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Quarta Feira, 04 de Novembro de 2026

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Etanol de milho transforma mercado e amplia espaço para a industrialização

04 de Setembro de 2026 as 04h 08min

Consumo doméstico também agrega valor ao milho e consolida indústrias, como a Inpasa – Foto: Divulgação

O crescimento acelerado do consumo doméstico está redesenhando o mercado brasileiro de milho e colocando a indústria de etanol no centro de uma transformação que vai muito além da produção de biocombustíveis.

Empresas como a Inpasa mostram, na prática, como o cereal pode deixar de ser apenas uma commodity para se transformar em combustível, proteína para alimentação animal, óleo vegetal e energia.

Maior biorrefinaria de etanol de grãos da América Latina, a Inpasa processou 11,6 milhões de toneladas de grãos em 2025 e produziu 5,4 bilhões de litros de etanol. A companhia também produziu 2,7 milhões de toneladas de DDGS e 284,9 mil toneladas de óleo bruto, demonstrando a capacidade de aproveitamento múltiplo da matéria-prima.

Em Sinop, onde está uma das principais operações da empresa, foram processadas 4,3 milhões de toneladas de milho em 2025, destinadas à produção de etanol, DDGS, óleo vegetal e energia. A unidade se consolidou como um dos grandes exemplos da industrialização do milho no Norte de Mato Grosso.

Esse movimento ganha ainda mais relevância diante das novas projeções para o mercado brasileiro. A indústria de etanol de milho deverá consumir aproximadamente 27 milhões de toneladas do grão em 2026, volume equivalente a cerca de 20% de toda a produção nacional.

A análise faz parte da edição de agosto do AgroInfo 2026, relatório elaborado pelo RaboResearch, área de inteligência e pesquisa do Rabobank. Segundo o banco, a nova dinâmica reduz a disponibilidade para exportação, fortalece os preços internos e aumenta a importância da próxima safra para o abastecimento nacional.

PRODUÇÃO ESTÁVEL

A produção de milho na safra 2025/26 deverá permanecer praticamente estável em relação ao ciclo anterior. Embora a oferta não apresente crescimento relevante, o consumo interno continua renovando recordes. Essa diferença altera a composição do balanço brasileiro e amplia a disputa pelo grão entre fábricas de ração, usinas de etanol e exportadores.

Mais do que uma mudança momentânea, o avanço das indústrias representa uma transformação na própria cadeia produtiva. O milho passa a ter cada vez mais destinos dentro do país, especialmente em regiões onde grandes plantas industriais estão próximas das áreas produtoras.

O movimento também cria novas possibilidades de agregação de valor. Em vez de sair do campo exclusivamente como grão, parte da produção é transformada regionalmente em combustíveis, produtos para alimentação animal, óleos e energia.

É esse modelo de industrialização que vem ganhando força em Mato Grosso e que tem em Sinop um de seus principais exemplos.

DEMANDA AMPLIADA

O avanço mais expressivo do consumo doméstico vem das usinas de etanol de milho. Somente no primeiro semestre de 2026, a indústria utilizou 12,5 milhões de toneladas do cereal, crescimento de 2 milhões de toneladas em relação ao mesmo período de 2025.

Até o final do ano, a demanda do setor deverá alcançar cerca de 27 milhões de toneladas. O volume corresponde a aproximadamente um quinto da produção nacional e confirma a importância crescente do biocombustível para o mercado de grãos.

A expansão das usinas cria uma fonte permanente de consumo, especialmente nas regiões próximas às áreas produtoras. Além do etanol, as unidades geram coprodutos destinados à alimentação animal, ampliando a integração entre os setores de grãos, energia e proteína animal.

A operação da Inpasa ilustra essa diversificação. A empresa utiliza milho e sorgo como matérias-primas para produzir diferentes tipos de etanol, além de DDGS, óleos vegetais e energia elétrica. O modelo permite aproveitar diferentes componentes dos grãos e transformar uma mesma matéria-prima em diversos produtos.

Na unidade de Sinop, a capacidade industrial chegou a 6 milhões de litros de etanol por dia, consolidando a planta como uma das maiores estruturas de produção de etanol de grãos do mundo.

INDUSTRIALIZAÇÃO

O avanço do etanol de milho também modifica a relação entre produtores e indústria. Com grandes unidades consumidoras instaladas próximas às regiões produtoras, o cereal passa a contar com uma demanda industrial permanente. Isso contribui para ampliar as possibilidades de comercialização e reduz a dependência de um único destino para a produção.

Em Mato Grosso, esse processo ganha importância ainda maior devido à dimensão da produção estadual de milho. A instalação e a expansão de biorrefinarias criam uma ligação mais direta entre o campo e a indústria, mantendo parte maior do valor gerado pelo cereal dentro da própria região.

Em Sinop, a escala alcançada pela Inpasa ajuda a demonstrar esse processo. A unidade processou 4,3 milhões de toneladas de milho em 2025, transformando a matéria-prima em etanol e outros produtos industriais. O resultado é uma cadeia mais integrada, que movimenta produção agrícola, transporte, armazenagem, indústria, distribuição de combustíveis e alimentação animal.

Fonte: DA REPORTAGEM

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