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HIPOCRISIA: Emanuel diz que plebiscito deve custar R$ 16 milhões
E o Estado (ou você, cidadão) tem obrigação de pagar: “investimento na democracia”
18 de Fevereiro de 2021 as 07h 08min
Prefeito joga responsabilidade para o “Estado” pagar – Foto: Divulgação
DA REPORTAGEM
O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) levantou a bandeira do plebiscito para a escolha do modal de transporte de Cuiabá e Várzea Grande, e enxerga como um investimento na democracia o valor – cerca de R$ 16 milhões – que seria gasto pelo Estado para que seja realizado o referendo. Lembre-se que quem financia o Estado é você, cidadão, portanto, é você quem pagará a conta.
Ainda segundo ele, por ser tratar de uma votação ‘de outra natureza’, o plebiscito não causaria aglomerações, como aconteceu durante as eleições municipais de 2020. “Tudo que é para a democracia (sic) eu não encaro como gasto, eu encaro como investimento. É a falta da cultura brasileira de não consultar a população, por isso que as pessoas estranham. A democracia nossa é representativa, mas é participativa também?”, afirmou.
“O primeiro deputado a pedir plebiscito na história do legislativo, da constituinte para cá, fui eu. Em 2015, para o modal VLT x BRT. Março de 2015. Nunca se utilizou esse instrumento tão sagrado da constituição estadual, federal. O Brasil já fez alguns plebiscitos, referendos. Mato Grosso nunca vez, porque é uma falta de cultura, uma falta de costume, acham que vai gastar demais, é investimento. Nós vamos gastar muito menos do que se não ouvir a população e ficar nesse achismo e essa queda de braço política que não vai levar a lugar nenhum. Então já falaram até em valores, 16 milhões de reais, a Constituição determina que o Estado pague, e o Estado tem condições para isso. E essa é obrigação e determinação do Estado. Se precisar de apoio, Cuiabá ou Várzea Grande estão prontas para apoiar na logística, mas a obrigação é do Estado, está na Constituição Estadual”, completou.
A defesa do plebiscito veio à tona durante a audiência pública realizada na Assembleia Legislativa no último dia 4, em fala do deputado federal Emanuelzinho, e foi apoiada por Pinheiro. Para que ele seja realizado, no entanto, é necessário que um deputado estadual apresente uma proposta, e outros sete a assinem.
O argumento de Pinheiro é que, durante a campanha eleitoral para o plebiscito, com propagandas nas rádios, televisões e internet, a população terá mais clareza sobre do que se trata cada modal, e assim poderá escolher o que preferem. “Se der BRT no plebiscito, após essa campanha, estou pronto. Vamos implantar o BRT. Agora, não podemos ter medo de consultar a população, principalmente depois de tudo isso que aconteceu. Se antes em 2015 eu já era favorável, imagine agora. Se passaram seis anos e só houve retrocesso, não se avançou em nada. Só a população tem a autoridade, a legitimidade, a soberania de dar um basta em tudo isso e decidir qual é o modal melhor”, explanou.
AGLOMERAÇÃO
Sobre a possibilidade de um novo processo eleitoral levar ao aumento do número de casos e, consequentemente, de mortes em decorrência do novo coronavírus (Covid-19), Emanuel afirmou que não aconteceria por se tratar de outra estrutura.
“É uma outra natureza. Até foi questionado bastante se deveria ter eleição ou não, e foi o único evento democrático que realmente se confirmou. Se cancelou tudo no Brasil, no mundo e não as eleições. Agora, uma pauta do modal de transporte numa região da capital com certeza seria tranquilo, com toda a segurança para a população e não aglomeração, até porque não envolveria candidatos, envolveria causas, temas”, finalizou.
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