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Golpes financeiros exploram dados reais, engenharia social e até IA
29 de Janeiro de 2026 as 06h 43min
Golpes passaram a ter uma aparência cada vez mais técnica – Foto: Divulgação
Os golpes financeiros no Brasil deixaram de ser ações pontuais e improvisadas para se tornarem operações cada vez mais sofisticadas, organizadas e convincentes. Utilizando dados reais, falsas situações de urgência, centrais de atendimento fraudulentas e até recursos de inteligência artificial, criminosos vêm explorando vulnerabilidades emocionais e digitais para aplicar fraudes em larga escala, afetando diretamente o orçamento e a segurança financeira das famílias.
Segundo Raimundo Nonato, presidente da Associação Brasileira de Defesa dos Clientes e Consumidores de Operações Financeiras e Bancárias (ABRADEB), o crime aprendeu a copiar o comportamento do consumidor e a usar o próprio ambiente digital contra ele.
“Hoje, as quadrilhas combinam engenharia social — como pressão psicológica, senso de urgência e falsa autoridade — com dados verdadeiros. É o caso do golpe do falso advogado, em que informações públicas de processos são usadas para criar uma narrativa convincente e induzir a vítima a realizar pagamentos, muitas vezes via Pix”, explica.
Além disso, os golpes passaram a ter uma aparência cada vez mais técnica. Um exemplo é o acesso remoto, conhecido como o golpe da “mão fantasma”, em que a vítima é induzida a instalar programas que permitem ao criminoso controlar o aparelho à distância. “Mais recentemente, cresce o uso de clonagem de voz e deepfakes, o que torna ligações e mensagens extremamente realistas e dificulta a identificação da fraude”, alerta Nonato
Nonato destaca que entre as fraudes bancárias mais recorrentes registradas em 2025 estão a clonagem ou troca de cartão, o golpe do WhatsApp, em que criminosos se passam por familiares ou conhecidos pedindo dinheiro, além do golpe da central falsa, do Pix falso, do uso indevido de CPF via SMS e dos golpes de leilões e lojas virtuais falsas.
Para o presidente da ABRADEB, o que mais mudou nos últimos anos foi o método utilizado pelos criminosos. “Hoje há menos invasão técnica e mais persuasão. Na maioria dos casos, não é o sistema do banco que é violado, mas sim a confiança da vítima. As quadrilhas operam em escala, com roteiros bem definidos, falsas centrais de atendimento e testes constantes de abordagens”, afirma.
Outro fator preocupante é o nível de realismo das fraudes. “Os criminosos utilizam dados verdadeiros, informações retiradas de cadastros e redes sociais e, em parte dos casos, recorrem a voz ou imagem sintética. Isso aumenta significativamente o poder de convencimento”, completa.
Embora qualquer pessoa possa ser alvo, Raimundo Nonato explica que os golpes se aproveitam de momentos de vulnerabilidade. “A fraude escolhe a fragilidade, e ela pode aparecer em qualquer idade. Ainda assim, pesquisas divulgadas em 2025 mostram que a incidência cresce entre idosos, chegando a 44% em determinados recortes”, pontua.
Na prática, trabalhadores também figuram entre as principais vítimas, especialmente por conta da pressa do dia a dia, do medo de bloqueio de contas e das compras online. Pessoas endividadas também ficam mais expostas a falsas promessas de crédito ou regularizações urgentes.
Os prejuízos causados pelos golpes vão além da perda imediata de dinheiro. “O impacto é em cadeia. O valor geralmente sai do salário, da reserva financeira ou de um benefício, e a família precisa recorrer a cheque especial, crédito rotativo, atraso de contas ou cancelamento de planos, como viagens, reformas e até tratamentos de saúde”, explica Raimundo.
Quando as fraudes atingem benefícios ou pessoas em situação de maior vulnerabilidade, o impacto é ainda mais severo. “Há casos em que descontos e operações indevidas comprometem a própria subsistência do consumidor”, alerta.
Fonte: DA REPORTAGEM
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