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Terça Feira, 03 de Novembro de 2026

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Há algo de muito estranho – e grande – pairando sobre Marte

22 de Outubro de 2026 as 18h 00min

Uma nuvem que se estende por até 1.800 quilômetros sobre Marte pode ter uma origem mais incomum do que se imaginava. Um estudo publicado na revista Nature Geoscience sugere que sua formação envolve um processo ainda não observado diretamente na atmosfera de outro planeta.

Conhecida como Nuvem Alongada de Arsia Mons, a estrutura aparece perto de um vulcão marciano com cerca de 20 quilômetros de altura. Acompanhada pela missão Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), ela cresce rapidamente pela manhã e desaparece poucas horas depois.

Na Terra, o vapor de água costuma se condensar ao redor de pequenas partículas suspensas no ar, como poeira, sal ou fuligem. Essas partículas ajudam a iniciar a formação de gotículas ou cristais de gelo.

Em Marte, porém, os pesquisadores propõem outro mecanismo: o vapor de água pode se transformar diretamente em partículas de gelo, sem depender dessas partículas como ponto de partida. A hipótese surgiu porque os modelos anteriores não conseguiam reproduzir a formação da nuvem. Os resultados melhoraram quando os cientistas incluíram essa possibilidade nas simulações.

A explicação proposta envolve a combinação entre a atmosfera fina de Marte e o relevo elevado do Arsia Mons. Quando os ventos encontram a montanha, o ar úmido é forçado a subir rapidamente. Nesse movimento, a temperatura pode cair cerca de 30 °C em apenas dez minutos.

Essa queda brusca cria condições que favorecem o congelamento direto do vapor de água. O mecanismo ajudaria a explicar como a nuvem alcança grandes dimensões em poucas horas. Embora possa chegar a 1.800 quilômetros de extensão, seu tamanho varia: uma imagem da Mars Express divulgada pela ESA, por exemplo, mostra uma estrutura com aproximadamente 980 quilômetros.

Apesar dos resultados, o modelo ainda não reproduz perfeitamente todos os detalhes observados pelas sondas. A hipótese, portanto, oferece uma explicação possível, mas ainda precisa ser testada.

O estudo também pode contribuir para investigações sobre atmosferas de outros mundos. Entre as questões que os pesquisadores poderão explorar estão: Condições para o congelamento: quais fatores permitem que o vapor de água forme gelo diretamente. Influência do relevo: como montanhas e mudanças de altitude afetam a temperatura e a umidade atmosféricas. Aplicação a outros planetas: se mecanismos semelhantes podem ocorrer em mundos fora do Sistema Solar.

Por enquanto, os cientistas ainda precisam entender por que as simulações não reproduzem todos os detalhes da nuvem. Novas observações poderão ajudar a determinar se o mecanismo proposto explica seu comportamento incomum.

Fonte: DA REPORTAGEM

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