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Lobisomem na Noite não faz horror nem se entrega ao pastiche
15 de Outubro de 2022 as 12h 00min
A cena central de Lobisomem na Noite não seria outra senão o momento da transformação do personagem-título, mantido sob expectativa por mais da metade deste especial de 50 e poucos minutos.
Quem espera um registro detalhado da reconfiguração do corpo, na linha Um Lobisomem Americano em Londres (1981), porém, pode se frustrar, porque Lobisomem na Noite escolhe manter a transformação no extracampo e focar em um longo close-up no rosto apavorado da principal personagem que testemunha a cena, Elsa Bloodstone (Laura Donnelly).
Criada nos quadrinhos em 2001, Elsa surge em cena como uma mistura de Jessica Jones e Van Helsing, uma das convidadas de honra de uma caçada a monstros que vai acontecer no jardim labiríntico da mansão de seu pai, o recém-falecido Ulysses Bloodstone.
A divisão do especial em dois atos - primeiro os “jogos vorazes” que envolvem seis caçadores, depois a revelação do Lobisomem - vai adiando a aparição do licantropo, o que intensifica a expectativa pela sua revelação.
A decisão de fazer a transformação fora do enquadramento é a síntese do espírito desse média-metragem que a Marvel preparou para o período do Halloween, que marca a nova empreitada do compositor Michael Giacchino como diretor.
Apesar de um jorro de sangue ou outro, encenados com uma tímida inclinação ao pastiche, Lobisomem na Noite não é a estreia da Marvel num horror mais tradicional de sustos e sangueira.
Isso já parecia óbvio de antemão, já que o especial se acomoda dentro da faixa etária do MCU e do público família que vai consumi-lo no Disney+.
O que Giacchino faz então, dentro dessa margem de manobra, é reunir elementos de sugestão. Além de enfocar muitos rostos apavorados ao longo das cenas de ação, ele se esmera nos temas musicais que evocam o cinema de horror da Universal e da Hammer. Ou seja, tudo ou quase tudo em Lobisomem na Noite é atmosfera e derivação. É um esforço de contenção que se justifica - pelo menos no discurso - como um exercício de cinefilia, um especial “para os amantes do horror”.
Essa proposta conseguiria parar de pé se Lobisomem na Noite oferecesse algo mais além da homenagem, e não é o caso. De todas as produções do MCU, essa é a que mais tem cara de passeio de parques da Disney, onde tudo é falseado e paralisado no tempo para prover um entretenimento seguro de nostalgia. Um indício já aparecia no momento em que os convidados entram na mansão Bloodstone e deparam com todos os bustos empalhados de monstros que enfeitam as paredes; é a carnificina como uma informação a posteriori, e cabe ao espectador cuidar sozinho de imaginar o resto.
É muito chato escrever sobre um filme e ficar recomendando outro, mas neste caso parece oportuno relembrar Um Lobisomem Americano em Londres, que pode ser encontrado com facilidade no Brasil em streamings concorrentes. Realizado numa época em que o cinema hollywoodiano transformava seu esgotamento temático e formal em um exercício criativo de cinefilia, o filme de John Landis permanece até hoje como um dos grandes exemplos de como o horror pode aproveitar as convenções do gênero e as memórias coletivas do prazer do cinema para se reinventar criticamente. Giacchino mira em Landis, propõe uma celebração do horror que flerta com a ironia e a graça, mas Lobisomem na Noite se sai uma pálida versão, em exibição num museu de cera.
Fonte: DA REPORTAGEM
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