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Terça Feira, 03 de Novembro de 2026

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Ex-secretário é cobrado por pagamentos bilionários sem licitação na Saúde

20 de Outubro de 2026 as 05h 34min

WS aponta contradições e cobra explicações sobre repasses - Foto: Assessoria

A retomada da CPI da Saúde de Mato Grosso recolocou sob suspeita pagamentos indenizatórios que somam mais de R$ 1,2 bilhão durante a gestão do ex-secretário estadual Gilberto Figueiredo.

A comissão investiga despesas sem cobertura contratual convencional, repasses a empresas e possíveis desrespeitos a orientações de órgãos de controle.

Após uma pausa durante o período eleitoral, a comissão ouviu Figueiredo por quase uma hora. O ex-secretário afirmou que esse tipo de despesa decorre de serviços ou produtos já fornecidos ao Estado e defendeu a legalidade do mecanismo, embora os deputados questionem sua utilização em diferentes operações. Segundo ele, a modalidade existe há anos na administração pública.

“Pagamento de indenizatórios não nasce na sala do secretário de Saúde. Ele nasce por alguma atividade que foi realizada, contratada ou adquirida em uma das pontas e depois o Estado está obrigado a pagá-la”, disse.

Um dos episódios discutidos envolve a empresa L.I. Medicamentos, que teria recebido mais de R$ 7 milhões apesar de uma recomendação contrária ao pagamento emitida pela Controladoria-Geral do Estado.

Questionado pelo presidente da CPI, deputado Wilson Santos, o ex-secretário disse não se lembrar do processo. “Na luta da minha gestão, nos sete anos, estão aproximadamente quase 400 mil processos. Não que eu possa pescar dentro desse universo um processo especificamente para relatar aqui”, afirmou. Ele acrescentou que os documentos poderão ser disponibilizados à comissão mediante solicitação oficial à secretaria.

Ao deixar a oitiva, Figueiredo minimizou os questionamentos e sustentou que os casos já foram examinados por órgãos de investigação e controle, sem comprovação de irregularidades até o momento. A avaliação contrasta com a posição de Wilson Santos, que vê contradições e lacunas nas explicações apresentadas.

“Não tem nada de novo, nada que não tenha sido investigado pela Decor, nada que não tenha sido investigado pelo Tribunal de Contas ou pelo Ministério Público. Mais do mesmo”, declarou.

Para Wilson Santos, presidente da CPI, o depoimento reforçou a necessidade de aprofundar a apuração. O deputado afirmou que Figueiredo confirmou pagamentos indenizatórios sem licitação e cobertura contratual, além de não esclarecer repasses superiores a R$ 140 milhões ao grupo Einstein em um período no qual, segundo os questionamentos apresentados à CPI, um hospital estaria fechado e sem realizar procedimentos.

“Ele confirmou aqui que pagou mais de um bilhão e cem milhões de forma indenizatória, que a forma indenizatória não é precedida por licitação, não há cobertura contratual”, disse Santos. O parlamentar também acusou o ex-secretário de ignorar recomendações da Procuradoria-Geral do Estado e da Controladoria-Geral do Estado.

Fonte: DA REPORTAGEM

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