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Terça Feira, 30 de Junho de 2026

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Gelo “fervendo”? Cientistas descobrem a causa de estranhas plumas no interior da Groenlândia

27 de Fevereiro de 2026 as 17h 47min

A Groenlândia é coberta por uma camada de gelo de quase 3 quilômetros de espessura que guarda a história do clima da Terra há milênios. Mas, escondido sob essa superfície branca e aparentemente estática, algo “bizarro” está acontecendo.

Após dez anos de mistério, uma nova análise publicada pelo ScienceAlert mostra que pesquisadores da Universidade de Bergen, na Noruega, conseguiram explicar por que o interior dessa calota de gelo apresenta deformações em formato de plumas. A resposta? O gelo está sofrendo um processo de convecção, movendo-se de baixo para cima como se fosse rocha derretida no interior de um vulcão.

Tudo começou com imagens de radares que conseguem atravessar o gelo. Normalmente, o gelo da Groenlândia é como um bolo de camadas: a neve cai, é compactada e forma uma linha horizontal perfeita. No entanto, o radar mostrou que, em certas áreas, essas linhas estavam todas “empurradas” para cima, formando estruturas que lembram cogumelos gigantes.

Como o solo abaixo do gelo era plano, os cientistas não entendiam o que estava causando aquele relevo interno. Agora, modelos de computador revelaram que o culpado é o calor do próprio planeta.

Pode parecer estranho falar em “convecção” (o movimento de subida do calor) para algo congelado, mas a física explica:

Aquecedor natural: o calor que vem do centro da Terra aquece a base da camada de gelo; gelo “viscoso”: embora continue sólido, esse gelo do fundo fica ligeiramente mais quente e menos denso do que o gelo do topo.

O efeito lâmpada de lava: esse gelo mais leve começa a subir lentamente em direção à superfície, empurrando e dobrando as camadas acima dele.

Normalmente pensamos no gelo como um material sólido, então a descoberta de que partes da camada de gelo da Groenlândia na verdade sofrem convecção térmica, semelhante a uma panela de macarrão fervendo, é tão surpreendente quanto fascinante.

A descoberta não é apenas uma curiosidade geológica. Ela tem um impacto direto nas previsões sobre o aquecimento global. Se o gelo nas profundezas da Groenlândia é mais “mole” e dinâmico do que imaginávamos, ele pode se deslocar em direção ao mar com mais facilidade.

Entender esse movimento invisível ajuda os cientistas a recalcular a velocidade com que o nível do mar vai subir. Afinal, a Groenlândia é um dos maiores reservatórios de água doce do mundo e qualquer mudança na sua “física interna” afeta o planeta inteiro.

Fonte: DA REPORTAGEM

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