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EURO 2020: Edição festiva quase virou pesadelo para a Uefa
Pandemia trouxe desafio logístico e modificou muitos planos na gestão de Ceferin
11 de Junho de 2021 as 09h 30min
Final será no dia 11 de julho – Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
Quando a bola rolar para o duelo entre Itália e Turquia, nesta sexta (11), às 15h, no Estádio Olímpico de Roma, a Euro 2020 terá seu início. E, ao mesmo tempo, terá fim um longo e tenso processo de preparação para o torneio, repleto de incertezas, críticas veladas e mudanças de planos. A competição, que vinha sendo planejada há mais de oito anos e era o grande sonho do ex-presidente da Uefa Michel Platini, quase virou um pesadelo para a Uefa.
Tudo começou em 2012, quando alguns países já haviam se candidatado para serem sede da Euro 2020. Já estava definido que a edição seguinte, a de 2016, ocorreria na França, e o processo de escolha para os palcos de oito anos depois ainda está começando. Mas, na véspera da final entre Espanha e Itália, em Kiev, na Ucrânia, Platini fez um anúncio surpreendente: ele desejava que a edição de 2020, quando a Eurocopa completaria 60 anos, fosse disputada em cidades espalhadas por todo o continente.
A fala de Platini pegou de surpresa os países que surgiam como aspirantes a ser sede da competição. O processo de escolha havia sido iniciado em março daquele ano, com a Turquia surgindo como forte opção, enquanto Escócia, Irlanda e País de Gales preparavam uma candidatura conjunta, assim como Geórgia e Azerbaijão. Inicialmente, a escolha só seria feita no segundo semestre de 2014. Mas em dezembro de 2012 o na época presidente da Uefa confirmou: a Euro 2020 teria diversos países como cenário.
Na ocasião, Platini havia apontado que o ideal seria contar com “12 ou 13 sedes”, usando o argumento de que os países europeus viviam dificuldades financeiras, e dividir a competição entre várias cidades poderia evitar grandes gastos com infraestrutura. A ideia foi criticada por diversos veículos na época, principalmente por dificultar a logística para torcedores e seleções. O próprio francês admitiu que se tratava de uma ideia "um pouco maluca".
A única das 53 associações a se declarar oficialmente contra a Eurocopa espalhada foi a Turquia, que era praticamente assegurada como a grande candidata a receber a competição em 2020. Porém, a candidatura perdeu força quando Istambul também entrou na briga para abrigar as Olimpíadas no mesmo ano - o que inviabilizaria a Euro de ocorrer no país. No fim das contas, os Jogos foram para Tóquio, no Japão.
Os turcos viriam a baixar a guarda e inclusive aplicariam na disputa para ser palco da grande decisão da competição. Desde o começo de seu sonho, Platini vislumbrava que seria interessante que o torneio tivesse toda a fase final disputada em apenas uma sede, o que facilitaria a logística e daria uma cara mais "comum" à competição. A Turquia, porém, depois viria a desistir do processo diante do favoritismo da Inglaterra - que acabaria sendo apontada como principal sede da Euro.
A Uefa exigiu que os estádios candidatos tivessem capacidade mínima de 50 mil torcedores - e pelo menos 70 mil para semifinais e finais. Em caso de necessidade, seriam aceitos estádios com 30 mil fãs de capacidade para jogos da fase de grupos.
Ao todo, mais de 30 países se candidataram inicialmente para fazer parte da edição histórica. Porém, Platini, homem-forte da Uefa e o rosto do projeto inédito, afirmou que tinha como prioridade cidades que nunca tivessem sido palco da Eurocopa anteriormente. Com isso, aos poucos o número de países candidatos foi caindo, com diversas desistências.
O pai do sonho grandioso da Euro 2020 sairia de cena por conta de um escândalo. Michel Platini foi banido pelo Comitê de Ética da Fifa e impedido de exercer atividades ligadas ao futebol por pelo menos oito anos. Tudo por conta de um pagamento suspeito recebido de Joseph Blatter, ex-presidente da Fifa, que recebeu a mesma punição.
E coube ao sucessor de Platini resolver os primeiros grandes problemas relacionados à organização do torneio. O esloveno Aleksander Ceferin foi eleito presidente da Uefa em setembro de 2016, tendo a missão de afastar qualquer sombra de corrupção da entidade após o escândalo envolvendo Platini. A imprensa europeia, inclusive, diz que ele nunca foi um grande entusiasta do projeto de uma Eurocopa com tantas sedes.
A PANDEMIA
A pandemia da Covid-19, que paralisou o futebol por alguns meses em todo o planeta, quase fez o sonho de Platini se tornar um pesadelo para a Uefa. A gestão de Ceferin precisou agir rapidamente para chegar a uma solução que não gerasse um rombo nos cofres da confederação e, ao mesmo tempo, não se tornasse um enorme problema de calendário no continente.
Em 17 de março de 2020, apenas seis dias depois da Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar a pandemia, a Uefa anunciou o adiamento da Eurocopa em um ano. Por alguns dias, o cancelamento do torneio chegou a ser visto como uma possibilidade, mas logo foram colocados na equação os problemas envolvendo patrocinadores, governos e federações nacionais. Era preciso realizar a Euro 2020, mesmo que fora do prazo inicial - ela ocorreria entre 12 de junho e 12 de julho do ano passado.
Diante das incertezas envolvendo as condições sanitárias, a natureza do novo coronavírus e a inexistência de remédios eficazes ou vacinas, o plano foi conservador. A Eurocopa foi adiada em um ano, visando abrir espaço para que as ligas nacionais pudessem ser jogadas assim que fosse possível, empurrando o fim da temporada 2019/20. O torneio foi marcado para começar em 11 de junho de 2021.
Após reuniões do Comitê Executivo, a Uefa optou por manter a marca Euro 2020, mesmo com o torneio sendo disputado um ano depois. E, então, começou a luta da confederação para viabilizar um evento idealizado para ser símbolo de união e ocorrer praticamente sem fronteiras - mas, agora, em uma realidade onde países se fecham, e a circulação de pessoas é uma dor de cabeça.
Do primeiro jogo até a grande decisão, em 11 de julho, serão dias de tensão por possíveis problemas relacionados ao novo coronavírus. As possíveis infecções de atletas, o aumento de casos em um país específico ou mesmo a modificação das regras de circulação e entrada de estrangeiros nos diferentes países podem gerar dores de cabeça fortes para Ceferin e sua diretoria. O presidente, porém, mantém a esperança até de que a final conte com Wembley lotado.
O adiamento da competição e as mudanças relacionadas gerariam um gasto de 300 milhões de euros (R$ 1,84 bilhão) para a Uefa, de acordo com a AP. Porém, a realização dos jogos com sucesso pode render uma receita de mais de 2 bilhões de euros (R$ 12,31 bilhões).
Veja as normas de público para cada sede:
Amsterdã (Holanda): capacidade de 25% a 33%, com possibilidade de aumento;
Baku (Azerbaijão): capacidade de 50%;
Bucareste (Romênia): capacidade de 25% a 33%, com possibilidade de aumento;
Budapeste (Hungria): capacidade de até 100%;
Copenhague (Dinamarca): capacidade de 25% a 33%, com possibilidade de aumento;
Glasgow (Escócia): capacidade de 25% a 33%;
Londres (Inglaterra): capacidade de 25%, com possibilidade de aumento;
Munique (Alemanha): capacidade de 22%;
Roma (Itália): capacidade de 25%;
São Petersburgo (Rússia): capacidade de 50%;
Sevilla (Espanha): capacidade de 30%.
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