessoas e trazer uma bagagem de experiências.

Nessa entrevista, vamos descobrir como ela conseguiu realizar tal fato.

 

Diário do Estado: Como você decidiu ir embora do país e por quais motivos fizeram você tomar essa decisão?

Luana Ribeiro: Eu decidi sair do Brasil para buscar oportunidades maiores de crescimento tanto profissional quanto pessoal, e eu acho que hoje infelizmente os países da Europa estão muito à frente do Brasil em questão de segurança, em questão de educação, em questão de formação acadêmica, eles têm uma facilitação muito grande para que as pessoas entrem no mercado de trabalho, entre na vida acadêmica. Hoje eu não encontro isso no Brasil, é praticamente impossível uma pessoa conseguir trabalhar, se sustentar, ter sua independência financeira e conseguir conciliar tudo isso com o estudo, então eu queria conciliar isso, e por isso eu decidi que ir embora do país agora seria a minha opção.

 

DE: Qual país você escolheu para ir e sempre teve interesse em conhecer? E o que te levou a escolher esse país?

LR: Então, no caso é mais um país que me escolheu, porque eu fiz a minha inscrição para o AuPair que foi a forma que eu encontrei de sair  do Brasil, e quando eu fiz a minha inscrição eu deixei em aberto para vários países que eu achei que talvez se encaixasse no que eu pretendia para minha vida, e uma família da Alemanha  gostou de mim e a gente fez várias videochamadas, a gente conversou muito, combinou muito e  eu decidi que fecharia o match (sic) com eles, foi assim que mais Alemanha me escolheu.

 

DE: Como que você conheceu o programa AuPair? como ele funciona? poderia explicar melhor ele?

LR: AuPair ele é conhecido como o intercâmbio da irmã mais velha, você vai para uma casa que tenha crianças, isso é obrigatório, e você fica com as crianças da família como se você fosse a irmã mais velha deles, cuida enquanto os pais estão trabalhando,  brinca, da comida, faz uma troca mesmo sobre a sua cultura com a cultura das crianças, aprende o idioma local e a família vai te dar uma mesada, não é um salário, não chega nem perto do salário mínimo dos países, é uma mesada mesmo para você estar comprando as suas coisas, já que como uma irmã mais velha você vai morar de graça na casa da família, você vai ter seu próprio quarto, vai receber as refeições é igual a família, então não precisa se preocupar com alimentação, não precisa se preocupar com o transporte, a família também paga, e no caso da maioria dos países, por exemplo a Alemanha a família paga ou dá uma ajuda de custo para algum curso que AuPair queira fazer, no meu caso eu vou fazer curso de alemão mesmo, para conseguir me aprofundar mais, como esse curso dura 3 meses e o meu contrato é de 1 ano, depois eu posso fazer outro curso profissionalizante em qualquer outra área, mas é bem simples de entender como funciona o intercâmbio, uma família escolhe você e você escolhe uma família.

 

DE:  Escolheu esse programa porque você gosta de crianças, por isso que você identificou mais com ele ou foi por outro motivo?

LR: Primeiro eu escolhi o AuPair por ser extremamente barato, comparado à outros intercâmbios, já que você pode ficar de graça na casa de uma pessoa, você consegue estudar e trabalhar, então acho que é um intercâmbio que compensa muito apesar dos gastos que a gente tem para conseguir o visto, mas assim compensa muito, eu cursei um tempo pedagogia,  não cheguei a me formar, mas eu tive bastante experiência em escola e depois disso eu comecei a trabalhar como acompanhante terapêutica de crianças especiais e que apresentam transtornos espectro autista,  como eu já tinha experiência com criança isso não foi uma barreira para mim, trabalhar com crianças é algo que eu faço, então eu vi que era algo que já tinha experiência, como o intercâmbio  muitas famílias exigem experiência da AuPair, isso tornou o meu perfil um atrativo para as  famílias, e é isso porque eu já tinha experiência, já trabalhava e é algo que eu gosto e que eu tinha certeza que vou conseguir fazer em qualquer lugar do mundo.

 

DE:  Quanto tempo foi todo o processo desde o momento que você criou é um perfil para ser AuPair, até o dia do embarque para Alemanha?

LR: Demorou ao todo 7 meses, de quando eu abri o perfil, encontrei a família, dei entrada em todas as documentações, eu não tinha passaporte nem o certificado que é exigido para Alemanha, não tinha documento nenhum, do início de quando eu fui lá no AuPair Word criei meu perfil até quando a família me encontrou, e agora que a gente fechou o contrato já está tudo certo, só preciso esperar o Consulado que está fechado por conta do covid-19. Já se passaram 7 meses, acredito que com 8 meses eu consigo ir, mas tudo isso depende muito de quando o Consulado vai voltar a emitir os vistos nos passaportes.

 

DE:A família que você irá morar como foi esse processo de escolha? quantos filhos eles têm? pelas conversas você já se deu bem com eles?

LR: O processo de escolha da família é algo bem delicado, que precisa ser feito com muita calma para você não acabar caindo numa cilada, porque a gente sabe que no mundo de hoje tem muito tráfico humano e tem muito lugar que ainda existe o trabalho escravo, você ir como imigrante para outro país, para uma casa que você não conhece, você se torna um alvo fácil, você vai estar vulnerável em outro lugar, onde  não conhece ninguém e pior ainda se você não souber para falar a língua o idioma local, quando eu iniciei o processo eu só tinha o português, básico  de espanhol e o básico de inglês, que é o que a gente tem de estudante de escola pública, aquele inglês e aquele espanhol que todo mundo sabe como que é, que é o básico do básico, eu sempre gostei muito de espanhol, sempre gostei muito de assistir séries e novelas tudo em espanhol sem legendas sem nada direto do idioma original, então sempre tive uma grande facilidade para entender e quando essa família surgiu, surgiram outras antes, mas quando essa em específico respondeu meu contato, a mãe é espanhola, ela queria alguém que dominasse o idioma que conseguisse se comunicar com a filha dela que nasceu na Alemanha, porque o pai é alemão, é um casal é muito aberto a outras culturas, eles não têm muito preconceito, não são fechados, tanto é que tem essa miscigenação de cada um ser de um país e eles queriam alguém que conseguisse se comunicar em espanhol com a criança, porque na escola ela teria o contato com o alemão e com o inglês, e a mãe queria que a língua materna dela fosse mantida dentro da família, e como o alemão é um idioma muito difícil, levei 4 meses para conseguir o básico, o meu espanhol já estava um pouco mais avançado do que meu inglês ou alemão. E fato de ser uma criança que frequenta a escola que já tem uma certa idade, ela já tem 7 anos, ela já tem uma independência para fazer as coisas sozinha e a outra ser um bebê, são 2 meninas e são faixa etária que eu tenho experiência e que eu posso que me sentir confiante que eu conseguiria trabalhar. A cidade, a conversa que eu tive com a família ,tudo isso foram fatores que influenciaram na minha escolha e o fato de eles me escolherem também, porque quando  eles entram no meu perfil lá só tem as informações que eu coloquei,  depois disso nós fizemos chamadas de vídeo, conversamos muito via WhatsApp, eles mandam muitas fotos do cotidiano deles, falam coisas diferentes quando eles estão fazendo, como piquenique, um jantar em família ou uma viagem, fizeram me sentir muito incluída já, mesmo ainda estando aqui no Brasil, eles são muito acolhedores eu acho que todos os fatores ajuda e influência muito na escolha.

 

DE: Você pretende voltar para o Brasil ou você quer continuar na Alemanha depois de terminar seu contrato?

LR: Eu pretendo ficar lá, porque como eu disse acho que a Europa é a minha oportunidade de crescimento pessoal e financeiro, vou aproveitar o máximo para estudar, o máximo para aprender alemão, e assim conseguir fazer algum curso profissionalizante para quando chegar ao final do meu contrato de 1 ano eu possa ficar lá para trabalhar,  caso eu não consiga um emprego em alguma área, tenho meu plano B que seria fazer um ano de serviço social lá, que nesse caso seria pro governo, trabalha para o governo como voluntário, o governo dá uma moradia e paga um salário, coisa que também é bem abaixo do salário mínimo e da média salarial, mas já é algo que dá pra pessoa se virar sozinha.

 

DE: Como que a sua família reagiu a notícias? eles te apoiaram quando você decidiu fazer isso, ir embora do país?

R- Minha família não me apoiou ir embora do país, a minha irmã acha que eu vou ser sequestrada e vou ter meus órgãos removidos, e a gente tem um exemplo meio ruim de pessoas que vão para fora do país mostrado na novela Salve Jorge, então todo mundo acha que é tráfico humano, e infelizmente as famílias com uma renda mais baixa não têm tanto acesso a fazer intercâmbio, são poucas pessoas da família que já foram para fora do país, a nossa referência de estrangeiro é o Paraguai, então eu fui a primeira pessoa dos meus familiares mais próximos andar de avião, então foi difícil eles aceitarem que eu vou morar longe esse tipo de coisa, mas como é uma decisão que eu já tomei eles aceitaram, os meus pais me apoiaram com os gastos que eu tive, me emprestaram dinheiro, quando eu realmente decidi que ia morar com essa família na Alemanha, vendi minhas coisas no Brasil para conseguir dinheiro para fazer todo o processo, e a minha mãe me acolheu na casa dela, agora eu estou aqui esperando o Consulado abrir na casa da minha irmã, eles não aceitam, mas me dão um apoio.

 

DE: Quais são suas expectativas em estar indo embora do seu país?

LR: Espero que eu consiga um trabalho lá, que consiga ficar por lá, que termine meus estudos, e que isso tudo me permita eu construir uma vida boa para mim e ajudar minha família aqui no Brasil também.

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