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Era Uma Vez um Gênio resume o amor em um filme

10 de Setembro de 2022 as 11h 06min

Artistas estão tentando descrever o amor há milênios. De fato, é possível argumentar que este tem sido o singular propósito da arte humana desde os primórdios de seu desenvolvimento: sempre que contamos histórias, essas histórias são sobre amor - mesmo, ou talvez até principalmente, quando não parecem ser. A Ilíada é a narrativa de uma guerra provocada por amor, e o guerreiro Aquiles só vai à batalha para vingar a morte de Pátroclo. Na Bíblia, o amor de Deus pelo homem se torna a peça central da narrativa quando encarnada no corpo de Jesus. Romeu & Julieta. Moulin Rouge!. Matrix. Ozark. O MCU (“Eu te amo 3000”). É tudo sobre amor.

E, se é tudo sobre amor, se o amor é a matéria da nossa arte, confesso que não consigo me lembrar de uma obra de arte mais completa do que Era Uma Vez um Gênio. Certamente não em 2022. O filme de George Miller é uma anomalia, uma contradição em si mesmo: gigantesco no escopo das histórias que quer contar, recorre ao digital e ao artificial em seus pulos de fantasia, mas é também essencialmente um drama íntimo em dueto, confinando a sua narrativa principal a alguns poucos cenários e raramente dando falas a personagens que não são os dois protagonistas.

Explica-se: em Era Uma Vez um Gênio, acompanhamos Alithea Binnie (Tilda Swinton), uma solitária professora de narratologia (o estudo das narrativas humanas através da história) que, durante uma conferência em Istambul, adquire por acaso uma antiga garrafa que é a morada de um gênio (Idris Elba). Para ajudar a acadêmica, que se diz perfeitamente satisfeita com a sua vida, a decidir os seus três desejos, o gênio conta a história de como foi parar na garrafa, e a quais outros mestres já serviu.

Era Uma Vez um Gênio é tão apaixonado pela magia de uma história bem contada que permite que o espectador viaje para os lugares descritos pelo personagem de Elba: palácios gigantescos que passeiam entre o cintilante e o cavernoso, povoados por criaturas bizarras que borram a linha entre humano e mitológico. Com a ajuda de uma equipe técnica afiada, Miller cria um banquete para os olhos e ouvidos, começando pela fotografia banhada em luz dourada de John Seale, passando pelas cordas calorosas e teatrais da trilha de Tom Holkenborg, pelo design de produção barroco de Roger Ford e pelos figurinos discretamente iconográficos de Kym Barret. Assisti-lo, como amar, é uma experiência que enche o coração.

Fonte: DA REPORTAGEM

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