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Terça Feira, 03 de Novembro de 2026

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Frete pode cair até 40% com expansão de ferrovias e corredor bioceânico

28 de Outubro de 2026 as 04h 49min

Projetos ampliam competitividade do agro, mas ganhos dependem da execução das obras – Foto: Divulgação

A expansão da malha ferroviária e a criação de novas rotas de integração entre o Brasil e os mercados internacionais podem transformar a logística do agronegócio brasileiro.

Segundo análise de Carlos Cogo, sócio-diretor da Cogo Inteligência em Agronegócio, os projetos em desenvolvimento têm potencial para reduzir o custo do frete de grãos em até 40%, melhorar o escoamento da produção e aumentar a competitividade das exportações nacionais.

Entre as principais iniciativas estão o Corredor Bioceânico de Capricórnio, a Ferrogrão, a ampliação da Ferronorte e a conexão entre as ferrovias FATO e FICO. A expectativa é ampliar as alternativas de transporte, diminuir a dependência das rodovias e aproximar as regiões produtoras dos principais corredores de exportação.

Uma das principais apostas para melhorar o transporte internacional de cargas é o Corredor Bioceânico de Capricórnio, uma rota multimodal com extensão estimada entre 2,3 mil km e 2,4 mil km. O projeto prevê a integração entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, conectando áreas produtoras aos portos chilenos e criando uma alternativa de acesso aos mercados asiáticos.

De acordo com as projeções apresentadas na análise, a rota poderá reduzir os custos logísticos entre 30% e 40%. O tempo de trânsito também poderá diminuir, passando de aproximadamente 55 para 42 dias.

O Mato Grosso do Sul está entre os estados que podem se beneficiar da iniciativa. Mais de 65% das exportações sul-mato-grossenses têm como destino a Ásia, o que torna a abertura de novas rotas comerciais especialmente relevante para o estado.

A conexão com os portos do Pacífico poderá diversificar as opções de embarque e ampliar as possibilidades de acesso aos compradores internacionais, dependendo das condições operacionais e da efetiva implantação da infraestrutura prevista.

FERROGRÃO

No transporte ferroviário, a Ferrogrão é um dos projetos estratégicos para reduzir os custos de movimentação da produção agrícola brasileira. A ferrovia foi planejada para ligar Sinop a Miritituba/PA, em um traçado de 933 km.

A expectativa é que a estrutura possa reduzir o custo do frete em até 20% e alcançar capacidade de movimentação de 40 milhões de toneladas por ano até 2050, conforme as projeções citadas na análise.

A ferrovia poderá ampliar a integração entre as regiões produtoras do Centro-Oeste e os terminais de transbordo do Norte, fortalecendo os corredores logísticos utilizados no transporte de grãos destinados à exportação. A redução da distância econômica entre as lavouras e os pontos de embarque é considerada fundamental para melhorar a competitividade da soja e do milho brasileiros no mercado internacional.

Outros projetos também integram a estratégia de modernização da logística do agronegócio. A expansão da Ferronorte pretende melhorar a conexão entre os polos produtores de Mato Grosso e o Porto de Santos, um dos principais pontos de saída das exportações brasileiras. A ampliação dessa integração poderá aumentar as alternativas para o transporte de grandes volumes de grãos.

Já a conexão FATO-FICO tem potencial para ampliar a integração ferroviária e facilitar o acesso à Ferrovia Norte-Sul. A articulação entre essas estruturas poderá fortalecer a ligação entre diferentes regiões produtoras e os corredores de exportação.

Com uma malha ferroviária mais integrada, o setor poderá contar com maior capacidade de transporte, melhor distribuição dos fluxos de carga e menor exposição às limitações do transporte exclusivamente rodoviário.

A análise também destaca estimativas atribuídas ao Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), segundo as quais o conjunto dos projetos ferroviários poderá proporcionar uma redução próxima de 40% nos custos de transporte de grãos.

Caso esse potencial se concretize, os benefícios poderão alcançar diferentes etapas da cadeia produtiva. O produtor rural poderá obter maior valor líquido pela comercialização da safra, enquanto exportadores e operadores logísticos poderão contar com alternativas mais eficientes para movimentar a produção.

O impacto tende a ser especialmente relevante para propriedades e regiões agrícolas distantes dos portos, onde o transporte representa uma parcela importante do custo total de comercialização.

Fonte: DA REPORTAGEM

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