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Fertilizantes enfrentam alta de 350% nos preços
07 de Junho de 2022 as 06h 30min
É possível que falte fertilizantes para a safra 2022/23 – Foto: Divulgação
Os preços dos principais fertilizantes registraram um reajuste de 350%. Segundo a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT), esse percentual pode causar desabastecimento de alimentos no mercado mundial.
Aliados aos adubos, os fertilizantes representam entre 30% a 35% dos custos de uma plantação; outro fator que deve ser levado em conta é o fato de o Brasil ser o maior importador de fertilizantes do mundo, importando mais de 80% do volume utilizado pelo agronegócio brasileiro.
A Rússia é o principal exportador do insumo para o Brasil – mais de 20% dos adubos ou fertilizantes químicos importados em 2021 vieram da Rússia. O presidente da Aprosoja-MT, Fernando Cadore, alertou para a possibilidade de desabastecimento alimentar no país e a influência que as multinacionais de fertilizantes têm na alta dos preços, segundo ele, sem precedentes.
“Essas empresas detentoras do maior poder de mercado de fertilizantes, em caso de desabastecimento alimentar, também deverão ser responsabilizadas, já que com os atuais preços desses insumos, a agricultura pode se tornar impraticável no país”, pontuou o presidente.
Cadore ressalta ainda que o governo deve se manifestar sobre o assunto, pois a população como um todo sofrerá os reflexos dessa alta de 350% nos preços. “Nós precisamos que o nosso governo cobre explicações das grandes empresas de fertilizantes, que infelizmente estão concentradas em duas ou três, para que não massacrem o produtor e consequentemente acabem massacrando a população, a dona de casa e a criança que vai sofrer com falta de alimento também lá no continente africano”, alertou ele.
Além da alta nos preços, é possível que falte fertilizantes para a safra 2022/23, se considerada as dificuldades logísticas que o Brasil vem enfrentando junto a Rússia, já que o país não consegue receber os insumos russos devido à falta de navios e de seguro para que embarcações possam carregar fertilizantes no Mar Báltico e no Mar Negro.
Conforme esclarecimento feito pelo economista Feliciano Azuaga, o Brasil tem procurado alternativas para suprir o problema de fornecimento da Rússia e da Ucrânia. “O Brasil tem buscando alternativas junto ao Irã para fornecer esses principais fertilizantes usados nas quatro culturas que mais consomem fertilizantes no país que é a soja, o milho, a cana de açúcar e o algodão”, esclareceu o economista.
Azuaga destaca ainda que o Canadá também é uma alternativa para importação de potássio, porém o Brasil precisaria ter uma estrutura de logística, produção e distribuição, o que demanda tempo. “Não está tão simples a logística no mundo nem a reorganização da cadeia produtiva, por isso que estamos sofrendo bastante, e não é uma coisa tão simples de alterar”, complementou.
Fonte: MYLENE DIAS
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