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Quarta Feira, 17 de Junho de 2026

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Famato defende o pagamento por serviço ambiental a produtores pantaneiros

17 de Junho de 2026 as 07h 28min

CST do Pagamento por Serviços Ambientais – Bioma Pantanal – Foto: Angelo Varela

A construção de mecanismos que garantam a remuneração dos produtores rurais pela conservação do Pantanal foi o foco da 6ª Reunião Ordinária da Câmara Setorial Temática (CST) do Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) – Bioma Pantanal, realizada na última sexta (12), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

O encontro reuniu especialistas, representantes de instituições e produtores rurais para discutir a certificação ambiental das propriedades, a validação dos serviços ambientais prestados no bioma e estratégias para atrair investimentos que viabilizem o pagamento por esses serviços.

O Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Sistema Famato) participou das discussões, defendendo a criação de instrumentos que reconheçam e remunerem os produtores pantaneiros pela conservação ambiental.

Durante a reunião, o analista de Pecuária da Famato e relator da CST, Marcos Carvalho, apresentou a evolução dos debates realizados ao longo dos últimos meses, que abordaram temas como fontes de financiamento, segurança jurídica e a harmonização entre as legislações federal e estadual.

O presidente do Sindicato Rural de Poconé e presidente da Câmara Setorial Temática, Ricardo Arruda, afirmou que o principal desafio atual é criar indicadores e métricas que permitam certificar e quantificar os serviços ambientais prestados pelos produtores rurais. Segundo ele, a certificação é fundamental para validar os ativos ambientais existentes nas propriedades e possibilitar sua remuneração.

“O produtor pantaneiro é o principal guardião desse bioma. A conservação também tem custo e precisa gerar retorno para quem está no campo. A certificação é o primeiro passo para transformar a conservação em valor econômico. Quando conseguimos medir e comprovar os serviços ambientais prestados pelas propriedades, abrimos caminho para a remuneração desses produtores e para a valorização dos produtos do Pantanal”, destacou Arruda.

Após seis reuniões, a comissão avança para a etapa final dos trabalhos, que consiste em validar os critérios de certificação e buscar fontes de recursos para financiar os pagamentos. Segundo dados da Embrapa Pantanal, cerca de 95% da área do bioma é composta por propriedades privadas, o que reforça o papel estratégico dos produtores rurais na conservação ambiental.

Durante sua apresentação, Marcos Carvalho ressaltou que os produtores pantaneiros atuam como verdadeiros guardiões do território, contribuindo para a preservação de uma região que mantém aproximadamente 83% de sua cobertura nativa conservada. Ele também alertou para o esvaziamento populacional do Pantanal e para a perda gradual da cultura pantaneira.

“O Pantanal precisa do pantaneiro. A permanência das famílias no campo é fundamental para a conservação do bioma, para a prevenção dos incêndios florestais e para a manutenção de uma cultura que está se perdendo. Valorizar quem vive e produz no Pantanal é investir na preservação da maior área úmida do mundo”, afirmou Marcos.

Um dos principais destaques dos debates foi o Programa Fazenda Pantaneira Sustentável (FPS), apontado como uma ferramenta estratégica para a implementação do PSA no Pantanal. O programa foi apresentado como um modelo capaz de monitorar, certificar e valorizar propriedades que conciliam produção pecuária e conservação ambiental, servindo de base para a criação de indicadores técnicos e para a remuneração dos serviços ambientais prestados pelos produtores.

Desenvolvido pelo Sistema Famato, Senar MT e Embrapa Pantanal, o programa utiliza indicadores técnicos e científicos para avaliar a sustentabilidade das propriedades.

“No Pantanal, a mensuração e a monetização do carbono ainda são incipientes. Por isso, defendemos que a remuneração aos produtores considere também outros serviços ambientais prestados dentro das propriedades, como a manutenção da biodiversidade, a conservação dos recursos hídricos e a preservação da vegetação nativa. Temos hoje uma validação científica muito forte das práticas sustentáveis realizadas no Pantanal. O desafio agora é estruturar um fundo que permita remunerar os produtores pela conservação ambiental, criando um ciclo virtuoso de preservação, desenvolvimento social e atração de novos investimentos para o bioma”, destacou Marcos.

Atualmente, o Programa Fazenda Pantaneira Sustentável atende 83 fazendas localizadas nos municípios de Poconé, Barão de Melgaço, Santo Antônio de Leverger, Cáceres e Itiquira, abrangendo cerca de 400 mil hectares e 230 mil cabeças de gado.

A próxima reunião da Câmara Setorial Temática do Pagamento por Serviços Ambientais – Bioma Pantanal está prevista para o dia 2 de julho, quando deverão ser apresentados os encaminhamentos finais relacionados aos critérios de certificação e às alternativas de financiamento para viabilizar a remuneração dos produtores rurais pelos serviços ambientais prestados no bioma.

Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA

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