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ENTREVISTA: Zuila e o que a levou ao sucesso no ramo de peças de Moeda Antiga
Mãe e empresária ela compartilha como superou as dificuldades e inspira pessoas
04 de Abril de 2021 as 12h 47min
Zuila e Renê, aproveitando férias em família na praia – Foto: Arquivo Pessoal
DALILA LIMA VILA NOVA
Acadêmica de Jornalismo
Com apenas 28, Zuila Julia Furtado, natural de Cuiabá, reside atualmente em Sinop, cidade que escolheu para abrir sua empresa, a Zu Alianças. Casada há 8 anos com Renê Rodrigues, tem duas filhas, Julia e Maria Eduarda. Como empresária, tem ampliado o faturamento da empresa ao abrir outras filiais e credenciar mais vendedoras para cobrir o estado. Por se tratar de joias feitas tendo moeda antiga como base, elas possuem uma beleza e brilho com um custo mais acessível, que tem uma grande aceitação e procura no Mato Grosso
Diário do Estado: Zuila quero que você me conte um pouco da sua família, de como foi a sua infância, quantos irmãos você tem?
Zuila Furtado: Tenho que resumir essa história, bom a minha infância eu lembro que era uma muito feliz até meu pai resolver fugir com a secretária (risos), aí o negócio mudou, então de uma infância feliz passou para uma infância um pouco triste, conturbada porque os meus pais se separaram quando eu tinha quatro anos de idade, ele nos abandonou na verdade. Então as coisas foram ficando complicadas e gerando um ambiente triste. Eu tenho mais dois irmãos, um homem e uma mulher, e para mim ficou bem triste, por que eu tinha acabado de entrar em uma escola particular onde eu estava iniciando os estudos, e meus irmãos já estudavam lá, então quando eu sai dali e fui para escola pública, foi muito triste porque não tinha as regalias que tinha na escola particular, então foi ficando ruim, foi azedando o negócio para mim.
DE: Então desde que você era pequenina você já começou a conviver com as dificuldades financeiras por conta desses problemas familiares?
ZF: Isso, meus irmãos por serem mais velhos viveram fases muito boas, eles viveram a fase das “vacas gordas”, eu não tive isso não.
DE: E depois dessa situação com seu pai, como vocês ficaram?
ZF: Então nós tínhamos uma empresa de segurança, na época era uma empresa bem conceituada em Sinop, então quando meu pai fugiu, minha mãe ficou com a gente e ele levou todos os talões de cheque assinados pela minha mãe, então foi muito difícil, naquela época cheque era igual dinheiro né, então foi onde começou todo o caos, ele tinha esses talões todos assinados porque ele era o financeiro da empresa, de total confiança da minha mãe, então foi ficando muito complicado, porque os dinheiros das contas começaram a acabar porque os cheques começaram a ser descontados, e depois o dinheiro acabou e começaram a aparecer os cheques sem fundo, não tinha mais como pagar os funcionários, os funcionários tiveram que sair, os funcionários foram entrando na justiça, e minha mãe teve que decretar falência. Então começou a surgir as dividas né, eram mais de cem seguranças armados que trabalhavam, e o pessoal era trabalhador precisavam receber o salário deles, e cadê o dinheiro que não tinha para pagar. Então minha mãe conseguiu pagar alguns funcionários, e se não me engano foram 46 funcionários que entraram com ação na judicial contra minha mãe para receber o salário e o acerto. Aí começou a peleja, começou a ficar mais sério, onde começou a polícia e juiz vir atrás, e começou a ver que o negócio estava feio, então minha mãe abriu a falência da empresa, ela não ia dar conta com esses processos, então ela foi aconselhada a fazer isso, e depois disso com muito custo, ela conseguiu se explicar pro juiz que era muito amigo dela na época e da minha avó também, e eles entenderam que não foi minha mãe, que foi o meu pai, por que senão ela seria presa por estelionato, porque além do golpe nos funcionários era golpe na praça né, muitas contas.
DE: A empresa era em Sinop, na época existiam outras empresas?
ZF: Não, era a nossa, chamava-se Segurança Lobo, como se fosse à Inviolável, na época não tinha a Inviolável ainda, assim que a empresa fechou logo depois surgiu a Inviolável, muito provável que os fundadores da inviolável vão lembrar-se dessa história.
DE: E depois desse episódio, vocês tinham de tudo né? E como vocês ficaram?
ZF: Sim, tínhamos casa, carro, tudo. A minha mãe começou a vender tudo para pagar conta, a empresa tinha armamento, foi tudo empenhorado, ai começou a empenhorar casa, para entrar no leilão e pagar os funcionários né, eu acredito que seria mais ou menos isso, no final das contas minha mãe vendeu nossa casa e a gente foi morar na garagem dessa casa que era no terreno do lado que dava no quintal da minha avó, eu lembro que depois disso chegou outro pessoal que meu pai tinha dado cheque e pegou as coisas de dentro de casa, eu lembro que o cara veio pegar todas as coisas e ele ficou com dó, por que a gente ficou chorando sem entender porque estavam levando nossas coisas, e o cara deixou um colchão e o botijão de gás, e esse colchão foi o que eu e meus irmãos dormíamos, então ficamos morando nessa garagem por 6 meses, mas eu me lembro que minha mãe fazia com que tudo ficasse leve e divertido.
DE: Como foram reconstruindo a vida?
ZF: Então, eu lembro na época da garagem ser muito divertido, uma das coisas que ficou foi um videoke que minha mãe usou inclusive para alugar em festas e ganhava uma grana assim, mas eu me lembro de ser divertido, até hoje tem vídeo da gente cantando nesse vídeoke, eu e meus irmãos pequenos estouravam pipoca era uma festa só. Minha mãe foi recomeçando assim, alugando esse videoke em festas, fazia artesanatos e vendia na frente da casa da minha avó e foi reconstruindo. Ela conseguiu juntar dinheiro e fez um rolo em um carro que tinha e negociou em uma chácara lá no Campo Verde, mas tínhamos muitas dívidas ainda, mas a gente precisava sair da garagem, então as coisas começaram a andar novamente com minha mãe trabalhando dessa forma, mas eu lembro que vivi uma infância muito feliz lá nessa chácara.
DE: Até quantos anos você viveu lá?
ZF: Até 13 anos, e depois disso minha mãe foi para Tabaporã, tentando se reerguer conseguiu uma terra no sem-terra, minha mãe começou a virar a líder dos sem-terra, eu lembro que ia para escola de ônibus e o povo zoava “olha a rainha dos sem-terra”, e eu tinha um ódio daquilo, mas minha mãe, mesmo com barraco de lona, ela deixava tudo arrumadinho bonitinho, nosso barraco era o mais bonito e organizado, eu lembro que tudo ela fazia ficar divertido e voltamos para Sinop.
DE: E você ficou até quantos anos em casa?
ZF: Sai de casa com uns 17 anos, aí fui morar sozinha e trabalhava, eu era igual minha mãe, e fazia rolo, vendia as coisas, sempre me esforçava muito, ai conheci o Renê.
DE: Você conheceu o Renê com quantos anos? E como foi?
ZF: Eu conheci o Renê quando tinha 21 anos, quando o conheci eu estava numa fase da minha vida que era muito indecisa, estava muito triste também, porque eu queria algumas coisas e não estavam dando certo, tinha acabado de sair de uma empresa muito boa que eu trabalhava um banco né, aí conheci ele e pensei em namorar. Mas nunca imaginei que viraria algo sério, não era nada sério, só um rolinho. A gente se conheceu pelo Facebook, ele já tinha a Duda que é a filha que já vinha de outro relacionamento dele, a gente se envolveu durante dois meses, e depois de dois meses que eu tinha conhecido ele, eu engravidei, foi muito inesperado. Aí quando eu descobri que estava grávida, eu surtei, porque eu me imaginava de toda forma, milionária, morando fora do Brasil, menos grávida, qualquer coisa menos sendo mãe. Aí começamos a tentar para ver se daria certo, mas imagina, eu tinha acabado de conhecer ele, grávida com os hormônios tudo mudado, a Duda veio ficar com a gente, e muita responsabilidade, e ele não queria responsabilidade, e eu querendo uma família, porque eu não queria que minha filha fosse criada sem o pai igual eu fui porque ele me abandonou, queria que tivesse essa figura do pai. A gente resolveu tentar mesmo para ver o que daria, o Renê tentou montar um empreendimento, vendeu tudo que ele tinha e montou um deposito de gás, ali começou a labuta de verdade, comecei a ver o trem esquisito, eu grávida, a gente se conhecendo de verdade, as unhas foram saindo para fora, e passando muito dificuldade e o negócio não estava dando certo, não vendia, começou a apertar, e eu sempre vivi com minha mãe o seguinte: tudo podia dar errado, mas a comida ela não deixava faltar de jeito nenhum. O lugar no depósito que morava era ruim, não tinha onde lavar roupa, louça, era só um colchão uma geladeira, era muito difícil. Mas aquele ciclo se encerrou quando a Julia nasceu.
DE: Eu sei que vocês têm empresa, a Zu alianças, e como nasceu?
ZF: Como ficou muito complicado, eu comecei a vender um monte de coisa, eu sempre gostei muito vender, eu e Renê sempre tivemos em nossa mente o empreendedorismo, a gente não queria trabalhar para ninguém, o Renê é uma pessoa incrível para finanças, onde eu era descontrolada ele é muito controlado, graças a Deus. Então para uma empresa funcionar ela só precisa de duas coisas: Uma pessoa que goste de vender e uma que tenha o controle financeiro, pronto fechou. Então a partir dali as coisas começaram a acontecer, a gente trabalhou com venda na internet, e em um momento a gente ganhou um par de alianças de um casal de amigos, a gente iria casar e não tínhamos dinheiro nem para as alianças, então ganhamos e fomos escolher na internet, e conhecemos em um site americano umas peças de moeda antiga, e então pedimos a nossa, gostamos muito e logo em seguida começamos a estudar no material, e fazíamos os pedidos por encomenda porque não tínhamos como investir no início. Comecei a vender na área da casa da minha mãe, pro que ela morava no centro então ficava melhor a localização para os clientes irem buscar, coloquei uma plaquinha na frente da casa dela e comecei a ir para lá todo dia, o Renê trabalhava em uma empresa onde instalava fibra, porque não tinha como a nossa renda vir somente da venda das peças ainda, e dali também juntávamos um dinheiro para poder investir nas peças, e eu lembro que tudo começou ali, vendendo na área da casa da minha mãe com a Julia pequenininha e foram chegando meus primeiros clientes e começou as primeiras compras e as primeiras vendas, surgiu uma oportunidade de dividir um aluguel com um amigo nosso, e a gente foi, mas logo em seguida a gente montou a nossa própria loja e só foi crescendo, ninguém nos segurou mais, abrimos em Tangará, Juína, Rondonópolis, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste e estamos expandindo. Foi uma mudança de vida, de superação. Eu sempre tive em minha mente que não existe grandes conquistas sem grandes esforços, a gente passou um sufoco, e eu sei que se hoje a gente perdesse tudo, eu começaria tudo de novo na mesma intensidade porque a minha vida é treinar pessoas.
DE: Bom, antes de a gente finalizar, se você quiser falar, o que aconteceu com seu pai? Você soube dele?
ZF: Depois de anos, em 2017 para ser mais precisa, eu conversando com Deus eu disse que queria achar meu pai, e comecei a procurar, e um dia do nada meu pai me ligou, literalmente do nada, se apresentou como amigo do meu pai e querendo saber se eu tinha interesse em conhecer meu pai, e claro que eu disse que sim que estava procurando ele e tal, quando eu disse isso ele já disse que era meu pai, aí eu comecei a chorar, e eu disse para ele que queria conhecer ele que queria deixar tudo que aconteceu para trás. E assim eu cresci perguntando para minha mãe do meu pai, e ela sempre dizia: Filha, criança não faz arte? Então seu pai fez uma arte, só que arte de gente grande e ele não pode voltar atrás. E de fato ele não podia, porque não teria só pensão de filhos eram muitos B.O para resolver, com a justiça também. Então depois que ele me ligou, eu disse que queria ver ele, ajudá-lo, honrar a vida dele, então eu marquei o encontro com ele, fui lá à cidade dele, conheci, ajudo no que precisa, enfim a gente tem contato atualmente. Eu quero trazer ele para cá que está envelhecendo né, porque honrar a minha mãe que sempre me cuidou é fácil, agora honrar quem abandonou a gente é diferente, e eu tenho isso em meu coração, em cuidar dele.
DE: Estamos finalizando, gostaria de saber se você tem algo para falar para as pessoas, dizer alguma coisa para quem ler essa entrevista?
ZF: Quero sim, tenho uma coisa para dizer: Deus, ele é o centro de tudo. Ele que conduziu sempre a minha vida, por que nada foi por mim mesmo ou pelo Renê, por que se não tivesse entrado Deus na nossa vida, a gente não teria dado certo. Precisamos primeiro buscar a Deus e as demais coisas serão acrescentadas em nossas vidas.
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