Noticias
Gramíneas forrageiras: protagonistas na recuperação de solos compactados
30 de Janeiro de 2026 as 05h 16min
Melhoria da eficiência do uso de insumos – Foto: Divulgação
A compactação do solo é um dos principais entraves à sustentabilidade e à produtividade dos sistemas agrícolas atuais, especialmente em ambientes submetidos ao tráfego intenso de máquinas, à baixa diversidade de culturas e à ausência de cobertura vegetal permanente. Esse processo resulta no aumento da densidade do solo, na redução da macroporosidade e na limitação do crescimento radicular, comprometendo a absorção de água e nutrientes pelas plantas.
Nesse contexto, estratégias de manejo que promovam a recuperação física do solo de forma gradual têm ganhado relevância, destacando-se a descompactação biológica proporcionada por algumas gramíneas. De acordo com Lara Gabriely Silva Moura, Zootecnista, mestranda em Forragicultura e Pastagens e Coordenadora de P&D da SBS Green Seeds, gramíneas forrageiras do gênero Urochloa (sin. Brachiaria), como as cultivares Xaraés, Piatã e Ruziziensis, apresentam elevado potencial para a melhoria da estrutura física do solo devido à arquitetura e à agressividade de seus sistemas radiculares.
Conforme destaca a especialista, essas espécies desenvolvem raízes profundas, densas e altamente ramificadas, capazes de explorar camadas superficiais compactadas, criando canais contínuos conhecidos como bioporos. “Esses bioporos permanecem ativos mesmo após a dessecação da planta, servindo como vias para o crescimento radicular das culturas subsequentes, além de favorecerem a infiltração de água e a troca gasosa no perfil do solo”, detalhou.
O capim Xaraés destaca-se pela elevada produção de raízes em profundidade, apresentando maior capacidade de penetração em solos com alta resistência mecânica. Essa característica confere a esse cultivar um papel relevante na diminuição da compactação, comum em áreas com histórico de preparo do solo convencional e/ou com manejo do pastejo feito de forma errônea.
O capim Piatã, por sua vez, apresenta equilíbrio entre produção de biomassa aérea e desenvolvimento radicular, sendo eficiente tanto na formação de palhada quanto na melhoria da estrutura física do solo.
Já a Ruziziensis, amplamente utilizada como planta de cobertura, contribui de forma expressiva para a proteção superficial do solo e para o incremento de matéria orgânica, ainda que seu potencial de descompactação profunda seja, em geral, mais moderado quando comparado a cultivares de maior porte.
A descompactação biológica promovida por essas gramíneas ocorre de forma gradual e contínua, não sendo de efeito imediato. “Enquanto o revolvimento do solo pode causar desestruturação dos agregados e aumento da suscetibilidade à erosão, o uso de plantas com sistema radicular ativo atua na reorganização natural da estrutura do solo, promovendo maior estabilidade dos agregados e favorecendo processos biológicos essenciais à saúde do solo”, diz a zootecnista.
Além disso, conforme acrescenta a profissional, a decomposição das raízes contribui para o aporte de carbono orgânico, estimulando a atividade microbiana e fortalecendo a estrutura física ao longo do tempo.
Além dos benefícios físicos, as plantas de cobertura contribuem para a ciclagem de nutrientes, a supressão de plantas daninhas e a melhoria da eficiência do uso de insumos. Em sistemas integrados, como a integração lavoura-pecuária, essas gramíneas desempenham dupla função, atuando tanto na recuperação e proteção do solo quanto na produção de forragem, otimizando o uso da área ao longo do ano agrícola. Essa intensificação sustentável permite maior retorno econômico ao produtor sem comprometer os recursos naturais.
Nos últimos anos, a adoção de práticas conservacionistas deixou de ser apenas uma recomendação técnica e passou a integrar estratégias de gestão de risco no setor agropecuário. Com o aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e chuvas intensas, sistemas agrícolas baseados em solos mal estruturados tornam-se mais vulneráveis a perdas produtivas. “Solos protegidos por cobertura vegetal e biologicamente estruturados apresentam maior capacidade de infiltração e armazenamento de água, o que contribui para maior estabilidade da produção em cenários adversos”, reforçou Lara.
Fonte: ASSESSORIA DE IMPRENSA
Veja Mais
Sport Sinop pode se classificar ou mesmo cair em campeonato equilibrado
Publicado em 07 de Fevereiro de 2026 ás 06h 45min
Projeto para duplicar BR-163 no Nortão avança após aval do TCU
Publicado em 07 de Fevereiro de 2026 ás 04h 47min
Jacto apresenta soluções completas para o agronegócio
Publicado em 06 de Fevereiro de 2026 ás 17h 29min
