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Exportações de milho avançam, mas incertezas sobre demanda e logística desafiam mercado
09 de Abril de 2026 as 08h 02min
Fatores mantêm o setor em alerta – Foto: Divulgação
As exportações brasileiras de milho registraram crescimento em março de 2026, reforçando um início de ano mais aquecido no comércio externo. Ainda assim, o cenário está longe de ser totalmente favorável. Apesar do avanço nos embarques e na receita, o mercado segue atento a uma combinação de fatores que pode impactar o desempenho ao longo dos próximos meses, especialmente as incertezas sobre a demanda internacional e os desafios logísticos internos.
Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil exportou 983.029,2 toneladas de milho não moído (exceto milho doce) em março, volume 12,8% superior ao registrado no mesmo período de 2025, quando os embarques somaram 871.297,9 toneladas. Em termos de faturamento, o país arrecadou US$ 226,489 milhões, um aumento de 8,2% na comparação anual.
Apesar do crescimento tanto em volume quanto em receita, o preço médio por tonelada apresentou recuo de 4,1%, passando de US$ 240,30 em março do ano passado para US$ 230,40 neste ano. A queda reflete um ambiente de maior oferta global e pressão sobre as cotações internacionais, o que pode limitar ganhos mais expressivos para os exportadores brasileiros.
O desempenho acima do esperado nos primeiros meses de 2026 surpreendeu parte do mercado. Segundo o analista Roberto Carlos Rafael, da Germinar Corretora, os volumes embarcados superaram os patamares observados em anos anteriores para o período. Um dos fatores que contribuíram para esse resultado foi o aumento dos embarques oriundos do Rio Grande do Sul, estado que tradicionalmente exporta milho no início do ano, mas que, desta vez, apresentou volumes ainda mais robustos.
No entanto, a tendência para os próximos meses é de desaceleração. A expectativa do setor é que os embarques percam ritmo no curto prazo, com uma retomada mais consistente apenas a partir de junho ou julho, quando a segunda safra começa a ganhar espaço no mercado. Até lá, o comportamento da demanda internacional será determinante para sustentar o fluxo exportador.
Nesse contexto, uma das principais preocupações é o posicionamento do Irã, que foi o maior comprador do milho brasileiro em 2025, com aquisições próximas de 10 milhões de toneladas. Para este ano, há expectativa de redução nas compras pelo país asiático, mas ainda não há clareza sobre a intensidade dessa retração. Essa indefinição amplia o nível de incerteza e pode obrigar o Brasil a buscar novos destinos para parte relevante de sua produção.
A necessidade de ampliar mercados ganha ainda mais importância diante da perspectiva de uma safra elevada. O Brasil deve produzir mais milho do que o consumo interno é capaz de absorver. As estimativas mais recentes apontam para uma demanda doméstica em torno de 99 milhões de toneladas — acima das projeções anteriores, de 94 milhões — impulsionada principalmente pela expansão do setor de etanol de milho.
Mesmo com esse crescimento interno, o excedente segue significativo e exigirá escoamento externo consistente para evitar pressão adicional sobre os preços no mercado doméstico. Nesse cenário, a competitividade do milho brasileiro, aliada à eficiência logística, será decisiva.
Além disso, o país terá o desafio de encontrar mercado para cerca de 45 milhões de toneladas, o que reforça a dependência de um ambiente internacional favorável e de estratégias comerciais bem estruturadas. Questões como custos de transporte, infraestrutura portuária e disponibilidade de frete também entram na equação e podem influenciar diretamente o ritmo das exportações.
Diante desse conjunto de fatores, o cenário para 2026 exige cautela. Embora o desempenho de março sinalize um início de ano positivo, o mercado de milho permanece atento às variáveis que podem alterar rapidamente o equilíbrio entre oferta e demanda. A combinação de incertezas sobre grandes compradores e possíveis entraves logísticos impõe um ambiente desafiador, no qual agentes do setor precisarão agir com agilidade para se adaptar às mudanças do mercado global.
Fonte: DA REPORTAGEM
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