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Hantavírus, COVID, norovírus… Por que os navios de cruzeiro são tão suscetíveis a surtos de doenças?
16 de Maio de 2026 as 10h 41min
No início de maio, jornais pelo mundo todo noticiaram um surto viral que acometeu um cruzeiro: o micróbio hantavírus matou três passageiros a bordo do transatlântico holandês MV Hondius. Para além da viagem interrompida, o incidente também nos relembrou que esta não foi a primeira vez que um surto viral atingiu um cruzeiro.
Durante a época de ouro da Covid-19, lá em 2020, mais de 600 passageiros e tripulantes testaram positivo para o vírus no navio Diamond Princess. Então, fica o questionamento, por que os navios de cruzeiro são tão suscetíveis a surtos de doenças?
Um navio-cruzeiro funciona como um hotel móvel: abriga centenas e, às vezes, milhares de pessoas por um grande período de tempo; viaja para vários países; e tem contato direto com várias possíveis fontes de infecção.
Afunilando ainda mais o contexto, os tripulantes deste cruzeiro entram e saem da embarcação constantemente, trocando diferentes combinações de micróbios em espaços com os quais centenas (ou milhares) de pessoas entram em contato: restaurantes, elevadores, aparelhos de natação, piscina, corredores, saunas, banheiros, salões de jogos e mais.
Então, ao juntar todas estas variáveis, chegamos a um ponto em comum: cruzeiros podem ser um lugar excelente para se instalar uma nova crise de saúde pública, especialmente quando pensamos que, embora um navio possa ser gigante, ainda é menor do que uma cidade inteira, e isso significa que todos aqueles a bordo terão um contato ainda mais restrito e próximo do que se estivessem espalhados por uma metrópole.
Outro problema alarmante é que a área de maior ventilação em um transatlântico é o deck ao ar livre, onde é possível ver o mar. O restante do lugar é quase exclusivamente encapsulado em diferentes ambientes. Isso significa que a circulação de ar é mais restrita, ainda que haja sistemas apropriados para ventilar os ambientes. Dessa forma, os micróbios se concentram em massa no ar e, durante um surto, isso facilita a proliferação de infecções nesses ambientes fechados.
O caso do Diamond Princess e do MV Hindius ilustra muito bem a facilidade com que vírus (nesse caso, causadores de doenças respiratórias) se espalham em um cruzeiro. No entanto, outros patógenos também já acumulam históricos de doença não relacionados à área cardiopulmonar, mas ao estômago.
O norovírus (carinhosamente apelidado de “vírus do vômito”) se tornou uma febre em cruzeiros há décadas e está presente até hoje. Esse agente biológico ocasiona uma infecção intestinal aguda, culminando em dores abdominais, febre, vômito, diarreia aquosa e tais sintomas podem persistir por até 3 dias.
Esse micróbio adora ambientes fechados (como os navios de cruzeiro) e pode ficar ativo por vários dias seguidos em regiões como corrimãos, mesas de buffet, maçanetas de porta, cadeiras, controles-remotos, óculos de sol e muito mais. Infelizmente, é possível que uma única pessoa contaminada já seja o bastante para, em algumas ocasiões, dar início a uma série de infecções.
Agora, o vírus em destaque na mídia é o hantavírus que, assim como o Covid-19, também pode ocasionar problemas respiratórios. A sua transmissão ocorre quando partículas de urina, fezes e saliva de roedores contaminados se acumulam em detritos sólidos e finos no chão e superfícies: ao serem inaladas pelos humanos, o corpo desenvolve a hantavirose.
Os sintomas incluem febre alta, dor de cabeça, e dor muscular intensa, mas podem evoluir rapidamente para falta de ar, choque cardiopulmonar e acúmulo de líquido nos pulmões.
Além de tudo o que já foi citado, também é imprescindível informar o seguinte: os cruzeiros ocorrem em períodos de verão, quando a temperatura está mais quente. Nessa mesma temporada, uma série de doenças também entra em período de incubação: isso significa que enquanto muitos aproveitam os dias de sol na piscina, seu organismo já pode ter sido comprometido por um agente biológico e, eventualmente, transmitir a doença para várias outras pessoas mesmo antes de expressar os primeiros sintomas.
Fonte: DA REPORTAGEM
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