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F1: a luta para "emagrecer" os carros antes da temporada
12 de Março de 2022 as 08h 00min
Equipes têm dificuldades de ficar no limite mínimo de 795 kg – Foto: Eric Alonso/Getty Images
Não é segredo para ninguém que os carros da Fórmula 1 estão ficando cada vez mais pesados. Desde o início da década de 1960, com os primeiros registros nos regulamentos técnicos, os modelos da maior categoria do automobilismo mundial ganharam nada menos que 345 kg.
O aumento da segurança, por exemplo, foi o principal "culpado" por isso, com a adição de materiais para proteger o piloto e absorver os impactos nos acidentes. Para 2022, entretanto, o ganho de peso veio por causa do novo regulamento, que mudou o conceito de construção dos carros e trouxe de volta o efeito solo: são 43 kg a mais que nas regras de 2021.
Mesmo com esse aumento expressivo, a maior parte teve dificuldades de ficar no peso mínimo durante a primeira sessão de testes da pré-temporada da Fórmula 1, em Barcelona. Inclusive já há um lobby, liderado pela RBR, para aumentar o peso dos carros. A Liberty Media, entretanto, não quer que ele ultrapasse a casa dos 800 kg, para não afetar a imagem da categoria. Ou seja: há margem de apenas 5 kg para isso. A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) já parece convencida em um aumento de 3 kg: de 795 kg para 798 kg. Deve ser oficializado em breve.
A questão do peso mínimo já está em voga desde a publicação do primeiro regulamento para 2022, que previa um aumento de apenas 23 kg. De lá pra cá já foram mais 11 kg em mais três revisões do texto original. No primeiro teste, segundo informações do jornalista alemão Michael Schmidt, principal referência em informações da Fórmula 1 há vários anos, da revista Auto Motor und Sport, quem mais sofreu com isso foi justamente a RBR - daí a liderança do lobby para o aumento do peso mínimo. Estima-se que o RB18 esteja mais de dez quilos acima: em Barcelona, pista onde foi realizada a sessão inicia da pré-temporada, isto significa três décimos de atraso. Muita coisa em um cenário de equilíbrio.
Por outro lado, quem mais está próxima do peso mínimo de 795 kg é a McLaren. Ela, aliás, também teve o carro que menos sofreu com o Efeito Golfinho (clique aqui e leia). Ou seja: o projeto do MCL36 parece ter nascido bem. A única equipe que estaria dentro do limite é a Alfa Romeo. Entretanto, o time foi o segundo a menos dar voltas em Barcelona, com apenas 175 (média de 58 em cada um dos três dias). Carro leve, mas pouco resistente e um dos que mais sofreu com o porpoising. O C42 precisou passar por algumas modificações e também teve o chassi reforçado. Com isso, estima-se que os 3 kg que a FIA deve aumentar irá atender à equipe suíça para a temporada. A explicação do aumento: 1kg do conjunto pneu/rodas; 1 kg das calotas e 1kg dos reforços estruturais.
Um outro argumento das equipes que desejam o aumento do limite mínimo de peso é o novo teto orçamentário de US$ 140 milhões (aproximadamente R$ 702 milhões). O problema seria resolvido com o uso de materiais mais leves em algumas peças, o que pode comprometer os gastos logo no início da temporada 2022 e causar limitações para atualizações ao longo do ano. Tudo isso ajuda a explicar porque as maiores equipes da F1 fizeram campanha pelo aumento do teto em US$ 2,65 milhões (R$ 13 milhões). Algo prontamente recusado pela FIA.
NOVIDADES
A partir desta quinta, o Circuito Internacional de Sakhir, no Bahrein, recebe a última sessão de testes da pré-temporada da F1. Espera-se que as equipes tragam grandes novidades após todas as informações colhidas nas atividades em Barcelona. Neste ano, com o teto orçamentário, estas atividades são ainda mais decisivas, já que há limitações de uso do túnel de vento e dos softwares de aerodinâmica computacional, mais conhecidos como CFD. Ou seja: é primordial que os resultados de pista correspondam aos das simulações. Pelo bem de suas temporadas.
Os rumores são enormes, como sempre. Acredita-se que a RBR de Adrian Newey terá um pacote aerodinâmico completamente novo. Nos últimos dias, a grande estrela do noticiário internacional de F1 foi a Mercedes: fala-se até em um design revolucionário sem sidepods, as laterais onde são acomodados os radiadores dos carros. Isso explicaria, por exemplo, a demora para o W13 ter sido aprovado nos testes de impacto (crash tests) laterais obrigatórios da FIA. A grande questão deste possível novo projeto da equipe alemã é como manter eficiente a refrigeração do carro. E o uso de materiais mais leves pode ajudar a manter o carro no peso mínimo.
Respostas que serão dadas a partir desta quinta. Fato é que, pelo que vimos em Barcelona, McLaren e Ferrari parecem ter uma tranquilidade maior, já que não enfrentaram problemas graves na pista. Mas elas não estão paradas: ambas trarão novidades para Sakhir. Entretanto, com o foco de melhorar um equipamento que já está bom. Trazer peças para caminhos muito diferentes de evolução pode dificultar mais do que ajudar. A própria equipe italiana já sofreu com isso em anos anteriores.
Fonte: DA REPORTAGEM
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