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Itália fora da Copa representa perda de até 30 milhões de euros
03 de Abril de 2026 as 12h 53min
Sandro Tonali chora a eliminiação da Itália — Foto: Reuters
Além do vexame de se tornar a primeira campeã mundial a ficar fora de três Copas do Mundo consecutivas, a Itália amargará outro duro golpe, este em suas finanças. De acordo com a Federação Italiana de Futebol (FIGC), estima-se uma perda de receita no valor de 30 milhões de euros (cerca de R$ 180 milhões).
O prejuízo se divide em três frentes: multas aplicadas por cláusulas contratuais impostas por patrocinadores, a ausência de premiação por participação na Copa do Mundo e a perda de receitas oriundas de venda de produtos licenciados, ingressos dos jogos e negociações com novos parceiros comerciais.
Matéria da Gazzeta dello Sport faz referência ao termo "malus", que no latim significa mau ou ruim. Trata-se de cláusula contratual que impõe penalidade por desempenho esportivo abaixo do esperado. Nesse aspecto, a FIGC calcula uma perda de 9,5 milhões de euros (R$ 57,1 milhões).
O jornal ainda explica que a federação italiana estimava receber 10 milhões de euros (R$ 60 milhões) em venda de camisas oficiais, ingressos e produtos licenciados, principalmente por considerarem o mercado norte-americano muito potente e também pela avaliação de que a competição impulsionaria a comercialização.
Para completar, a Itália perde pelo menos 9 milhões de euros (R$ 27 milhões) por não participar da fase de grupos da Copa do Mundo.
Embora não entre nessa conta da premiação, a reportagem da Gazzetta ainda cita o aumento progressivo conforme os países vão avançando: 11 milhões de euros para os que avançam da fase de grupos, 14 milhões de euros para os que chegam às oitavas de final, 18 milhões de euros para as quartas de final e até 45 milhões de euros para os campeões.
Tais números aumentam a dor dos italianos, que cairiam numa chave relativamente fácil, ao lado de Canadá, Catar e Suíça. Vale destacar que, além dos dois primeiros de cada grupo, os oito terceiros melhores classificados na primeira fase passam ao mata-mata.
OSTRACISMO
A crise do futebol italiano tem muitas camadas e vai muito além da derrota para a Bósnia e da ausência da Azzurra de três Copas do Mundo consecutivas. Escândalo esportivo, más administrações, excesso de estrangeiros, dificuldade na formação de jogadores, estádios obsoletos e outras questões ajudam a explicar a queda do futebol na Itália, principal potência europeia no início do século XXI.
O torcedor mais jovem, acostumado com a soberania financeira e esportiva da Premier League, e com Barcelona e Real Madrid sendo o "destino óbvio" dos grandes craques, talvez não tenha noção de que o cenário já foi muito diferente. Entre as décadas de 1980 e 2000, o Campeonato Italiano se sobressaiu na Europa. No período, foram oito títulos de Champions para a Itália, com ao todo 17 times italianos disputando finais de Ligas dos Campeões.
Na atual edição do principal torneio europeu, nenhuma equipe italiana chegou às quartas de final: o último campeão da Itália foi a Inter de Milão, em 2010. A Inter, o Milan, a Juventus, e até outras equipes locais contavam com grandes estrelas do futebol. Hoje, ocupam um papel totalmente secundário no mercado europeu. Na última janela de transferências, apenas duas das 50 maiores transações foram para um time italiano (Openda e Jonathan David, ambos na Juve).
A mudança de cenário aconteceu no início da década de 2010, quando a Uefa aprovou o projeto do Fair Play Financeiro, um controle da saúde econômica dos clubes. O economista Cesar Grafietti, especialista em gestão e finanças do esporte, explicou que os gigantes italianos passaram a ter dificuldades a partir daí. Antes disso, os donos de Milan e Inter injetavam dinheiro todo ano para cobrir o déficit dos clubes.
Pouco antes da implementação do Fair Play Financeiro, o futebol italiano foi centro de um dos maiores escândalos da história do futebol mundial. Em maio de 2006, após investigações, foi descoberto um grande esquema de manipulação de nomeações de árbitros para favorecer equipes durante 2004 e 2006. Escutas telefônicas expuseram relações entre dirigentes de clubes e responsáveis pela arbitragem local e organização de indicações de árbitros favoráveis.
A Juventus, primeira colocada no Italiano em 2004/05 e em 2005/06, perdeu os dois títulos e acabou sendo rebaixada para a Série B. Milan, Fiorentina, Lazio e outras equipes também foram envolvidas. Em tempos de crescimento econômico das ligas de Inglaterra e Espanha, a da Itália passava por um grande episódio de perda de reputação e credibilidade.
Se em outras épocas, os clubes italianos atraíam grandes estrelas em seus auges, atualmente isso só acontece em fases finais de suas carreiras. Na atual temporada, por exemplo, o Napoli contratou Kevin De Bruyne, aos 34 anos e em condições físicas abaixo do ideal, enquanto o Milan teve o reforço de Luka Modric, aos 40.
Das 20 escalações com maior média de idade da atual edição da Liga dos Campeões, 9 foram de times italianos, mais precisamente seis da Inter (média de 30 anos no time titular) e do Napoli (média de 29 anos). O campeão italiano da última temporada e o atual líder do torneio nacional pouco apostam em jovens jogadores.
E o futebol italiano também utiliza muitos estrangeiros: 68% dos jogadores que atuaram no atual Campeonato Italiano são nascidos em outros países. E isso não é de hoje. A Inter de Milão de 2010, último time da Itália a ser campeão da Champions, tinha uma escalação com 11 estrangeiros: Júlio César; Maicon, Lúcio, Samuel, Chivu; Cambiasso, Zanetti, Sneijder, Pandev, Eto'o e Diego Milito.
Fonte: DA REPORTAGEM
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