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Fóssil revela mistério dos dinossauros ‘pescoçudos’

17 de Junho de 2025 as 11h 49min

Por muitos anos, arqueólogos tentam confirmar a hipótese de que saurópodes eram herbívoros, pois fósseis de plantas encontrados em um intestino fossilizado acabam de corroborar a teoria sobre o dinossauro que viveu há cerca de 94 a 101 milhões de anos.

Segundo o estudo publicado na revista Current Biology, esse grupo dependia quase inteiramente de micróbios intestinais fornecidos por uma variedade de plantas para a sua digestão. A descoberta pode ajudar a compreender melhor a biologia dos dinossauros e também seu papel em ecossistemas antigos.

“Nenhum conteúdo intestinal genuíno de saurópode jamais havia sido encontrado em nenhum lugar antes, apesar de saurópodes serem conhecidos a partir de fósseis encontrados em todos os continentes e de se saber que o grupo abrange pelo menos 130 milhões de anos”, afirma o autor principal, Stephen Poropat, da Universidade Curtin (Austrália).

Até então, os pesquisadores acreditavam na herbivoria dos saurópodes com base em características anatômicas, como desgaste dentário, morfologia da mandíbula e comprimento do pescoço de pouquíssimos fósseis encontrados com conteúdo intestinal preservado.

Mas a história ganhou um novo capítulo em 2017, quando uma equipe do Museu Australiano de História Natural da Era dos Dinossauros escavou um esqueleto subadulto do saurópode Diamantinasaurus matildae, do período Cretáceo Médio.

O fóssil foi encontrado relativamente completo na Formação Winton, em Queensland (Austrália). Durante a escavação, os arqueólogos notaram uma camada de rocha fraturada incomum que indicava a presença de fósseis de plantas bem preservados.

Após análises dos espécimes vegetais, o que incluiu folhagens de coníferas, samambaias e angiospermas, a equipe concluiu que os saurópodes praticamente não mastigavam os alimentos — e dependiam da fermentação e da microbiota intestinal para a digestão.

“As plantas apresentam evidências de terem sido cortadas, possivelmente mordidas, mas não mastigadas, apoiando a hipótese de alimentação em massa em saurópodes”, explica Poropat. Essa estratégia pode ter favorecido a longevidade do clado por 130 milhões de anos, segundo o estudo.

A presença de angiospermas (plantas com flores) no intestino do dinossauro também surpreendeu o pesquisador. Isso indica que alguns saurópodes não eram seletivos, mas, sim, consumiam qualquer planta que pudessem alcançar.

“As angiospermas tornaram-se aproximadamente tão diversas quanto as coníferas na Austrália há cerca de 100 a 95 milhões de anos, quando este saurópode ainda estava vivo”, diz ele. “Isso sugere que os saurópodes se adaptaram com sucesso para comer plantas com flores dentro de 40 milhões de anos após a primeira evidência da presença dessas plantas no registro fóssil”.

O pesquisador pondera que o estudo tem limitações por não confirmar se as plantas preservadas representam a dieta típica ou a dieta de um animal estressado, além da ausência de evidências sobre como a sazonalidade pode ter afetado a alimentação do saurópode analisado.

Fonte: DA REPORTAGEM

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