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Máfia dos celulares: como aparelhos roubados voltavam ao mercado
06 de Outubro de 2026 as 13h 23min
Uma megaoperação em São Paulo prendeu 15 suspeitos apontados como integrantes da “máfia dos celulares”, grupo que, segundo as investigações, teria movimentado R$ 460 milhões em cinco anos. A ação envolveu o Ministério Público e as polícias Civil e Militar.
A investigação revelou uma estrutura organizada para receber, adulterar e revender aparelhos roubados ou furtados. Cerca de 10 mil itens foram apreendidos, entre celulares, peças e acessórios, com peso estimado em 60 toneladas.
Segundo o Fantástico, o roubo ou furto era apenas o começo. Os celulares eram encaminhados rapidamente para pontos de receptação, onde começavam tentativas de acesso a contas bancárias, aplicativos e conteúdos armazenados nos aparelhos.
A Rua Guaianases, no centro de São Paulo, foi apontada pelo Ministério Público como um dos principais pontos de recebimento. Uma testemunha protegida, que participou dos crimes e colaborou com a investigação, afirmou que os aparelhos já tinham destino definido depois do furto.
A geolocalização de celulares roubados também levou diversas vítimas à região. O desafio era descobrir em qual estabelecimento ou imóvel os aparelhos estavam escondidos.
Para localizar os celulares, a operação utilizou cães treinados para identificar componentes eletrônicos presentes nos aparelhos. Segundo os investigadores, os animais indicaram com precisão os locais onde os equipamentos estavam armazenados, permitindo flagrantes e apreensões. Entre os presos está um comerciante suspeito de atuar na receptação. Segundo a investigação, a loja dele faria parte de uma etapa posterior do esquema.
Depois da receptação, os celulares passavam por diferentes etapas até chegar à comercialização: receptação inicial: recebimento rápido dos aparelhos e tentativas de acesso a contas, aplicativos e conteúdos das vítimas; adulteração de IMEI: alteração do número de identificação dos celulares por grupos especializados; desmontagem: separação de aparelhos e reaproveitamento de peças; documentação falsa: emissão de notas fiscais fraudulentas para dar aparência regular aos equipamentos; revenda: recolocação dos celulares adulterados ou de seus componentes no mercado.
O IMEI é o número de identificação único de cada celular. Segundo o Ministério Público, os criminosos substituíam o código dos aparelhos roubados por números de celulares inativos, dificultando a identificação da fraude pelos sistemas de controle.
A atividade era realizada por integrantes conhecidos como “icloudeiros”. Um dos suspeitos apontados como responsável pelo trabalho foi preso durante a operação.
A investigação também encontrou conversas sobre a emissão de notas fiscais fraudulentas contendo dados e números de IMEI vinculados aos aparelhos vendidos. Para tentar reduzir esse tipo de fraude, o governo paulista passou a exigir a inclusão do IMEI na emissão de notas fiscais eletrônicas de celulares.
Os equipamentos apreendidos serão analisados para identificar vítimas e responsabilizar envolvidos. Algumas pessoas conseguiram recuperar celulares recolhidos na operação, mas a recuperação ainda é exceção.
Segundo as autoridades, reduzir a procura por aparelhos vendidos muito abaixo do preço de mercado também ajuda a combater o esquema, já que a demanda contribui para manter a cadeia que começa com o roubo ou furto e termina na revenda.
Fonte: DA REPORTAGEM
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