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Sexta Feira, 07 de Agosto de 2026

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Etanol de milho transforma mercado e abre fronteiras para energia limpa

07 de Agosto de 2026 as 04h 17min

Novas oportunidades para produtores rurais – Foto: Divulgação

A indústria de etanol de milho vive um dos momentos mais importantes de sua história no Brasil e vem promovendo uma transformação estrutural no agronegócio nacional.

Em pouco mais de uma década, o setor deixou de ser uma alternativa regional para se tornar um dos principais motores da demanda pelo cereal, criando novas oportunidades para produtores rurais, fortalecendo a cadeia da proteína animal e consolidando o país como referência mundial na produção de energia renovável.

Na safra 2025/26, aproximadamente 22,2 milhões de toneladas de milho foram destinadas à produção de etanol no Brasil, volume muito superior às 630 mil toneladas registradas na temporada 2016/17, segundo dados do setor.

O crescimento acompanha a expansão das biorrefinarias. Atualmente, o país conta com 29 unidades em operação, além de novos projetos autorizados e empreendimentos em fase de implantação.

Grande parte desse avanço ocorre em Mato Grosso, maior produtor nacional de milho, que concentra alguns dos mais importantes investimentos do segmento. Entre eles está a Inpasa, que possui unidades em Sinop e Nova Mutum e figura entre as maiores produtoras de etanol de milho da América Latina. As plantas industriais transformam o cereal em biocombustível, óleo de milho, DDGS e energia elétrica, agregando valor à produção agrícola e fortalecendo a economia regional. Durante muitos anos, a produção brasileira de milho cresceu em ritmo superior ao consumo interno, aumentando a dependência das exportações e pressionando os preços pagos aos produtores.

Segundo especialistas, esse cenário começou a mudar com a chegada das usinas de etanol de milho, que criaram uma demanda doméstica estável e previsível, principalmente para a segunda safra.

O pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Lucílio Alves, destaca que, antes da expansão das biorrefinarias, o país frequentemente registrava excedentes de produção, dificultando uma melhor remuneração ao produtor.

Com o avanço da indústria, o milho passou a contar com uma nova rota de consumo dentro do próprio mercado nacional, fortalecendo a liquidez regional e reduzindo a dependência exclusiva do comércio internacional.

Esse movimento acompanhou o crescimento da produção brasileira. Na safra 2024/2025, o país colheu cerca de 141,7 milhões de toneladas de milho, conforme dados do IBGE, resultado obtido por meio do aumento da produtividade e da eficiência no campo.

COPRODUTOS AMPLIAM OPORTUNIDADES

O etanol de milho também impulsionou uma nova cadeia de valor ao ampliar a produção de coprodutos utilizados principalmente na alimentação animal. Entre eles estão o DDGS (Dried Distillers Grains) e o WDG (Wet Distillers Grains), ricos em proteínas e fibras e cada vez mais utilizados na pecuária de corte, leiteira e também na suinocultura.

Empresas como a Inpasa adotam um modelo de aproveitamento integral do milho, transformando praticamente toda a matéria-prima em novos produtos destinados aos setores de energia, nutrição animal e indústria. O conceito fortalece a bioeconomia, reduz desperdícios e amplia a competitividade do agronegócio brasileiro.

Ao mesmo tempo, a indústria acelera investimentos em tecnologias voltadas à redução das emissões de carbono, como captura e armazenamento de CO₂, produção de biogás e biometano, além da geração de energia renovável a partir da biomassa.

Essas iniciativas podem permitir, no futuro, a produção de combustíveis com balanço negativo de carbono, aumentando ainda mais a competitividade do etanol brasileiro nos mercados internacionais.

O potencial do etanol de milho vai além dos veículos leves. Setores como aviação, transporte marítimo, indústria química e geração de energia passam a enxergar o biocombustível como alternativa para reduzir emissões e atender às metas globais de descarbonização.

Entre as principais oportunidades está o Combustível Sustentável de Aviação (SAF), considerado um dos mercados mais promissores para os próximos anos. A expansão das políticas de mistura de etanol em países como Japão, Estados Unidos e Índia também amplia as oportunidades para o produto brasileiro e reduz a dependência exclusiva do mercado interno.

Nesse cenário, empresas instaladas em Mato Grosso ganham posição estratégica. Com investimentos contínuos em tecnologia, inovação e sustentabilidade, grupos como a Inpasa fortalecem a presença brasileira na nova economia de baixo carbono e ampliam a competitividade do país no mercado global de biocombustíveis.

A expansão das biorrefinarias representa uma mudança histórica para o mercado de milho no Brasil. Ao criar uma nova demanda interna, gerar coprodutos para a pecuária, estimular investimentos industriais e abrir mercados ligados à economia de baixo carbono, o etanol transforma o cereal em uma peça estratégica para o desenvolvimento do país.

Nesse processo, Mato Grosso assume papel de liderança. Com grandes investimentos em processamento industrial e agregação de valor, o estado deixa de ser apenas um dos maiores produtores de milho do mundo para se consolidar também como referência nacional em biocombustíveis.

Em cidades como Sinop, onde a Inpasa mantém uma de suas principais operações, essa transformação já gera impactos positivos na economia, na geração de empregos e no fortalecimento da cadeia do agronegócio brasileiro.

Fonte: DA REPORTAGEM

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