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GARANTIA: Usinas de etanol já estão comprando milho para 2022
Diante de preços recordes do cereal, fábricas antecipam as negociações
05 de Novembro de 2020 as 11h 00min
Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
A saca do milho disponível em Mato Grosso ultrapassou a casa dos R$ 63 em média. O preço é o maior da história no estado, que é o principal produtor do grão no Brasil. A valorização do cereal coloca em alerta as usinas que utilizam o milho como matéria-prima para produzir etanol. Para manter a viabilidade do negócio, as indústrias têm adotado estratégias para seguir operando.
Das 16 usinas de etanol de milho em operação no país, 9 estão no estado. Juntas, devem consumir este ano cerca de 6 milhões de toneladas do grão. Para 2021 esta demanda deve aumentar, com a ampliação da capacidade de 3 fábricas e a inauguração de outras duas. Segundo a União Nacional do Etanol de Milho (UNEM), a previsão de investimento está mantida, mesmo com o cereal alcançando preços recordes, o que poderia comprometer a saúde financeira do negócio.
“É lógico que o milho ‘spot’ hoje, na faixa de R$ 60 a saca, não é o milho que as usinas estão operando. Elas têm um preço médio ponderado em relação às suas compras, em torno de R$ 28, R$ 30. Elas precisam voltar ao mercado, então, é um ponto de atenção. As estratégias precisam ser revistas, precisa de um acompanhamento constante. Ninguém esperava um milho de R$ 55, R$60 a saca… mas está todo mundo preparado, já fechando a necessidade de compra do milho para 2021 e abrindo compra para o milho que será plantado e colhido em 2022. Temos associados que estão todos comprados para o ano que vem e já estão com 20%, 30%, 40% comprados para 2022”, pontua Guilherme Nolasco, presidente da UNEM.
Além do posicionamento antecipado no mercado, a viabilidade para continuar operando também está atrelada à valorização do “DDG”, subproduto rico em proteína e fibras, usado na alimentação animal. “Hoje ele representa 50% do custo da matéria-prima, do milho com o preço atual no mercado spot. Então, você tem um milho comprado com o preço ponderado mais baixo, e um DDG vendido hoje na faixa de R$ 1.100, R$ 1.200 a tonelada. Ou seja, 100% a mais do que o preço do início do ano. Então, ele traz esse seguro para a operação. É o ponto de equilíbrio no momento em que você tem Dólar alto, que aumenta (o preço) do milho, da soja, do farelo de soja, e – consequentemente – puxa o DDG também. Então, ele é primordial dentro do investimento do etanol de milho. Não é um sub-produto, é um co-produto com um peso importantíssimo na viabilidade do negócio”, esclarece.
Alternativa para alimentação de bovinos, o “DDG” está com a demanda aquecida em Mato Grosso. A procura é tanta que tem indústria vendendo para entregar só no ano que vem. “Num ano com a maior seca dos últimos 50 anos, com as queimadas registradas no Pantanal e em várias regiões de atividade pecuária, o DDG ‘não tem pra quem quer’. Tem usinas que já estão vendendo com possibilidade de entrega somente em janeiro de 2021”, afirma Nolasco.
Gestor de inteligência de mercado do Imea, Cleiton Gauer confirma o aumento do destaque do DDG no setor. “Tem evoluído a demanda. Estamos até reajustando as nossas análises de oferta e demanda, principalmente olhando para este quesito, porque os confinamentos e semiconfinamentos têm utilizado nos últimos anos uma fatia (maior) de DDG na dieta animal”, explica.
A valorização do DDG, porém, já acende um sinal de alerta entre os pecuaristas. É o que pontua o diretor-técnico da Acrimat, Francisco Manzi. “O uso está cada vez mais popular em semiconfinamentos e confinamentos. Porém, os preços de milho têm alcançado valores extremamente altos, não podem ter no DDG o seu valor diretamente relacionado. Porque, em que pese a arroba tenha alcançado níveis bastante atrativos, o custo de produção através da nutrição é o principal fator para desestimular o confinamento e o semiconfinamento”, conclui.
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