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Quinta Feira, 02 de Abril de 2026

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Estudo aponta fatores estruturais para inflação de alimentos no país

02 de Abril de 2026 as 06h 58min

Não se trata de oscilações temporárias, mas de pressões que exigem mudanças – Foto: Divulgação

Um estudo divulgado pela ACT Promoção da Saúde, em parceria com a Agência Bori, aponta que a inflação dos alimentos no Brasil é um fenômeno estrutural — resultado de fatores permanentes da economia, e não apenas de variações sazonais ou crises pontuais.

Elaborado pelo economista Valter Palmieri Junior, doutor pela Unicamp, o levantamento mostra que o encarecimento da comida está ligado ao modelo de desenvolvimento do país. Segundo o pesquisador, não se trata apenas de oscilações temporárias, como entressafras ou variações cambiais, mas de pressões contínuas que exigem mudanças estruturais.

Entre junho de 2006 e dezembro de 2025, os preços dos alimentos subiram 302,6%, enquanto a inflação oficial (IPCA) foi de 186,6% — uma diferença de 62%. No mesmo período, nos Estados Unidos, os alimentos ficaram apenas 1,5% acima da inflação geral. O estudo também aponta a dificuldade de queda nos preços após períodos de alta. “Aumentar é fácil, mas cair depois é muito difícil”, destacou o economista.

Os maiores aumentos foram registrados em frutas (516,2%), carnes (483,5%) e tubérculos, raízes e legumes (359,5%). A pesquisa mostra ainda que a perda de poder de compra é maior nos alimentos in natura. Entre 2006 e 2026, a capacidade de compra de frutas caiu cerca de 31%, e a de hortaliças, 26,6%.

Por outro lado, produtos ultraprocessados ficaram relativamente mais acessíveis. O poder de compra aumentou para itens como refrigerantes (+23,6%) e embutidos, como presunto (+69%) e mortadela (+87,2%). Segundo o estudo, isso ocorre porque esses produtos utilizam insumos industriais com menor variação de preço, o que acaba influenciando o consumo e direcionando a população para opções menos saudáveis.

Entre os fatores estruturais, o levantamento destaca o modelo agroexportador brasileiro. Como o país é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, produtores priorizam o mercado externo, onde recebem em dólar. As exportações saltaram de 24,2 milhões de toneladas nos anos 2000 para 209,4 milhões em 2025, enquanto culturas básicas como arroz, feijão e mandioca perderam espaço.

Outro ponto é o aumento expressivo nos custos de insumos agrícolas. Entre 2006 e 2024, os fertilizantes subiram 2.423%, herbicidas 1.870% e colheitadeiras 1.765%. Além disso, há forte concentração no setor, com poucas empresas dominando mercados de sementes, pesticidas, máquinas e alimentos industrializados.

O estudo também aponta a chamada “inflação invisível”, quando produtos mantêm o preço, mas perdem qualidade, com substituição de ingredientes mais caros por outros mais baratos.

Como caminhos para enfrentar o problema, o estudo sugere o fortalecimento da produção local, o reequilíbrio entre exportação e abastecimento interno e o incentivo à produção voltada ao mercado nacional. Para o autor, o preço dos alimentos vai além da economia e reflete escolhas sobre o modelo de sociedade que se pretende construir.

Fonte: DA REPORTAGEM

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